Whoa! é festa nova com espírito DIY em São Paulo
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Whoa! é festa nova com espírito DIY em São Paulo
Nova festa ocupa as terças do D-Edge, quinzenalmente
14.12.09 13:25
Criada há quase dois anos por Marcos Efe, a festa Bang! colhe agora seus frutos na cena eletrônica paulistana. Depois de passar por quatro casas diferentes - entre eles 8 Bar, Audio Delicatessen, Tapas Club e, atualmente, o Vegas - e de uma verdadeira dança das cadeiras entre seus residentes, a Bang! se consolida e ganha uma noite a mais em SP, com o pessoal da Crew, a Whoa!, que terá sua segunda e última edição do ano nessa terça (15), no D-Edge.

Não é de hoje que as duas festas andam se esbarrando. No começo a Bang! era pra ser uma festa de tendências maximalistas, tal e qual a própria Crew e, na mesma noite de sua estreia, acontecia a final do concurso que escolheria a nova vocalista do Bonde do Rolê, adivinha aonde? Na Crew, claro! Azar de principiante. Mas com as duas festas explorando o mesmo público, foi natural que se unissem.

Porém, na noite de estreia da Whoa! outro imprevisto aconteceu: foi exatamente o dia do apagão que deixou 18 estados brasileiros sem luz no mês passado. A festa só estreou mesmo no dia 24 e, dessa vez, não houve azar que conseguisse atrapalhar.
Para Marcos, depois de tantas transformações a Bang! deu lugar a outros estilos e hoje a única proposta é ser uma festa divertida que faz a galera dançar. "Sem se importar com o hype, ou em estar in ou out, sem conceito e sem carão", diz ele. E ainda trazer ótimos nomes para tocar na festa. Só em 2009 a Bang! recebeu gente como Kris Menace, Phantom's Revenge, Grum e Tronik Youth. Para o ano que vem, Marcos garante que podemos esperar mais boas surpresas - se quiser tentar adivinhar, ele garante que os nomes estão entre os que ele cita na sua entrevista abaixo como integrante do Club Soda.



Atualmente, a Bang! conta com cinco projetos residentes residentes, entre eles os mais antigos são Cebolinha e Allan Lito (que antes integrava a dupla Disco Robot DJs e hoje faz carreira solo como Igloo Kid), e as duplas Blood Shake de Zero e Laka, Club Soda de Marcos Efe e Nando Feitosa, e Undog de Renan e Bevi, que tocam com uma guitarra do jogo Guitar Hero.

UndogComo começaram a tocar?

Zero (Blood Shake): Eu já era DJ há alguns anos e a Laka era uma grande frequentadora de clubs, e nós já namorávamos. Aí no aniversário do Yuri Chix do Database uma coisa me chamou a atenção. Todo mundo estava sentado conversando e de repente ouvi uma mixagem de uma música, quando vi era a Laka brincando nos equipamentos. Nesse dia nasceu o Blood Shake.

Cebolinha: A primeira experiência em um club foi em 90, onde iniciei fazendo o começo e final das noites. Foi aí que descobri que essa era a grande paixão da minha vida. Em 2000 comecei a produzir assinando como Soda Cáustica e Swingtronic.

Marcos (Club Soda): Eu conheci o Nando Feitosa através de um amigo em fevereiro desse ano. Nós viemos da mesma escola musical, que foi o movimento french touch da década de 90. Frequentávamos as mesmas festas e tocávamos muitas coisas parecidas, então resolvemos fazer essa experiência. O que era para ser uma gig apenas acabou virando uma parceria, graças à nossa afinidade.

Allan Lito (Igloo Kid): Em 2004 eu tinha um selo independente focado em rock alternativo chamada Igloo Discos. Geralmente eu discotecava nos shows das bandas que eram do meu selo, mas tocava basicamente indie rock. Com o tempo fui colocando um Erol Alkan aqui, um Daft Punk ali, um Simiam Mobile Disco, Digitalism e quando me dei conta já tinha abandonado o indie rock. Isso foi mais ou menos em 2006, quando "estourou" a new rave. Toquei em dupla com o Anderson Punkinho como Disco Robot DJs até o meio desse ano, quando resolvemos nos separar porque já não rolava a mesma afinidade e comecei a tocar sozinho.

