Telefone chamando...
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Telefone chamando...
Alô alô, meu amor? Hello, hello baby? Não importa a revolução tecnológica, a conexão discada sempre será temática no pop, na dance music e em outras pirações musicais
15.06.10 11:50
As telecomunicações foram fagocitadas pela tecnologia que, transformando som e imagem em bits navegando por redes mundo afora, revolucionaram a forma como nos comunicamos. Mas, culturalmente, a internet e afins ainda não são temas e inspirações musicais.

Se uma canção que fale sobre bits e sites de internet pode soar boba, deixemos então as redes para seguir em sua revolução. E vamos tirar o fone do gancho para falar com canções que celebram as conversas humanas ligadas por um fio, pois há anos é o telefone que serve de tema e elemento das mais variadas ideias musicais.

Inspirados por canções recentes como a delícia soft indie "Round and Round", do Ariel Pink's Haunted Graffiti, e a onipresente "Telephone' (Lady Gaga & Beyoncé), cavocamos 10 preciosidades dançantes, experimentais e do ideário pop que fazem uma ligação musical. Alô?



ARIEL PINK'S HAUNTED GRAFFITI
ROUND AND ROUND

"Round and Round" é, acima de tudo, uma conquista do Pitchfork. Antes um esquisitão que misturava rock psicodélico e inspirações de FM dos anos 70 e 80, Ariel Pink formou a banda Haunted Graffit e cresceu em seriedade e afinação musical com o álbum Before Today.

Apresentado pela grandiosa 4AD após anos de Ariel na Paw Tracks (selo do Animal Collective), o disco foi masterizado na Abbey Road e, mesmo sendo versátil, retrô e indigesto demais a la Congratulations, estará nas principais listas midiáticas de disco do ano por causa de "Round And "Round".

Flash Content
Ariel Pink's Haunted Graffiti - Round and Round (mp3)

Baseada em uma ligação telefônica perdida, ela transmuta sentimentalismo, medos e um clima épico de hit absoluto com sua influência Bowieana, o bass soft e envolvente e o refrão "hold oooon / i'm caaalling", que fica na cabeça ad eternum. Uma preciosidade.


LADY GAGA & BEYONCÉ
TELEPHONE

Você pode não gostar, ignorar, ou apreciar como um guilty pleasure, mas o vídeo de "Telephone", da Gaga feat. Beyoncé, é um dos marcos do pop nesta nova década, similar na história do videoclipe ao assombro de "Black & White", do Michael Jackson.

Basicamente, é Gaga se fazendo de manhosa ao atender uma ligação no club (!), dizendo que está ocupada, que não pode ouvir, entre outras metáforas da comunicação telefônica para se fazer de gatinha.



O vídeo é uma novela de 8 minutos, com os já históricos óculos de cigarros acesos, a roupa de fitas policiais e os bobs de latinha de refrigerante, além de Beyoncé, cavaluda que é, sendo cumplície de Gaga nas roupas absurdas e nos infindáveis merchandises do vídeo.

Para quem não tem saco, recomendamos as paródias: a das jovens bees tailandesas e o clipe da versão de Ximbica feat. Nany People, que é bem engraçado (e bem produzido).


THE RAH BAND
CLOUDS ACROSS THE MOON

A RAH Band foi o grupo fictício de Richard Anthony Hewson (RAH são as letras de seu nome), arranjador musical que trabalhou com Beatles e Diana Ross, e que em 1985 fez muito sucesso com a balada soul "Clouds Across the Moon", clássico até hoje entre os mela-cuecas de Antena 1 e Alpha FM.

A música mostra a frustração de uma ligação para o espaço, que é perdida entre as turbulências da jornada estelar. "I'm trying to reach flight commander P.R. Johnson, on Mars, flight 2-4-7", pede a moça em deliciosa conversinha com o operador, adornada por uma linha de baixo fraseada e funky, além de muitas notas estelares e os versos crescendo em empolgação e suingue, rumo às nuvens entre a lua.

