Cultura em ascendência no Brasil, o design de pôsteres e flyers tem recebido grande valorização não só do mercado, mas também do público. Com várias bandas, casas e mesmo sites na internet dando mais ênfase no trabalho dos artistas e dos estúdios, a qualidade de alguns se sobressai. Garimpando por aí, o rraurl encontrou seis designers que estão despontando no mercado e bateu um papo honesto sobre o trabalho, que tem (belos) exemplos para você ver
aqui. Com certeza, você já deve ter visto alguns desses por aí.
Rodrigo Sommerhttp://rodrigosommer.wordpress.com/Aos 36 anos, Rodrigo trabalha como freelancer há 13. Morador da Granja Viana, perto de São Paulo, o designer tem alguns dos trabalhos mais inspirados que há por aí. Além de pôsteres de shows, ele também cria cartazes de peças de teatro e outros eventos culturais.
"Pra mim, o essencial é ser criativo. Pode ser nas idéias, no processo, na linguagem gráfica, e melhor ainda se for tudo isso junto. Eu gosto quando o pôster não entrega tudo na hora, convidando o público a criar seus próprios significados", conta.
"Por isso trabalho bastante com imagens abstratas e tipográficas. Também utilizo processos manuais que deixam vestígios e ruídos, assim me aproximo graficamente da música ao vivo", explica Rodrigo, que também valoriza a impressão em serigrafia.
Silviswww.flickr.com/photos/silvix Aos 31 anos, Silvia Rodrigues, mais conhecida como Silvis, é outro dos maiores nomes da cena. A baiana mora em Salvador, onde trabalha como designer e ilustradora. Apesar de ter começado há pouco tempo - seu primeiro pôster foi em 2002 para a banda Brincando de Deus - Silvis já fez pôsteres pra gente como Holger, Thiago Petit, Ronei Jorge e Do Amor.
Com ilustrações coloridas e lúdicas, os pôsteres de Silvis chamam atenção logo de cara, mas ela nem se abala explicando. "Acho que o pôster tem que chamar atenção para o show, pras bandas". Então, tá, Silvis. A gente concorda.
Bicicleta Sem Freiowww.flickr.com/photos/bicicletasemfreioTendo como maior referência o universo do rock'n'roll, a música, o comportamento, os elementos visuais e "muito fetiche e lindas mulheres", o estúdio goiano Bicicleta Sem Freio se tornou um dos mais conceituados no meio.
E a relação do Bicicleta com a música é tão próxima que, dois dos três designers do coletivo integram também a banda Black Drawing Chalks: Douglas de Castro e Victor Rocha. O terceiro é Renato Reno. Todos na faixa dos 24 anos. Feitos à mão, tendo o lápis, a caneta nanquim e a mesa de luz como grandes companheiros do processo de criação, os desenhos são o elemento central dos pôsteres do Bicicleta - o 'crème de la crème.
Dani Hassewww.flickr.com/photos/pet_soundsApesar de morar em São Paulo, Dani nasceu no Rio há exatos 30 anos. Seu contato com o design vem da estamparia de moda. Mas, de todas as coisas que faz (estampas, convites, papel de paredes, fronhas) pôsteres são as que mais gosta, entrega a moça. Dani começou a fazer pôsteres para as produtoras independentes Alavanca e Tronco. Mas, nos últimos meses, o maior site gringo de pôsteres de shows, o
Gigposters, deu destaque para seus trabalhos.
"Cada arte é completamente diferente da outra. Dentro disso, eu procuro adaptar o traço, os temas, as escolhas visuais para o que é cada banda", conta ela, que no momento também está desenvolvendo uma linha super legal de camisetas de bandas indies para a marca Elefante.
Caio Gomezwww.flickr.com/photos/12588052@N06"Tenho 25 anos, moro de aluguel numa kitnet em Brasília, sou desenhista em um jornal local (o que me sustenta), mas produzir quadrinhos, pôsteres e pornografia com animais selvagens é o que me faz um homem completo" - é assim que Caio se define, e pra você entender um pouco a criatividade da cabeça do cara, preferi deixar assim. Foi na adolescência que uma bandinha de amigos de Caio pediu para ele fazer um cartaz.
"Gostei de fazer aquilo, desenhar letras junto com uma imagem. Mais tarde descobri os pôsteres do anos 60: Wes Wilson, Moscoso, Rick Griffin, o pessoal da pesada", conta. "Gosto de fazer pôsteres onde a informação ocupe todo o espaço que a ilustração não ocupa, bem saturado, coisa que o pessoal dos anos 60 fazia muito bem", explica.
Oga Mendonçatwitter.com/ogamendoncaOga faz pôsteres "desde moleque". Hoje, tem 30 anos e mora na Pompéia, bairro de São Paulo. Além de designer e ilustrador, é diretor de arte da revista "Autoesporte" e, nas horas vagas, MC e beatmaker do grupo de rap alternativo Projeto Manada. No começo, Oga conta que seus desenhos eram "meio ‘
naïf'". "Eu criava famílias de fontes na mão, coisa que hoje em dia está muito em voga", se orgulha ele, que já trabalhou com Elifas Andreato, um dos capistas brasileiros mais importantes dos anos 70/80.
Pra ele, pôster tem sim que ser atrativo visualmente, mas não pode esquecer que a função dele é comunicar. "Odeio fazer o papel de tiozão chato do design, mas me enche ver pôsteres que são como modelos bonitinhas e burras", ironiza Oga.

Posterize
Criado por Ricardo Seola, 28, brasileiro que mora em Milão, o Posterize é hoje o maior site brasileiro sobre pôsteres de shows.
Segundo Ricardo, a troca de informações entre os designers é um dos principais motivos pra esse movimento ter crescido tanto ultimamente: "No exterior, a cultura da memorabília e o profissionalismo em relação a música são infinitamente maiores, assim como a estrutura pra que isso aconteça. Com a internet ficou mais fácil perceber isso e os bons exemplos ficaram mais acessíveis", explica Ricardo.
"Além disso, com a extinção do disco como suporte físico, os fãs procuram outras formas de ter um material real, como camisetas, pôsteres e afins", conta. "O momento é excelente para os designers. O movimento underground já se misturou ao pop e os coletivos independentes estão trabalhando com um profissionalismo incrível. A hora é de 'mãos a obra', está tudo disponível e há muito por fazer", comemora Ricardo.
Embora desenhar pôsteres pareça muito divertido, a falta de grana é unanimidade entre os entrevistados. Sem incentivo financeiro, os designers acabam procurando outras motivações. "Às vezes não é o dinheiro que paga", diz Dani Hasse. "Rola uma brodagem", conta Silvis. "Eu trabalho para os amigos e porque gosto, tem um público interessante e uma liberdade maior pra trabalhar", diz Rodrigo Sommer.
Se por um lado os designers afirmam que não dá só pra viver de fazer pôsteres, por outro, todos concordam que a cultura é crescente no Brasil: "Agora está bem mais fácil de as pessoas conhecerem seu trabalho e consequentemente ser valorizado por ele, e isso graças à internet e ao Flickr, porque é um portfolio aberto a todos. Aparece muita gente interessada", opina Caio Gomez.
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.160989723939846.29179.156823997689752
vale a pena conferir