Renan (Undog): Eu e o Bevi nos conhecemos em 2005, quando mudamos para Florianópolis para estudar na UFSC. Chegamos a fundar uma banda, mas nossa única apresentação, em casa mesmo, às três da manhã, foi interrompida pela polícia. No meio de 2008 a gente se mudou para São Paulo, mas antes disso a gente fez uma festa para se despedir. Detalhe: a casa em que morávamos ia ser demolida depois que saíssemos, então não havia uma grande preocupação com o estado das coisas. A festa se chamou Festa da Destruição. O resto você pode imaginar. A gente discotecou lá, mas separados. O Bevi já tinha começado a tocar com laptop e usou Traktor ou o Virtual DJ, nem sei. E ficou essa ideia de tocar, que voltou quando a gente já estava em São Paulo, no segundo semestre de 2008.

CebolinhaO que não sai do set de vocês?


Zero (Blood Shake): Temos muitas influências, mas basicamente é midget, jackin house, electro, dutch house, tropical, fidget house e algumas coisinhas de baile funk, seja uma acapella ou um sample. Alguns produtores e remixers que temos tocado muito ultimamente: Riva Starr, Switch, Jakz, Ralvero, Laidback Luke, Afrojack, Renaissance Man, Mommas Boy, Hi Jack, Crookers, Solo, Douster, Yolanda Be Cool, Dooze Jackers, Edu K.

Cebolinha: O meu som é breakbeat, toco tudo que tenha as batidas quebradas do trip hop ao drum'n'bass. Minhas influências são tantas mais tenho alguns destaques como DJ Icey, Altern8, Moby, Orbital, Leftfield, Krafty Kuts, Lee Coombs etc. Meu set é bem freestyle, gosto de alternar as bpms e fazer uma mistura entre músicas novas e oldschool.

Marcos (Club Soda): A influência principal é o french touch. Daft Punk e tudo que veio na rabeira deles no final dos anos 90, como Cassius, Bob Sinclair, Dmitri from Paris, Air, Mr. Oizo, Modjo, Fred Falke, Alan Braxe, DJ Falcon e Le Knight Club. Atualmente não sai do nosso case gente como The Phantom's Revenge, Louis La Roche, Grum, Moulinex, Siriusmo, Xinobi, Chromeo, Shazam, Lifelike, Trasure Fingers, Etienne de Crécy, coletivo Valerie. Gostamos também do som dos meninos do Database, Twelves e Boss in Drama. Três músicas que você vai ouvir praticamente em todos os nossos sets recentes: Miike Snow - Animal (Fake Blood remix), Duck Sauce - Anyway e Moulinex - Lover in Me.

Allan Lito (Igloo Kid): Algo entre o electro e o house, mas também midget, tropical, ghetto house, fidget house, breakbeat... Não costumo me prender a estilos, vou mais pelo feeling da música. Não faltam no set Hervé, Sinden, Tuff Whellz, Blatta & Inesha, Gigi Barocco, DJ Manaia, Crookers, Don Diablo, Sharkslayer e por aí vai.

Renan (Undog): A ideia sempre foi recortar não só as músicas, mas os estilos também. O set tem uma parte mais hip hop, tinha uma parte maximal que ficou meio esquecida já, rola bastante remix, disco, leve e  pesado, rola synth australiano, quase tudo recortado - tudo edit, por assim dizer. Rola rock também, remixes de Pantera, de Metallica, de Smashing Pumpkins. Tem também os mashups que a gente faz ao vivo. Já fizemos Bloody Beetroots com Calvin Harris, Boyz Noize com Dizzee Rascal, Boyz Noize+Erol Alkan com Yatch, e Goose com Groove Armada.

Club SodaQue equipamento usam para produzir/ tocar?


Zero (Blood Shake): Para produzir usamos o Fruity Loops e o Ableton, além de PC, teclado midi, mixer, controlador midi, interface de áudio e para as apresentações lap top , controlador midi, interface de áudio, Kaoss Pad 2 e CDJs.

Cebolinha: Para tocar eu geralmente uso toca discos e CDJs, para produção agora estou me aventurando com o Ableton Live.

Marcos (Club Soda): Discotecamos com um par de CDJ-1000 mesmo.

Allan Lito (Igloo Kid): Uso o Virtual DJ pra praticar e gravar sets, acho muito prático. Pra produção eu comecei a fuçar no Fruity Loops de tanto o Zero do Blood Shake me encher, mas ainda estou na fase de experimentação.

