Renato Cohen e a disco music
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Renato Cohen e a disco music
Excelência do techno nacional, Cohen revela seu amor pela disco em festa mensal no clube Hot Hot, em São Paulo
15.01.10 13:30
Que Renato Cohen é excelência indiscutível no techno brasileiro você já sabe. Mas que ele tem colocado agulhas para sambar em raros vinis de disco music, essa é novidade. Sim, o produtor e também DJ de ótima técnica caiu de amores pela referência essencial que é a disco.

Esta empreitada musical tem tomado palco desde o fim do ano passado no projeto mensal Comiskey Park, aos ábados no Hot Hot. Com a ironia do nome da festa ironizando o estádio onde houve o protesto "Disco Demolition Night", Cohen revela todo um mundo novo de mixagens e faixas em que a disco music é inserida cirurgicamente num rebolado 4x4 que passeia ainda pelo techno e pela house music, é claro.

Não é de espantar esta transição do músico paulistano. Em seu recente álbum de estreia, Sixteen Billion Drum Kicks, ele bailou até pelo rebolado do samba, e quem segue seus sets sabe que o sabor pop sempre esteve presente - "Fly Life", do Basement Jaxx, é uma dessas que pessoalmente lembro de ouvir o DJ tocar mais de uma vez em anos.

No CASE abaixo ele fala das implicações desse revival, na verdade um vislumbre da grandiosidade essencial que é a disco. Afinal de contas é dali que surgiram inúmeros samples para o techno, como ele mesmo explica. É imprescindível que você leia o texto ouvindo o Soundcloud abaixo, que é o set da festa Comiskey Park de novembro. Coisa fina.


Renato Cohen @ Comiskey Park - Hot Hot - 21-Nov-2009


Resuma 2009 em sua carreira e diga como tem sido essa aventura na disco music.

2009 para mim foi um ano ótimo. Finalmente terminei e lancei o meu álbum. O resultado foi até melhor que o esperado. 2009 também me deu uma sensação que a músicavoltou para o lugar certo. Passei metade do ano em Londres e, saindo bastante por lá, comecei a sentir aquela mesma empolgação que eu tinha com o techno 10 anos atrás com a disco music.

É como se a dance music tivesse voltado para o lado do bem novamente.

Quais são suas lembranças mais consistentes sobre a disco music num passado bem distante, e também na sua trajetória como DJ?

Na minha trajetória como DJ é engraçado porque eu sempre gostei de disco sem nem saber. Eu entrei na dance music pelo techno, e qualquer música com samples de disco me empolgava muito, até hoje eu continuo descobrindo que as milhares de músicas que eu gostava eram na verdade só um pedaço de outras faixas melhores ainda.

É uma musica que eu conheci primeiro através de samples para depois conhecer as originais.

Qual o maior hit disco de todos os tempos, na sua opinião?

Nossa. Difícil escolher um faixa com tanta responsabilidade. Uma música que ainda me arrepia toda vez que eu escuto é "Hooked on You" do Cerrone.


CERRONE - HOOKED ON YOU

Tem alguma dificuldade maior para DJs acostumados ao techno na hora de mixar faixas disco, que geralmente podem apresentar uma estrutura rítmica diferente, um apelo pop maior? O que muda para você ali "na mão", na hora de tocar?

A estrutura rítmica é a mesma, o problema é o tempo que oscila muito*, já que são músicas tocadas por mãos humanas e não há a mesma precisão de uma música feita por máquinas. O campo harmônico de cada música difere muito também. Isso te obriga a pensar a discotecagem de um jeito diferente.

(N. do A.: James Murphy teve opinião semelhante em 2007, leia)

A música dos anos 90 e 2000 já foi feita para ser mixada, ela era construída já pensando na mixagem. Juntar tudo isso está ampliando muito os horizontes como DJ. Tem um elemento novo que eu descobri misturando coisas diversas que é a diferença do punch e da pressão da mixagens de músicas de épocas diferentes. Eu não vejo isso como uma dificuldade, mas como um recurso que, se bem usado, pode ser tão importante quanto o tempo ou a tonalidade de uma música.

É muito legal ver que ainda existe um caminho longo e excitante que você vai somando tudo que aprendeu em épocas tão diferentes.

Muito antes desse revival, tem algo dessa época/gênero que você já costumava tocar?

"I Feel Love" é uma faixa que acho que qualquer DJ de techno que se preze já tocou. Alguns re-edits como o "It's a War" do Kano. Além de milhares de músicas que tinham samples de disco que, como eu disse, com o tempo fui descobrindo que os originais eram muito melhores.

Quais são as coisas que mais te apetecem nesta nova disco? E as que você não gosta?

Para mim os re-edits sao as coisas que eu mais gosto porque você fica com toda a parte boa da música, com um arranjo bom de tocar na pista, mas com aquele clima da faixa original.

Hoje em dia eu já não ligo mais se eu vou tocar uma musica em vinil ou CD. Por causa dos re-edits eu voltei a comprar vinil como louco. Gosto mesmo é desses discos que não tem nome nenhum, que saem apenas 300 cópias e que você nunca vai achar em MP3.

Assim como ouve o Comiskey Park, ouve também exageros da própria disco music, "Disco Duck" e afins. Qual o limite para utilizar a disco music nos seus sets? Tem algo que você possa citar que jamais seria tocado?

Engraçado essa comparação, porque hoje eu vejo numa escala menor o mesmo com o techno e house. Coisas tão constrangedoras que você vê como esta música é popular hoje em dia.

