[RMC 2010] DIA 2
Auditório lotado para ouvir os DJs falando
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[RMC 2010] DIA 2
Debates e troca de contatos foram o forte da edição
12.02.10 17:50
O final da primeira parte da RMC 2010 deixa considerações sobre o evento. A primeira é que todo mundo com quem falamos estava satisfeito com essa edição e, melhor ainda, já na expectativa da próxima. Apesar de não haver ainda números divulgados pela organização, era visível que o evento atraiu um público maior do que em sua estréia, em 2009.

No estande da 3Plus, por exemplo, o manager Paulo Silveira comemorava o fato de ter fechado datas de artistas da agência com novos clubs e festas em todo o país. Também vindo de São Paulo, o DJ Bunnys, com um caprichado estande da sua escola de discotacagem e fornecedora de equipamentos DJ Ban, repartia da animação: "Muitos dos meus principais clientes são do Rio de Janeiro, e a oportunidade de interagir com eles ao vivo alavancou negócios e parcerias. Como marca, é um ganho enorme".

O calor carioca novamente não deu trégua. Com termômetros marcando 41º no Rio de Janeiro, a Marina da Gloria até oferecia um vento vindo do mar que refrescava um pouco. Mas some o calor aos atrasos que o evento sofreu e você tem um resultado no mínimo cansativo. Talvez por isso a parte de debates tenha sofrido um pouco no dia: a sala pouco cheia e a participação tímida do público, somada ao alto volume vindo de estandes menos respeitosos com seus vizinhos, atrapalhou inclusive o andamento dos debates e palestras em alguns momentos.

O negócio é o networking

Além de grande celebração da cena eletrônica nacional e da discussão de temas como novas mídias e futuro da discotecagem, o RMC tem o intuito de se tornar o local onde as grandes negociações desse mercado sejam concretizadas. A segunda edição do evento viu a quantidade de expositores crescer 200% em relação à estréia em 2009 (segundo dados da produção do evento) e o aumento do fluxo de pessoas na estrutura montada na Marina da Gloria foi um grande negócio para a maioria dos expositores no RMC.

Fabiano Zorzan
Fabiano Zorzan
Para Iuri Girardi, diretor de marketing da Privilége, o RMC é antes de tudo uma excelente oportunidade para consolidar o conceito glamuroso da sua marca. O grupo Privilége também edita uma revista homônima e alguns negócios relativos a ela foram concretizados durante a feira.
Fabiano Zorzan e Leo Leite, da Transmit Music e que estavam divulgando um novo estúdio de masterização no evento, acreditam que a quantidade de pessoas novas com as quais você tem contato durante o evento é mais importante do que fechar muitos negócios. Por se tratar de uma novidade, a dupla foi ao RMC com o intuito de divulgar o novo estúdio e estavam muito felizes com a quantidade de prospects interessados. "O importante é abraçar o Rio de Janeiro, desde o promoter underground aos clubs consolidados, fazer com que todos se sintam parte da mesma cena", disse Roberto Pedroza, da agência de DJs carioca Request. Para ele, ter um estande no evento é muito mais uma sinalização de apoio à cena e oportunidade de exposição da marca do que a simples possibilidade de assinar alguns contratos.

Renato Ratier no estande do D-Edge/Pioneer
Renato Ratier no estande do D-Edge/Pioneer
Satisfeito também estava Renato Ratier, do D-Edge, que circulava dando notícias e novidades do club a quem quisesse ouvir - seu estande junto com a Pioneer parecia uma pista de dança e teve demonstrações de equipamentos. Animado, Ratier indicava um sentimento comum aos participantes: de que o estabelecimento de uma conferência anual como o RMC beneficia diretamente todos os envolvidos com o mercado de música eletrônica do país - sejam agência de DJs, lojas de equipamentos, selos ou veículos. Monique Dardenne, gerente da agência Carambola, pensa da mesma forma. "Se estamos profissionalizando o negócio, temos que participar". Monique acredita que o investimento no RMC terá um retorno a médio prazo, tendo em vista o grande número de pessoas novas com quem pôde conversar, além do estreitamento de laços com clientes distantes.

No estande da Tropical Beats o clima era de entusiasmo. Para Marian Flow, uma das fundadoras do selo, o retorno de sua segunda participação no RMC é indireto, porém inegável. Além da possibilidade de estender sua rede de contatos, Marian acredita que estar no evento e representar uma porção do negócio é emblemático para as empresas presentes. Além disso, um evento desse tipo é importante para que o público em geral se conscientize da importância econômica desse mercado e ao mesmo tempo se divirta em um ambiente descontraído. Quando perguntada se vale a pena investir no RMC, Marian responde sem pestanejar: "Vale sim".

É muito interessante a consciência dos expositores de que estão fomentando o crescimento de um evento que beneficiará a todos. Todavia, o RMC ainda não realizou seu potencial de negócios. Alguns problemas de organização inviabilizavam conversas mais focadas, enquanto alguns estandes não tinham nenhuma vocação comercial. Mas a simples possibilidade de reunir pessoas do país inteiro era o que muitos deles esperavam.

Mau Lopes, Gui Borato e Gabriel Gaiarsa
Mau Lopes, Gui Borato e Gabriel Gaiarsa
O "momento DJ"

O painel formado pelo veterano Maurício Lopes, pelo super produtor Gui Boratto, pelo representante da Clash Club Gabriel Gaiarsa, pelos jovens produtores cariocas do Felguk e pelo mediador Camilo Rocha (o DJ Magal também faria parte da discussão mas não pode participar por um problema com seu vôo de São Paulo), tinha intenção de avaliar em que pé se encontra o ofício do DJ. Além das conclusões mais óbvias, como o fato de que as novas tecnologias serão o próximo paradigma e devem ser abraçadas sem restrições e que o acesso a música é muito mais democrático hoje do que era há 20 anos atrás, fica claro que o maior desafio das próximas gerações de DJs é conseguir se diferenciar.