Renan (Undog): A gente usa dois Macs, os dois com Albeton Live 8, uma APC40, um MPD32, um teclado MIDI Behringer UMA 25-S, um nanoPad da Korg, e a guitarra do Guitar Hero, claro. Quando mudei pra São Paulo um amigo emprestou um Wii e eu jogava bastante Guitar Hero e, sério, era bom, então pensamos: por que não? O Bevi usou um programa de remapear controles de videogame para a guitarra funcionar como um controlador de synth pro Ableton.

Igloo KidTem álbuns/ EPs lançados?


Zero (Blood Shake): Nesse ano lançamos o álbum Dirty Ghetto Lovers com a faixa "Mexico Caliente" (risos) com participação da MC Gi, que vai ser relançada pelo selo de NY DJs Are Not Rockstars, do Alexander Technique e Larry Tee. Também vamos lançar remixes para Larry Tee feat. Roxy Cottontail, Don Diablo e Jeff Doubleu e um EP nosso com três faixas. O segundo álbum deve sair até o segundo semestre.

Cebolinha: Tenho um CD lançado aqui e no exterior chamado Urban Jungle Tunes e algumas faixas em coletâneas nacionais. Agora estou produzindo meu próximo álbum para 2010 para comemorar 20 anos de estrada!

Marcos (Club Soda): Ainda não. Precisamos encontrar mais tempo para nos juntar, colocarmos as idéias e os samplers no lugar para começarmos a fazer música. Mas isso é um passo natural que vamos começar a investir mais a partir do ano que vem.

Renan (Undog): Acabamos de lançar o nosso primeiro EP, Modern Electronics. As músicas são feitas todas no Ableton Live, os vocais gravamos em estúdio. É nosso primeiro, esperamos lançar mais três em 2010.

Carol Nogueira
Carol Nogueira
twitter.com/carolnogueira
comentários
5 comentários
powerpill
powerpill(16.12.09)
-2AprovadoQueima
midget :D
Felicio Marmitex
Whoa! Que nome genial!!! Casamento super coerente de projetos!! Vida longa as terças do D-Edge!
Pedro Cunha
Pedro Cunha(15.12.09)
-1AprovadoQueima
Acabei de ser avisado pessoalmente que houve uma queda no sistema de pagamento e cadastro no D-edge. O aviso da queda do sistema não foi dado ao público pela confusão do momento. E o evento se tratou de um caso de força maior que não possibilitava a entrada dos baladeiros. Retiro o que disse sobre a incompetência da gestão, a estupidez da decisão e mantenho somente o fato de que faltou o AVISO ao público. Se estivessem cientes do que estava acontecendo certamente abandonariam a fila ou a esperança. Reforço minhas intenções de criticar o que supostamente é "incriticável" e peço desculpas pela tonalidade dos meus argumentos. Agora que fui ouvido e compreendidas as minhas críticas não há razão para um berreiro desvalido. Um obrigado sem ironia D-edge.
Pedro Cunha
Pedro Cunha(15.12.09)
-3AprovadoQueima
D-edge, tudo bom? Espero que não.
Gostaria de parabenizá-los mais uma vez pela EXCELENTE gestão de filas que vocês fizeram nesta segunda (14.12.09) sufocando milhares de pessoas a troco de porra nenhuma. A ordem dos seguranças era de que "com esta bagunça ninguém entra" sendo que havia cerca de 30 pessoas dentro da balada e 700 fora. Tamanha imbecilidade não pensou em passar tranquilamente cinco em cinco pessoas, mas, pelo contrário, segurou a fila INUTILMENTE por 1h sem ALEGAR RAZÃO ALGUMA. O descaso dos seguranças junto à brutalidade que lhes é característica fez 3/4 da fila desistir. E o caráter irredutível da conduta aplicada beirou o ridículo porque os que esperavam na fila questionavam perplexos o vazio interior da balada confirmado pelos seguranças.

Gostaria de agradecer pelo tratamento, pela incompetência em se organizar tumultos e pela estupidez da decisão tomada. Também pelo descaso para com os frequentadores. Obrigado D-edge.
Mari Belt
Mari Belt(15.12.09)
0AprovadoQueima
Ai que orgulho dos mininos!!!!!!
Beijo banger prá todos!