A temática espacial-telefônica remete ao futurismo pós-disco de Grace Jones, Dee Dee Jackson e afins, e o clipe é maravilhoso de tão brega e oitentista, com suas roupas espaciais capengas e produção quase amadora.


(versão 12" mix aqui)


TWINE
IN THROUGH THE DEVICES

Em inglês, Twine significa corda, nome que faz muito sentido ao som de Greg Malcolm e Chad Mossholder, produtores de IDM dos EUA que lançam há alguns anos pela Ghostly International.

Sua música blip e glitch é basicamente uma coleção de texturas e contemplações opiáceas sonoras, que assimilam barulhos da chuva e outras intervenções cotidianas para criar música quase paralisada de tão viajante.

Flash Content
Twine - In Through The Devices (mp3)

"In Through The Devices" é uma das faixas do Twine em que o telefone é protagonista, aqui dispondo conversas sem sentido por telefones em layers e cordas saudosistas, de levada folk. A música acaba com um cara consolando uma garota em lágrimas, e a conversa é encerrada com um "love you / love you too, bye". Prosaico, mas tocante.


KRAFTWERK
THE TELEPHONE CALL

Já estabelecidos como pioneiros da eletrônica, o Kraftwerk lançou em 86 o disco Electric Cafe, onde "The Telephone Call" tinha vocais de Karl Bartos e os blips que, assimilado pelos produtores negros dos EUA, criou a síntese electro-funk do techno.



Com uma ênfase pop que Karl Bartos levou para sua carreira solo, a música tem versão em inglês e alemã. A letra "I give you my affection and I give you time / Trying to get a connection o n the telephone line / You're so close but far away / I call you up all night and day" é entrecortada por inserções de efeitos telefônicos, vozes de telefonistas e são uma parte até óbvia do uso que o Kraftwerk faz da iconografia tecnológica e retrô-futurística de suas canções.

O clipe segue de acordo com suas atuações robóticas, inserções de imagens antigas e a participação de seus integrantes com aquela expressão de cera.


THE PENGUIN CAFE ORCHESTRA
TELEPHONE AND RUBBER BAND

Quem gosta de experimentalismo harmônico deveria pesquisar a sonoridade do Penguin Cafe Orchestra, banda de um homem só capitaneada pelo inglês Simon Jeffes, falecido em 1997 de um tumor.

Músico erudito que se rebelou contra a rigidez da música clássica, Jeffes recorreu ao folk e ao minimalismo eletrônico para cançar bonitas canções de algo que poderia ser antoado como 'folk ambient', influência direta da versatilidade revolucionária de John Cage que gerou meia dúzia de álbuns dos anos 70 até os anos 90.



"Telephone and Rubber Band" (telefone e elástico) é sua peça mais famosa e foi usada em diversos filmes e dezenas de propagandas de telefone celular. Com uma infantil e melancólica alegria, a música costura vibrações de elásticos, violinos e tons de telefones, numa sagaz adaptação do aparelho como instrumento musical.


YAZOO
BAD CONNECTION

Você está de partida para sempre, quer se despedir pela última vez da pessoa amada e o telefone não funciona. Tenta ligar o dia todo, mas o repórter da rádio diz que as linhas estão mortas, que é melhor mandar carta. Mas uma carta não vai chegar a tempo!

Esta é a angústia de "Bad Connection", synth-pop simples e adocicado da dupla Yazoo. Parte do histórico Upstairs at Eric's (1982), "Bad Connection" não é uma canção para iniciados, que param no deslumbre dos hits "Dont' Go" e "Only You".

Flash Content
Yazoo - Bad Connection (mp3)

A canção virou o nome de um dos vários fã-sites do Yazoo, e a produção de Vince Clarke aqui é bastante contemporâne à fase "I Just Can't Get Enough", do Depeche Mode. Mas se você for tocar a amargura telefônica de "Bad Connection" numa festinha, é melhor mixar com a "It's Called a Heart" do Depeche, combina mais.



TOMMY TUTONE
867-5309/JENNY

Um número de telefone que virou mito nos Estados Unidos. Este é um dos principais resultados de "867-5309/Jenny", one-hit-wonder de 1982 da banda de soft rock Tommy Tutone, cria de Huey and the Lewis e afins.