Vejo a disco como o DNA da dance music. Comecei a pensar que nós temos 40 anos de dance music e ficar preso em apenas uma microramificação disso é muito pouco. Acho que os limites não devem estar nos rótulos, mas na música em si. Se for para ficar preso em disco, também dá na mesma que tocar só techno.

Acho que o legal é usar coisas diversas para colocar dentro de um contexto criado por você mesmo. Eu nao conhecia esse "Disco Duck", mas é um bom exemplo de algo para nao ser tocado :).

Tem algum DJ atual ou das antigas que seja referência na disco para você?

O DJ que mais me impressionou em toda a minha vida foi o Danielle Baldelli, que começou na disco nos anos 70 e mistura todo tipo de música.

(leia a resenha da coletânea "Cosmic Disco?! Cosmic Rock!!", de Baldelli)

Toda a concepção de discotecagem de hoje ele já tinha 30 anos antes. Em 4 horas de set que eu ouvi ele tocando não tinha uma melodia, um timbre, absolutamente nada que eu não achasse perfeito, e tudo era mixado de um jeito como se fosse musicas de hoje em dia. Num mundo perfeito, esse seria considerado o melhor DJ de todos os tempos com certeza.

Conte um pouco sobre sua noite no Hot Hot.

Eu tinha a ideia de fazer essa noite desde o final de 2008, fiquei procurando um lugar e antes mesmo do Hot Hot ficar pronto eu vi que era lá. É como se tudo se encaixasse. O clube é perfeito para a noite, o soundsystem também para poder tocar coisas tão diversas sem perder a força.

A recepção do público esta ficando cada vez melhor, parece que tudo está decolando aos poucos. Em fevereiro teremos a primeira noite com um convidado, o inglês Andy Blake, dono do selo Dissident, que é um DJ que tem tudo a ver com a ideia da noite de fazer uma grande jornada musical.

Você sempre tocou techno, inclusive techno pesado, cujo alguns fãs podem ser bem xiitas quanto ao uso do pop. Como você avalia sua relação com o pop em sua carreira?

Pop quer dizer popular, porque agrada um grande número de pessoas. Música comercial é feita com o intuito de vender, às vezes esses dois nomes se confundem por que Pop pode vender muito também, mas não quer dizer que não tem qualidade.

Se eu entendi direito você está dizendo Pop no sentido de uma musica que todos conheçam e gostem? Qualquer DJ precisa dessa ferramenta, para mim tocar um hit é a hora que eu consigo a atenção das pessoas para tomar o caminho que eu achar legal logo em seguida.

Pode soltar um top 5 disco para o Rraurl agora em 2010?

2010 a inda esta um pouco cedo, aqui vai um top 5 do coração que vale pra qualquer época:

Don Ray - "Standing in the Rain"
Marvin Gaye & Tammi Terrel - "Ain't no Mountain High Enough"
Munich Machine - "Get On The Funk Train"
Class Action - "Week End"
Herbie Hancock - "I Thought It Was You"

Fotos de Lucas Lima

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SERVIÇO
COMISKEY PARK @ HOT HOT
SÁBADO - 16/JAN

Tim Adams e Renato Cohen (long set)

PREÇOS
Antecipado/lista R$ 35
Na porta R$ 50

Infos em nossa agenda e no site oficial do clube

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
36 comentários
Rafael Moraes
Rafael Moraes(20.01.10)
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@Daniel Fuel

As festa que eu organizo ou vou sempre tiveram a Disco como pano de fundo, talvez não frequentemos os mesmos meios ou não conheçamos os mesmo DJs... Os que eu sempre tive como referencia sempre chartearam Disco... Sem duvida isso agora aumentou, mas eu nem entrei nesses méritos, apenas quis dar crédito a pessoas que fazem isso ha um bom tempo... ;)
Não estou aqui para estar certo ou ser o dono da verdade...
E-VOLVING
E-VOLVING(19.01.10)
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Acho q o Acid assim como a Disco, sempre estiveram por ai, em menor ou maior intensidade.

SObre o Cohen e a disco, lembrei ontem da música q eu mais gosto dele, q prova essa relação: DISCO BASS (e olha q eh das antigas hem)

ps: To curioso agora Benjamin pra saber q video q é...rs... da open air session?
Orn
Orn(19.01.10)
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@Bruno ;)

O Acid House esteve presente em 2009 pegando carona na fase deep old school do house.
Sinceramente espero que em 2010 o disco continue na moda, pois trouxe coisas boas para o house e, claro, boas produções tb principalmente depois que o space foi se desfazendo no espaço ( nhe!)
E variedade, musica boa para todos os gostos. Não suporto ver DJs que até ontem diziam que deep house é som de churrasco, rotulando uns tech house mal feitos de deep e tocando sempre sua cara mais progreada.
Bruno ;)
Bruno ;)(19.01.10)
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Já falaram em dub e, logicamente, disco como grandes apostas para 2010. Eu coloco mais uma na roda: o acid house.

um dos melhores discos de 2OO9, um album completo, classico, da disco, house, techno puros a techno-discos, como "Street Dancer", o dj set é uma aula de música. artistas como patrick do m.a.n.d.y,me disse: "renato? of course i know him, i played at leas 3 tracks from him" renato é mais uma vezo artisto brasileiro da vez na minha opinião juntamente com a nova safra como glocal e rotciv.