O calor era grande e a expectativa também. Aos poucos e entre problemas pontuais como uma inesperada falta de luz, o público, formado principalmente por entusiastas da eletrônica carioca, chegava à Marina da Glória onde pelo segundo ano consecutivo está montada a estrutura do Rio Music Conference.

Antes de ter início o círculo de palestras e workshops programados para o dia, o jovial secretário de turismo da cidade do Rio de Janeiro Antonio Pedro falou sobre a importância do evento para o calendário turístico da cidade maravilhosa. Para o secretário, uma conferência que busca se tornar pólo de negócios ligados à música eletrônica em âmbito internacional ajudaria a mudar um pouco a imagem que se tem da e-music no estado (vide as constantes incurssões políticas contra raves e afins). E essa mudança de atitude se caracteriza pelo apoio que o próprio governo do estado deu ao Rio Music Conference. De fato, um evento deste tipo se consolidando pode ser mais um atrativo para que o Rio de Janeiro seja o destino mais concorrido no início do ano no mundo todo.
O estande da 3Plus

VAMOS BEM, OBRIGADOA primeira palestra do Rio Music Conference tentou mostrar um panorama da indústria do entretenimento no país. Grandes players da cadeia produtiva, como Luiz Eurico Klotz (diretor e fundador da
3Plus), Roberto Verta (diretor da
Time for Fun) e Octavio Fagundes (do grupo
Privilége), foram unânimes em dizer que a crise mundial de 2009 não afetou de forma significativa seus negócios. Porém, a grande ressalva é que a partir de agora se configura um possível cenário de crescimento e nesse novo cenário, quem não se profissionalizar e investir em capacitação e diferenciação não vai conseguir pegar essa onda positiva. Em contrapartida ao moderado ufanismo da mesa, Ryan Keeling (do site
Resident Advisor e que representava a mídia de entretenimento eletrônico) debateu que antes de colocar ênfase na maré de otimismo econômico do Brasil, o sucesso de iniciativas ligadas ao entretenimento e mais especificamente no mundo da música eletrônica depende muito de iniciativas governamentais localizadas que incentivem novos negócios. Keeling citou como exemplo Berlim, que se tornou capital cultural ao flexibilizar completamente as leis de funcionamento de casas noturnas e manteve seu ritmo durante a crise.
Gustavo Tata no estande da AMG

O BEABÁ DA DIVULGAÇÃO, DOS DIREITOS AUTORAIS E DAS NOVAS MIDIASRodrigo Lariú é produtor de eventos e dono do selo
Midsummer Madness e trouxe uma cartilha básica para divulgar projetos musicais, com a experiência de quem analisa muito material de bandas novas todos os dias. Apesar de ter um background na cena independente rock, as dicas de Lariú de como formular um
press release relevante, sobre cuidado com o material de divulgação, como fazer uma demo perfeita, registro de composições e divulgação sem chateação servem muito bem para qualquer tipo de banda ou projeto. Uma das melhores apresentações do dia, o painel do advogado Dirceu Santa Rosa, abriu questões sobre a legislação atual de direitos autorais. Logo após, representantes do
Beatport, da empresa de tecnologia LabOne (responsável pelo Sonora do Terra), da Consolidate Independent britânica e do grupo BM&A discutiram as novas formas de divulgação digital e móvel de música, além de responder às questões do público sobre como estar dentro do intrincado processo de lançamentos dos novos selos independentes. A noite encerrou com uma série de perguntas e respostas do público para o DJ e produtor Luciano, da Cadenza, que está no país para uma série de gigs.
Entre um atraso e outro, o público pode se entreter com DJs em alguns dos stands: o quiosque principal do Rio Music abrigou uma etapa do
DMC, campeonato mundial de DJs que mantém a arte do
Turntablism viva. Nos dois corredores principais da RMC, chamava a atenção o fato de grandes players do universo eletrônico nacional marcarem presença com estandes. O D-Edge, por exemplo, montou uma quase simulação da sua pista em parceria com a Pioneer. A escola de discotecagem DJ Lab, bem de frente, também tinha DJs, assim como a DJ Ban, vinda de São Paulo. Bagunça mesmo estava no estande do selo AMG, que tem uma rádio online com entrevistas e apresentação de artistas como o carioca Gustavo Tatá.
Marcelo CIC no estande da Pioneer/D-Edge

PRODUÇÃO MUSICAL: THE ENGLISH WAYO workshop de produção musical by Point Blank (uma das maiores escolas de tecnologia musical do mundo) teve foco no software favorito de muitos novos produtores. Criando um groove minimal do zero, Jonny Miller introduziu diversas funções do Ableton Live de forma simplista: randomização midi, uso de warp markers de forma criativa, gravações caseiras e equalizações, entre outras coisas. Tudo bem simples e bem básico. Um prato cheio para quem está começando, mas quem já está mais adiantado no processo de produzir seu próprio material pode ter ficado com fome.
Confira alguns destaques do que estará em pauta no segundo dia do RMC
17h30 - Workshop de Scratching com DJ Cia, um dos maiores DJs de Hip Hop do país e que já trabalhou com Public Enemy e De La Soul.
18h - O Momento DJ: Gabriel Gaiarsa, da Clash Club, o "professor" Magal, o DJ Mauricio Lopes, os produtores cariocas do Felguk e Gui Boratto discutem o momento da profissão
19h15 - Leis de Incentivo: Os produtoresTadeus Mucelli e Alexei Michailowsky e Mariana Várzea, da secretaria de cultura do Rio, discutem financiamento de projetos
20h - Música Independente: Rodrigo Lariú, Rafael Rossato, Pablo Miyazawa e Thiago Ney falam sobre o mercado independente. Mediação da nossa "very own" Gaía Passarelli.
22h - Trilhas Sonoras: Fabiano Zorzan, Arthur Minassian, Daniel Garcia e Dudu Marote falam sobre o assunto, com mediação de Camilo Rocha.
x2.
Prato cheio tipo daqueles PFs!!
Ainda não foi dessa vez que eu fui à RMC...
:(
OBS.: As imagens estão encobrindo parte do texto.