Renato Ratier
Dono das duas filiais do D-Edge conta como se divide nas funções de empresário e DJ
10.03.04 01:45
Fazendeiro, DJ e empresário, dono de loja e de dois clubes, o mato-grossense Renato Ratier foi um dos personagens que mais balançou a noite underground paulistana em 2003. A abertura da filial do D-Edge na cidade, ocupando o espaço do antigo Stereo, deu mais conforto e qualidade ao antigo conceito "porão preto" que a cidade tanto ama. Aliando uma excelente programação - as sextas Freak Chic são as melhores noites de house music do país e as segundas-feiras rock'n'roll vivem com fila na porta - com um belíssimo conceito de iluminação e ambientação - assinado pelo premiado designer Muti Randolph, o mesmo da extinta U-Turn - o D-Edge/SP convenceu o público. E Renato aos poucos desponta como DJ residente das sexta-feiras, com sets elogiados. Na entrevista abaixo, ele fala sobre como é se dividir em tantas funções.
rr: Quando e como começou sua relação com a musica eletrônica?
Renato Ratier: Sempre fui um apaixonado por música, quando criança eu não deixava as empregadas trabalharem, tinham que ficar ouvindo música e dançando comigo, sempre gostei de clubes e de dance music. Acho que meu envolvimento maior com a música eletrônica foi por volta de 91.
Qual é o conceito e o diferencial por trás das duas casas D-Edge (São Paulo e Campo Grande)?
O conceito visual é diferente apesar de ter coisas em comum, afinal foi feito pelo mesmo designer, o Muti Randolph. Procuramos ter o máximo de qualidade em ambas as casas. O que diferencia um pouco é o público, que em Campo Grande é mais jovem. E também a programação de São Paulo, porque a casa funciona mais noites. Porém Campo Grande conta com todas as atrações internacionais que trazemos para São Paulo e, muitas vezes, DJs gringos que vêm tocar em outras cidades e casas noturnas de São Paulo. O que faz as duas D-Edge parecidas é a qualidade musical, equipamentos, o destaque dado ao design e o respeito pelo público.
Sua carreira de DJ já existia antes de entrar para o ramo de clubes?
Antes mesmo de abrir o D-Edge eu já tinha todo o equipamento e comprava muitos discos, porém tocava em festas pequenas e reuniões com amigos. Foi com uma noite fixa de house no D-Edge que começou minha carreira como DJ.
Como estava a cena em Campo Grande quando abriu o D-Edge em 2000? Foi como assumir um grande risco?
Fiz a primeira festa eletrônica na cidade em 1996 e, a partir daí, fiz muitas outras, até grandes festas para 9.000 pessoas. Fazia em torno de 2 a 3 festas por mês, mas a cidade nunca havia tido um club onde se tocasse somente música eletrônica e com DJ convidado toda semana. Foi um grande risco e precisou de muito trabalho para implantar esse costume na cidade.
Quem são seus parceiros no club?
São todos aqueles que acreditam e vestem a camisa, todos que trabalham, equipe financeira, secretárias, promoters, DJs, divulgadores, sites que nos apoiam, freqüentadores do club e amigos como o Digão, Pareto, Morcerf, Noise, Muti... que foram as pessoas que acreditaram no nosso conceito e trabalho.
Por que decidiu expandir para SP? O mais natural seria o contrário (que um club daqui abrisse filial em outras partes do país por causa da cena relativamente mais sólida). Como foi tudo isso?
Acho que foi a vontade de fazer mais, junto com a carência de alguns segmentos na noite paulista. Por exemplo, uma noite fixa semanal de house, um club de alta tecnologia, qualidade de som, conceito de luz inovador. Quisemos fazer tudo isso, ao mesmo tempo pensando na qualidade musical. A idéia era um club underground e sofisticado. Eu acho que o D-Edge é a cara de São Paulo.
De onde veio a idéia de fazer a festa no barco com Luke Solomon (Freak Boat)? Pretende fazer outras?
Eu já havia feito uma festa dois meses antes com o DJ Diz Washington no Rio, e queria estar fazendo outras porque adoro a cidade. Em conversa com o Jonas Rocha surgiu a idéia de fazer uma festa com o Luke Solomon, que estávamos trazendo para o D-Edge, uma festa no Rio e resolvemos fazer no barco. O nome tem tudo a ver com a festa, pois Luke é do grupo Freaks e nós fazemos a Freak Chic em São Paulo. Pretendemos fazer outras, porque quem esteve lá adorou, e nós também adoramos ter feito.
Você acha que sua carreira de DJ fica um pouco "deixada de lado" por causa da direção do club? Como você administra isso?
É um pouco difícil conciliar tudo porque além de DJ e dono de clubes, tenho minha família que mora em Campo Grande/MS. Tenho dois filhos, um apenas com seis meses. Também tenho outros negócios em Campo Grande, tenho uma loja de roupas, tenho que arrumar tempo pra ir para as fazendas que precisam da minha presença... São mundos diferentes, mas acho fascinante realizar coisas tão paralelas. A carreira de DJ é feita com muito prazer, acho que dá para fazer tudo porque faço com amor.
Quais DJs ainda sonha em trazer para o país? Qual sonho já virou realidade?
Estávamos em negociação com o Derrick Carter, mas esse já está vindo para o Skol Beats, que cobriu nossa oferta - afinal é um festival para 50 mil pessoas e a nossa proposta era para um grupo de 500. Gostaríamos de trazer o Sneak e outros nomes de outros estilos também, mas estamos felizes com a vinda do Stacey Pullen, Luke Solomon, Heather, James Curd, David Duriez, Phil Weeks. Todos os artistas que trouxemos para Freak Chic são muito especiais para a gente.
Está em seus planos abrir um clube com outro conceito, mais comercial, por exemplo?
Abrir outro club sim e fazer ele ser rentável também. Mas com nosso conceito de sempre, qualidade musical e de público.
Silvia PiccoloA Silvia escreveu pro rraurl falando que gostava de escrever e está conosco desde o começo de 2003!