Para quem não tem familiaridade com o trabalho de
Laurie Anderson, é muito pouco dizer que ela é uma artista experimental. Seu trabalho calcado na força das palavras e em performances multimídia que misturam a pose do rock com a graça e expressividade da dança contemporânea e a aspereza de sintetizadores e máquinas sonoras com a qualidade aveludada de instrumentos clássicos transcende categorizações simplistas desde o início dos anos 80. Laurie já lançou 7 LPs, colaborou com gente como
Brian Eno,
Peter Gabriel e
Lou Reed (com quem é casada) e se tornou uma das artistas performáticas mais requisitadas do mundo, com apresentações recorrentes nos maiores festivais do gênero.
Já quem conhece o currículo de Laurie e já ficou estarrecido com a atemporalidade de músicas como "O Superman" e "Excelent Birds" deve ficar ainda mais animado com a notícia de um novo álbum de estúdio da americana.
Homeland transpõe para um ambiente controlado a performance homônima (que já passou pelo Brasil em 2008). O disco será lançado no dia 15 de junho pelo excelente selo
Nonesuch, e contará com participações bem especiais. O inglês Kieran Hebden (mais conhecido pelo seu
alias Four Tet) gravou teclados para o álbum. Antony Hegarty, que ganhou notoriedade nos últimos anos ao emprestar seu timbre de voz único ao projeto
Hercules & Love Affair, canta no disco. O técnico baterista Omar Hakim e o saxofonista John Zorn também colaboram na paisagem sonora de
Homeland. Além, é claro, da presença do maridão Lou Reed ajudando na produção do disco.
Fique atento pois Laurie está preparando uma retrospectiva de seu trabalho que estreiará em São Paulo em agosto deste ano

Homeland promete ser o trabalho mais bem acabado de Laurie musicalmente. No álbum, ela toca violino, instrumentos de percussão e teclados, além de cantar e versar como lhe é de costume. Voltam neste disco também os temas "americanizados" que já pautaram grande parte do trabalho de Anderson. Críticas mordazes ao
american way of live e que aproximam seu trabalho de outros grandes artistas como Robert Rauschenberg, Jasper Johns e até mesmo Andy Warhol. Vale à pena ou não ficar esperando
Homeland?