Club "irmão" Matter também fecha as portas durante o verão. E agora?
UPDATE: O suspense quanto ao futuro próximo do mega-club inglês Fabric já terminou. Em um comunicado oficial, o administrador da PricewaterhouseCoopers David Chubb disse ao público que o club foi enfim vendido a um novo grupo de investidores chamado Fabric Life Limited.
O grupo promete se manter fiel ao conceito original do club estabelecido há 10 anos. O staff continua o mesmo, o local continua o mesmo e a direção artística continua a mesma. Resta saber se o modelo de negócios da Fabric se provará vencedor a médio prazo. Enquanto isso, o "club-irmão" Matter continua fechado e informações não-oficiais dão conta de que ele irá a leilão. Vamos acompanhar.
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Há apenas alguns anos atrás, se a hipótese do club inglês sucumbir financeiramente fosse simplesmente levantada soaria como algo praticamente impossível. O
Fabric existe há 10 anos e em seu tempo de vida se tornou um dos clubs mais adorados e reverenciados do mundo, com line-ups recheados de atrações de primeiríssima linha, em quase todos os dias da semana. A casa foi eleita algumas vezes a melhor do mundo por inúmeros veículos especializados. Com a extensão do seu domínio da cena inglesa, Fabric virou também
um selo de sucesso, lançando compilações que eram rapidamente devoradas pela comunidade eletrônica (com
muitas resenhas aqui no rraurl).
Uma cena que se repetiu nos 10 anos de Fabric: filas enormes e muita gente querendo entrar

Mas esse gigante, capaz de receber um público de 1.500 pessoas por noite e com licença para funcionar 24 horas, ficou mais pesado do que as próprias pernas poderiam aguentar. Com uma dívida crescente, o club pediu concordata e agora é administrado por uma entidade externa que tenta descobrir o que fazer com o imóvel. De acordo com o site
Property Week, um portal de notícias voltado a corretores de imóveis comerciais do Reino Unido, a corretora Edward Symmons foi instruída pelos agora administradores legais do club Inglês a procurar um comprador para a propriedade.
A culpa é de quem?Mesmo com nomes adorados pelo público inglês, como Marky, a Matter foi um fracasso.

Muito se especula sobre o processo de desenvolvimento da dívida. Um dos fatores decisivos para o déficit nos cofres da Fabric se deve ao evidente fracasso de público outro superclub londrino, o
Matter. Localizado junto ao
Millennium Dome (muito longe do centro da cidade para grande parte do público), o Matter é um projeto dos idealizadores da Fabric e foi inaugurado em setembro de 2008. Impulsionados pelo sucesso estrondoso da Fabric, a Matter foi desenhada para receber mais de 2.500 pessoas e conta diversas tecnologias inovadoras.
Mas a aceitação do público não foi boa. Para tentar aumentar o interesse, line-ups monstruosos eram montados, sem muito sucesso. Seus donos admitiram que a casa tinha uma dívida de mais de três milhões de libras com diversos credores. Um empréstimo no valor de 3.2 milhões de libras foi concedido pela Fabric ao irmão moribundo Matter. Ainda assim, o empréstimo não foi o suficiente para remediar a situação e no final de maio os donos Keith Reilly e Cameron Leslie decidiram por fechar a casa durante o verão.
Para alguns, talvez a derrocada de Fabric e Matter seja apenas um reflexo da crise econômica que assola a Europa. A crise tem impactado o Reino Unido de forma particularmente intensa. O desemprego na população jovem beira os 25%, e quando um quarto do seu público-alvo perde o poder aquisitivo é evidente que haverá prejuízos.
Mas há quem diga que o buraco é ainda mais embaixo. Com uma estrutura enorme, a Fabric precisa de casa lotada sempre que possível para manter o negócio operante. Cientes dessa necessidade, os agentes dos grandes nomes capazes de movimentar um grande público estão elevando cada vez mais seus cachês, criando uma bola de neve difícil de ser parada. Reféns da situação, os donos de club não vêem outra opção a não ser ceder. Dívida crescendo….
Por fim, a culpa pode ainda cair nos ombros do próprio público, que hoje tem uma quantidade avassaladora de opções e cujo comportamento é bem diferente do que há 10 anos. É comum gostar de techno, minimal, house, dubstep, indie rock, hip hop e sabe-se lá mais o que. Faltam "hard-users" e sobram frequentadores casuais, o que não é bom quando se tem a necessidade de faturar sempre.
What now, mate?Segundo Colin White, o encarregado da venda da Fabric, "em menos de 1 dia em que o imóvel está a disposição, nós já fomos procurados por um grande número de interessados". Apesar do processo de concordata e da iminente venda, a casa continua funcionando até segunda ordem. Não existe nenhum tipo de comunicado oficial que dê conta de explicar qual será o destino da programação do nighclub nem do selo.
O caso da Fabric é uma lição a ser estudada por donos de clubs e agentes de artistas do mundo todo. É estarrecedor como um negócio que parece extremamente sólido possa, em uma análise minuciosa, ter diversos problemas estruturais sérios que impossibilitam sua continuidade. Fica claro que todos os envolvidos no processo (djs, agentes, club owners, promoters, staff, público e mídia) são parte de um delicado sistema que deve ser observado com muita atenção. Qualquer desequilíbrio pode ser fatal.
Grande matéria!!
até mais
Por exemplo, o T Bar acabou de fechar e recebeu a mesma atenção do RA q o ocaso de ambos os clubs mencionados acima. Era um nicho dos entendidos londrinos, tinah sempre convidados legais e uma atmosfera aconchegante, ainda q sendo no bairrinho posh de Shoreditch. O q fizeram? Começaram a cobrar entrada e mudaram para Houndsditch, duas manobras perigosas e q deram no q deram. Mas, por outro lado, o Sankey's Soap, lendário club de Manchester, se reergue em toda a sua glória depois de haver sobrevivido bravamente a uma década de vida noturna dilapidada pela violência de gangues na cidade. Ou seja, cada caso é um caso. E o verdadeiro termômetro da vida noturna britânica não se encontra no Reino Unido, mas sim em Ibiza. E se as coisas forem mal por lá neste ano, aí sim sera motivo para se preocupar.
Tem um dispositivo muito louco, ainda q para alguns seja difícil de usar adequadamante, chamado história recente, e ele nos mostra q os períodos de crise são justamente aqueles em q a cultura alternativa e, principalmente, a vida noturna, vicejam mais. Não quer dizer q seja assim invariavlemente, mas eu realmente entendo pq a indústria pornográfica e de entretenimento faturaram como nunca quando a crise bateu à porta dos abastados norte-americanos.
E quanto á história do mecânico, ela é limitada, ou assim pode ter sido seu entendimento dela. O erro do mecânico foi ter apenas expandido o tamanho da sua operação sem atentar para a qualidade do atendimento. E, ainda q nos esforcemos em nos considerarmos bons na manutenção do bem-estar e da felicidade de nossos frequentadores, seria um exagero comparar um serviço ao outro. Podem ficar tranquilos q o D-Edge ampliado sera um D-Edge melhorado. Não um megaclub, mas uma versão prismática, multidimensional, do q ele é hj. O mesmo club excelente, intimista e cosmopolita q é e, apostem, será sempre.