Músico britânico lança a trilogia "One" este ano com os temas homem, club e porco, que não agradou ao PETA
11.03.10 10:10
Que ótima notícia para 2010! O genial Matthew Herbert está de volta, ele que já fez um álbum sobre comida, é o maior colecionador de alcunhas no Discogs, já teve uma Big Band, é dono de selo e também um dos mais inventivos músicos da eletrônica atual.
O inglês lançará a trilogia "One" por todo o ano de 2010, soltando três álbuns temáticos. O primeiro sai dia 12/abr por seu selo Accidental e é o "ONE ONE",
ONE ONE 01. Manchester 02. Milan 03. Leipzig 04. Singapore 05. Dublin 06. Palm Springs 07. Porto 08. Tonbridge 09. Berlin 10. Valencia
em que o desafio é criar um álbum completo feito inteiramente por ele, sem banda. A proposta o obrigou a aprender novos instrumentos e, maior novidade, a cantar. "Foi a parte mais difícil", falou ao RA sobre soltar a voz. "Não tinha ninguém para dizer se eu estava horrível. Por vezes eu precisei vestir um terno preto e virar meia garrafa de vinho para superar os nervos", conta.
O resultado é mais que satisfatório. A voz de Herbert é sutilmente posta, e se não surpreende, ao menos não desafia. Em "Leipzig", primeira faixa de "ONE ONE" e que já tem até clipe, ele mostra um bom jogo de backing vocals próprios e uma malemolência sensual, compenetrada. Promessa de um baita disco, em que todas as faixas terão nomes de cidades. Assiste aí.
Matthew Herbert - Leipzig
Previsto para o verão europeu, ONE CLUB dá sequência à trilogia em um álbum que retrata o hedonismo da vida clubber em faixas gravadas inteiramente em uma única noite no clube alemão Robert Johnson, de Frankfurt, gravadas em setembro de 2009. Barulhos de pista cheia, sons de pessoas divertidos e outros ruídos captados no clube serão a base para a criação do disco, nesta metalinguagem da dance music.
PETA NÃO GOSTOU DA HISTÓRIA DO PORCO O desfecho da trilogia é sua parte mais curiosa. ONE PIG será feito "integralmente de sons feitos no ciclo de vida de um porco", explica Herbert. Do nascimento ao açougue, sons serão captados e transformados em música. "Haverá um banquete, sapatos com o couro e também um tambor feito com sua pele, até uma caneta com seu sangue. Tudo será gravado."
Mas a idéia não agradou à PETA, famosa organização que repudia violência contra os animais. "Ninguém com talento de verdade ou criatividade machuca animais para atrair atenção. Porcos são inquisitivos, altamente inteligentes, animais sensíveis que se assustam quando enviados ao abate, onde eles gritam e se defendem para escapar da faca. Eles devem ser muito mais respeitados que Matthew Herbert ou qualquer um que pensa que crueldade é entretenimento", diz a nota da ONG, sem meias palavras.
O músico se defendeu longamente no blog criado para acompanhar o projeto do porco, dizendo-se "perplexo". Herbert afirma que sua iniciativa não alterou o inevitável: o porcou nasceu para ser abatido e virar carne. Ele explica como a fazenda em que trabalhava cuidava bem dos animais, deixava eles viverem por mais tempo e como eram bem alimentados, mas que "eles foram criados pelo fazendeiro, não por mim, e não havia nada que eu podia fazer."
A defesa parte para o ataque, ao criticar a indústria alimentícia do Reino Unido. "Eu, na verdade, não tenho o direito de ver como minha comida é caçada, morta e preparada, já que não me deixaram gravar a morte do porco. Acho que esse é o verdadeiro ultraje", explica, para depois adquirir tom conciliatório, compreendendo a necessidade do PETA em se posicionar fortemente e também ponderando sobre sua alimentação carnívora. "Eu como carne. Quanto mais velho fico, menos orgulhoso me sinto disso. No entanto, já que como carne, acho que tenho a responsabilidade de entender o que essa decisão implica.
Enquanto muita gente finge que está andando pra frente, Matthew finge que anda pra trás; E enquanto muita gente fica olhando pra trás, Matthew está olhando pra frente.
Tá! Eu tbm não curto violência contra animais, sou vegetariano, mas o o que a porra da PETA tem a ver com o processo criativo de um artista? Apesar de soar contraditório e incoerente, eu estou com o Hebert e não abro.
Enquanto muita gente finge que está andando pra frente, Matthew finge que anda pra trás;
E enquanto muita gente fica olhando pra trás, Matthew está olhando pra frente.