Um dos chefões da Kompakt - além de ótimo DJ e produtor - alemão não tem medo de especular sobre os rumos da dance music
Michael Mayer é o entrevistado perfeito. Dono de um selo célebre (Kompakt), entusiasta musical e por seu trabalho a frente da
label de Colônia, Alemanha, não tem medo de brincar de futurologia com a música, coisa que nós jornalistas (e vocês leitores) adoram.
Fora o background musical que dispensa apresentações, mas nós resumimos agora para o bom registro jornalístico das coisas: bom DJ e produtor de calibre desde os primórdios da Kompakt (1997), Mayer teve ápice como autor por volta de 2004/05, quando lançou o bom álbum
Touch e a belíssima faixa "Lovefood".
Mais recentemente fez parte da dupla Supermayer que, junto com Aksel Schaufler aka Superpitcher, estabeleceu uma nova pedra fundamental do techno-pop alemão com o disco
Save the World, lá do fim de 2007.
Louvado entre amantes ferrenhos do techno e até no campo sociológico do indie Pitchforkiano (ele protaganizou uma ótima
feature por lá sobre os 10 anos do site;
leia), Mayer tergiversa basante sobre seu som, que define basicamente como techno: colorido e emocional, como ele mesmo ilustra no papo abaixo por e-mail.
Flash Content
Supermayer - The Art Of Letting Go (mp3)
Bem vindo de volta ao Brasil. Como foi sua virada de ano com o Gui Boratto no Warung? Em São Paulo as pessoas lembram muito de sua primeira passagem pelo D-Edge, em 2006 (ouça o set aqui no rraurl!).Eu não poderia imaginar um jeito melhor de começar o ano. O Warung foi incrível... pessoas legais, ambiente perfeito. E eles me deixaram tocar até as 10:45, o que é algo que gosto muito, hehe. Agora estou muito excitado para voltar ao D-Edge...
Jesus, faz tanto tempo! Eu não tenho nada a não ser souvenirs de minha última visita. Que clube maravilhoso - é um privilégio tocar aí.
Ainda sobre o Brasil: como foi que você descobriu Gui Boratto, e como vocês desenvolveram o trabalho e a amizade desde então?Boratto foi um dos casos raros em que alguém apenas enviou um CD demo para a KOMPAKT e foi contratado. Nós recebemos cerca de 100 CDs por mês (mais centenas de links de downloads e etc), mas apenas poucos conseguem chegar lá. Quando ouvi "
Arquipélago" pela primeira vez eu instantaneamente caí de amores pela simplicidade e pela sexualidade dessa música.
É o sonho de qualquer A&R achar uma agulha no palheiro. E ainda é muito mais legal quando você descobre que a pessoa por trás da música é apaixonante também. Gui Boratto não apenas se tornou um de nossos maiores artistas, como também um verdadeiro amigo. Você não pode pedir mais que isso...
E depois dele, você por acaso chegou a observar mais os produtores e DJs brasileiros?Foi o Gui que me apresentou a
Dada Attack e Dubshape. Eu já tinha familiaridade com os releases do Renato Cohen... "
Pontapé" foi grande na Alemanha. Deve haver miríades de produtores brasileiros que eu não conheço ainda. Mas eu sempre fico feliz em aprender.
Uma rápida retrospectiva: como foi o ano pra você e de que forma você analisa 2009 na dance music? Quais foram as grandes coisas que você ouviu e descobriu? E o que pode ser esquecido?Para mim, pessoalmente, 2009 foi um ano bem introspectivo. Por causa de uma mudança de apartamento eu precisei me livrar de cerca de 10.000 discos. Então eu toquei cada disco que eu tinha para decidir se eles significavam alguma coisa ainda ou não. Isto foi uma experiência muito purificadora, mas um banho de sangue emocional. Eu redescobri tanta música boa! Isso deu muita inspiração para meus sets em 2009.
Este último ano foi bastante vintage para a nova música. Depois do minimal dominar os anos anteriores, foi bom sentir uma diversidade mais geral. Obviamente, a house music clássica teve um retorno triunfal que eu acho meio chato às vezes - já estive lá, já vivi isso :) Foram mais as coisas
freaky que me atraíram. Os releases de
Matias Aguayo e seu crew pela Cómeme foram altamente inspiradores: duros, sexies e de mente aberta. O momento musical mais memorável pra mim em 2009 continua sendo o concerto de Leonard Cohen em Oberhausen, Alemanha. Nada me tocou mais fundo...
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Michael Mayer - Lovefood (Matias Aguayo Mix) (mp3)
E um pouco de futurologia: 2010 está aí, você já enxerga algum tipo de evolução específica da música eletrônica hoje?Há alguns interessantes
crossovers acontecendo. Os garotos europeus (e acho que o mesmo por aí) não separam mais o techno/dance do rock/bandas. É OK gostar dos dois. Na minha geração era quase uma questão religiosa se você era techno ou não, hehe. Então as coisas estão se tornando um pouco menos dogmáticas, o que abre o campo para música interessante.
É uma situação um pouco similar com 1990, quando a Manchester Rave substituiu a fórmula da acid house, que era uma febre. Eu espero um forte retorno do hard techno em breve. Também parece que muitas pessoas redescobriram a música gótica e o EBM. Vamos ver onde isso irá nos levar...
Você concorda com a ideia de que o techno está abraçando o pop cada vez mais, principalmente depois do sucesso da neo-disco e dos BPMs mais lentos?Definitivamente, ao menos da minha perspectiva. Eu nunca fui um DJ de gênero, então isso conta a meu favor. Eu gosto do meu techno colorido e emocional.
E o minimal techno? Ainda podemos falar sobre o techno exclusivamente minimalista em 2010? O que de melhor tem saído desta seara, em sua opinião? Devo admitir que isto não é o que tenho pensado para uma noite. Minimal techno deveria pensar suas características para se reinventar de novo. Vamos deixar o K de lado e pesquisar um pouco :)
Ontem à noite eu ouvi o
álbum 2001 do Dr. Dre - esse foi o meu evento favorito de minimal em 2010 até agora.
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Michael Mayer - Privat (mp3)
E os planos da Kompakt para 2010? Releases, novos passos da empresa...?A KOMPAKT está em permanente evolução... Já temos ótimas coisas prontas para a primeira metade de 2010. A décima edição da
Pop Ambient está na boca do forno, daí veremos
Andrew Thomas, da Nova Zelândia, retornando com um álbum inteiro também de ambient.
Ewan Pearson acabou de finalizar seu CD mix para a gente e
Superpitcher finalmente entregou seu novo álbum solo.
Estamos ansiosos para trabalhar bastante nesses lançamentos. Acredito que nossa companhia está em ótima forma hoje em dia. Todo mundo está bastante comprometido e nossa família de artistas segue soltando ótima música. Nós gostamos do que fazemos. Isso é importante.
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SERVIÇOMICHAEL MAYER @ MOTHERSHIPD-EDGE - SÃO PAULO
Sábado, 09/jan - 23h59 - Renato Ratier também toca
R$ 70 entrada
Infos e listas
listas@promother.net Mais sobre a festa na
agenda rraurl
Deus te ouça MM, mas não precisa ser Hard não, só de voltar um pouco da alegria e animação do Techno de antigamente, já tá bom!
"Techno" chato que dá sono, num guento mais!