DJ Lukas
Sócio de clube e DJ de mão-cheia
26.02.04 01:45
Sua carreira começou em 2000. Quando percebeu que queria largar tudo e seguir na profissão? Como foi esse começo?
Na verdade minha carreira começou em 2000. Antes disso eu nunca havia tido contato com discos ou equipamento para DJs. Desde o primeiro instante em que coloquei as mãos nos decks, e isso foi em fevereiro de 2000 na casa do meu amigo DJ Mirr, eu decidi que ia ao menos tentar fazer da discotecagem a minha profissão.
O início foi muito difícil. Eu tinha pouco acesso ao equipamento necessário e muito pouco dinheiro para comprar tudo o que é preciso. Comecei devagar e fui comprando o que precisava conforme conseguia.
Hoje tenho um equipamento razoável e um bom número de discos em casa!
Foi nessa época que surgiu o grupo Fuzu-e?
Sim... O Fuzu-e nasceu junto com o meu interesse em começar a tocar. Antes de tocar eu já me interessava muito por eventos, costumava sempre ajudar nas festas que aconteciam em Campinas. Em 2000 eu e meus amigos Mirr e Guilherme resolvemos trabalhar com eventos e fundamos o grupo, que hoje é uma empresa.
Como foi o processo de idealização da Kraft, em Campinas? Quem mantém o clube junto com você?
Nós tivemos um pequeno clube bem underground, chamado Play, em 2001. Este clube fechou, pois o imóvel que locavamos foi vendido e demolido para virar um estacionamento.
O Play fechou quando estava em seu melhor momento, com noites bem cheias e animadas. Foi um fim meio trágico e desde então nós nunca paramos de tentar achar um local para abrir um novo clube.
Nessa nova etapa quem encarou todo o trabalho e dedicação que um clube exige junto comigo foram meus sócios Thiago, Marcel e Rodolfo. Sem dúvida, cada um tem um papel indispensável na manutenção do clube!
Na sua opinião, por que a cena hard techno é tão forte no interior (Campinas, Piracicaba etc.)?
Acho que isso é uma conseqüência de um trabalho de difusão do estilo que está sendo feito há muito tempo por aqui. Com muita persistência e principalmente competência, o estilo conquistou seu espaço, que ainda é pequeno perto da potencialidade que existe.
Você é daqueles que respira só música eletrônica? O que anda ouvindo ultimamente?
No Kraft, além de música eletrônica, constantemente rola soul, funky, samba-rock, hip-hop e rock. Isso é o que mais escuto ultimamente, pois estou quase sempre no clube.
Vê diferenças entre tocar nos "inferninhos" e nas grandes festas abertas? Qual público é mais seletivo?
Vejo diferença sim, mas vejo diferença em toda apresentação que faço. Sempre que toco me surpreendo com algo, da mesma maneira que tento surpreender o público. Em grandes festas costumo tocar mais pesado, mas isso não é uma regra. Acho que em locais menores o público é mais seletivo, a carga musical acaba pesando um pouco mais, são menos pessoas para segurar o tranco.
Pode-se dizer que seu sobrenome é Lenheiro :) Quais argumentos usaria para contrariar alguém que diz que techno pesado não tem conceito ou "feeling"?
Difícil argumentar com alguém que tem a coragem de fazer um julgamento desses. Obviamente quem diz isso tem muito pouca compreensão sobre o estilo. De qualquer forma, eu diria para essas pessoas tentarem sentir a música antes de julga-la. Dê uma chance a música, você pode acabar se surpreendendo!
Você já tocou ao lado de grandes nomes, como Rush, Dave the DRUMMER, Ben Long e tantos outros. Com quem ainda sonha em tocar?
Muita gente! Realizei o sonho de tocar ao lado de grandes ídolos, mas existem vários excelentes artistas com quem quero ter a oportunidade de tocar ao lado. Não quero começar a citar nomes, a lista seria muito grande...
Falando em Rush, primeiro foi o PET Duo, agora também chegou sua vez: o DJ disse que pretende levá-lo em turnê pela Europa em dezembro para divulgar seu trabalho, assim como fez com Ana e David, Paul Langley e Marcus Remus. Vindo de quem veio, o convite é irrecusável. Qual foi a sua reação? Vai mesmo se lançar internacionalmente?
Minha primeira reação foi ficar em silêncio por alguns minutos, apenas pensando no que eu havia escutado. Até agora custo a acreditar que isso vai acontecer, mas estou disposto a trabalhar muito para que se concretize. Acho que me lançar internacionalmente será um passo importante na minha carreira.
Está produzindo, ou pretende começar a produzir? O que esperar do Lukas daqui para frente?
Eu estou começando a fazer minhas primeiras experiências com produção musical. Num futuro muito próximo pretendo me dedicar cada vez mais a escrever minhas próprias músicas.
Acho que o que vocês podem esperar de mim é muita dedicação e amor no trabalho que realizo. Espero continuar com meus projetos e melhorar cada vez mais.
Silvia PiccoloA Silvia escreveu pro rraurl falando que gostava de escrever e está conosco desde o começo de 2003!