A canção gira em torno do xaveco de um roqueiro a Jenny, moça imaginária que deixou seu número 867-5309 numa parede e desperta a imaginação do cara. A repetição constante do número, terminada pela puxadinha "...five three zero nineeeya!", virou um grude inescapável dos anos 80 e uma praga para quem possuía o número país afora.

Flash Content
Tommy Tutone - 867-5309 - Jenny, Jenny (mp3)

Empresas e companhias tiveram que mudar de telefone e um espertinho tentou vender o 867-5309 no eBay há alguns anos, mas foi desbaratinado pelo site que achou a transação ilegal. Segundo o Song Facts da canção, uma universitária de Nashville teve o número ao acaso, e recebia em média cinco trotes por dia. Isso em 1999, 17 anos depois da canção fazer sucesso.


CHROMEO
CALL ME UP

O Chromeo lançou um dos álbuns de electro-pop mais bacanas dos últimos anos, o Fancy Footwork (2007). Entre lamúrias, vocoders e synths arrepiados e funkeados, "Call me Up" é das faixas mais bacanas do disco, bebendo sem dó na fonte 80s brega e safada de cortejar a amada com influências black de soul e funk.

Call me up, em tradução grosseira, significa algo como "me liga aí", e o pedido é repetido em groove e synths, com versos que sempre inserem o telefone neste xaveco musical: "with the phone in my hand / hoping you'll make it ring".

Flash Content
Chromeo - Call Me Up (mp3)

Quando a mocinha entra em cena, toda atrapalhada tentando lembrar o número ("so... is it... / is it 0-1-1, 3-3 / how about this 6, is there like a 6 in there?"), a música está no ápice, toda emaranhada em suingue. Pena que não fizeram clipe.


GANG 90 E AS ABSURDETTES
TELEFONE

Lá em 1983, um pouco antes da febre Blitz e RPM que assolou o país, o synth-pop brasileiro - mais rotulado como "pop rock" - dava seus passos com irreverência, num escapismo hedonista e romântico que era o oposto da ideia que se tinha de "década perdida".

O Gang 90 e as Absurdettes foi uma banda de efêmero sucesso, principalmente por "Perdidos na Selva" e "Louco Amor", que foi tema de abertura de novela da Globo. O grupo tinha a presença inegável de seu frontman, o DJ, cantor e jornalista Júlio Barroso, que divida o palco com as divas May East, Alice Pink Pank e Lonita Renaux. Lobão e Guilherme Arantes, entre outros músicos, têm em seu currículo passagens pelo grupo.

"Telefone" tem synths afinados e letras que soam como cartas de amor: "são 3 horas da manhã você me liga / pra falar coisas que só a gente entende / são 3 horas da manhã voê me chama / e com seu papo poesia me transcende", dosadas com o backing vocal grudento "OH, isso é amooor.."

Detalhe para o clipe, coloridíssimo, aura de videotape e que tem um telefone pegando fogo!



Júlio Barroso morreu de forma trágica em 84, auge da banda, quando caiu da janela de seu apartamento em SP. Não se sabe se foi acidente ou suicídio, e a banda tentou seguir em frente por alguns discos com Taciana Barroso, tecladista do grupo e então esposa de Edgard Scandurra - o Ira! chegou a regravar "Telefone".

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
11 comentários
Flavia B
Flavia B(16.02.11)
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Alo Alo! faltou uma: Green Velvet - Answering Machine
Rodrigo Miravalles
1AprovadoQueima
Belíssima lembrança telefônica, Ney! Excelente música!
Ney Faustini
Ney Faustini(17.06.10)
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Clássico do Lil Louis:

http://www.youtube.com/watch?v=EJuKtNFW-_4
Rodrigo Miravalles
1AprovadoQueima
Hello, I am a special computer answering service...
Telephone Computer, Crazy Gang.
Rotciv
Rotciv(16.06.10)
1AprovadoQueima
são minhas faves . #fetiche