Outra questão levantada pelos jovens cariocas do Felguk é que o carisma de quem está na cabine as vezes é tão ou mais importante que a técnica ou o repertório (os cariocas usaram como exemplo os carismáticos Armin Van Buuren, Tiësto e David Guetta). Com um cenário de expansão da música eletrônica, teremos mais "paraquedistas" e menos experts no meio do público. E o DJ que sabe cativar esse público casual da melhor forma pode se destacar. Isso significaria que o tempo dos DJs super técnicos estaria no fim? Dificilmente. Ainda existe mercado para eles. Mas como bem apontou Gabriel Gaiarsa: "Uma mixagem perfeita entre duas músicas ruins não faz ninguém dançar".

Quando o assunto foi a regulamentação da profissão do DJ, houve um certo consenso de que a forma proposta para tal não é adequada para a realidade brasileira. Enquanto alguns DJs profissionais teriam garantia de alguns direitos básicos, outros tantos seriam excluídos da cena. Ainda há muito a se discutir.

Workshop de masterização e mixagem

Os workshops foram tão técnicos quanto no ano passado. Fomos apresentados ao instrutor, Johnny Miller, da escola de produção e discotecagem Point Blank. Sem mais delongas, Jonny partiu para as primeiras noções: a dificuldade de mixar e masterizar em um pequeno soundsystem e com som do lado de fora (era essa a realidade ali, já que a final do DMC Brasil estava rolando do lado de fora); headphones não servem para comportarem todo o master; a necessidade demonitores de estúdio. Também pontuou a importância de uma mixagem bem feita para que a masterização fique perfeita, algo comentado por Gui Boratto em seu workshop no ano anterior. Daí em diante, apontou as diferenças de utilização entre o Logic e o Ableton Live: de acordo com Miller, o primeiro serve para a gravação de instrumentos e sua utilização enquanto o segundo é mais voltado para a pista de dança.

workshop


Nem tudo são flores: duas sugestões para próximas edições

A principal é baseada nas reclamações dos expositores: não deixar estande de DJ com apresentações bombadas de discotecagem no meio do pavilhão. Até porque já existe uma área para apresentações de DJs no RMC, que fica bem na entrada, ao lado dos bares, é espaçoso e o som é alto. E também porque a falta de respeito imperou, com uma verdadeira batalha sonora que prejudicava os estandes vizinhos e atrapalhou as palestras e debates em diversos momentos. A conferência é não uma competição de discotecagem, é uma oportunidade para pessoas conversarem e para todo mundo mostrar seu produto, marca e trabalho - e a insistência em alguns em exibir volume das caixas de som abafou, literalmente, o trabalho de outros.

A segunda é do público: não pode haver atrasos de horas nem troca de horários de palestras como ocorreu ontem. Uma logística mais criteriosa, que saiba lidar com questões de adiantamentos de horários de vôo, agendamento de reservas e o complicado trânsito pré-Carnaval carioca, é imperativa para que o a conferência cresça também em seriedade.

lounge


Carnaval carioca terá festas no Cais do Porto

Como em 2009, a RMC 2010 traz uma série de cinco grandes festas no Cais do Porto, em pleno Carnaval carioca. Veja abaixo a programação. Todas as informações sobre ingressos estão no site do evento.

12/02, 6ª feira
Tocadisco, Life is a Loop, Felguk, Paula Pedroza & Mary Olivetti
Welcome Area: Giovannetti

13/02, sábado
Erick Morillo, Sany Pitbull & MPC Orquestra , We Love Brasil DJs (Ferris, Rodrigo Vieira e Marcos Carnaval)
Welcome Area: Rafael Nazareth

14/02, domingo
Luciano, Loco Dice, Maurício Lopes, Renato Ratier
Welcome Area: Renato Weiss

15/02, 2ª feira
Sharam (Deep Dish), Steve Angello, Leo Janeiro, Marcelo CIC
Welcome Area João Paulo

16/02, 3ª feira
Armin Van Buuren,Flow & Zeo, Blake Jarrell
Welcome Area: Bernardo Campos vs Pedro Mezonatto


fotos nessa página: Gaía Passarelli, Thiago Freitas e Dudu Llerena

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
Catarina Liarth
Catarina Liarth
comentários
8 comentários
Felipe
Felipe(18.02.10)
1AprovadoQueima
Parabéns pelo evento, mas achei um absurdo consumir um valor mínimo de R$ 100 para uso do cartão de crédito! E pagar o ingresso só com dinheiro também não foi legal, concordam?
Resultado: Devendo a alma pro banco!
Motor
Motor (18.02.10)
1AprovadoQueima
O negócio é o networking! [2]
...E que bacana essa cobertura, Rraurl!
fueloop
fueloop(18.02.10)
1AprovadoQueima
..tud mesmo essa cobertura, com este evento a cena do Brasil só tem a se fortaceler!

ps: só espero que não vire mais um evento de glamour, já que na pratica a sampa ainda sai na frente!
Groover
Groover(17.02.10)
1AprovadoQueima
Primeiramente agradecer pela cobertura do evento...
e realmente no Brasil está faltando eventos desse porte, infelizmente aqui em Brasília não temos investidores e/ou pessoas que acreditam.

Como uma das músicas brasileirissima que o Dj Luciano tocou... "Vem, vamos embora.. Que esperar não é saber... Quem sabe faz a hora...Não espera acontecer..."
Ele não esperou e fez acontecer...

valeu rraurl.
Hardy
Hardy(16.02.10)
2AprovadoQueima
Ai vai a dica "SPMC 2011"