No backstage do Smirnoff Experience, palavras sobre vinil, desprezo pela música digital e as dificuldades de dar nome a um disco
De volta a São Paulo para mais uma amostra de suas habilidades de disco music e house old school, a dupla James Murphy e Pat Mahoney foi atração disputada da primeira edição da festa Smirnoff Experience, que rolou no último sábado (28/nov) e rende falatório até agora.
O mentor e vocalista da banda, James Murphy, e o ágil baterista Pat, capaz de segurar o compasso sem pestanejar até em cover de "Throw" (Carl Craig), ambos levam muito a sério suas facetas de DJs.
Na passagem de som do Smirnoff, na tarde da festa, foram eles que analisaram a fundo a qualidade do som e dos equipamentos da Pista 1. Com precisão que beira a pentelhice, James e Pat deram pitacos sobre o bass no fim da pista, pediram pelo equalizador e testaram as agulhas e os calços das turntables que eles mesmo trouxeram. Tudo para uma experiência sonora perfeita.
Conversamos rapidamente com a dupla no backstage, logo após a passagem de som, e eles falam sobre essa frutífera carreira de DJs e também sobre o processo de criação do novo disco, que sai no ano que vem (
saiba mais).
Flash Content
LCD Soundsystem - Bye Bye Bayou (mp3)
A primeira pergunta é: por que vocês sentiram a necessidade de fazer passagem de som se vão apenas tocar como DJs?James: Quando você toca com um vinil pode fazer uma grande diferença, e aqui hoje foi bom porque a gente conheceu a pista, viu onde o som ia melhor no espaço e ainda demos algumas dicas aos técnicos.
Quantos discos vocês tem? E como vocês organizam, selecionam o material quando vão tocar?James: Hmm, acho que eu tenho uns 10.000, por volta disso.
Pat: Eu tenho 25.000 no mínimo, tudo em estantes.
James: A gente não organiza nada. Cada um traz uns 200, 250 discos e vamos tocando com o que tem na festa. Ocorre muitas vezes de trazermos os mesmos discos, inclusive. Posso dizer que desses 250 discos que eu trago, 25 são discos que o Pat também trouxe no case.
Pat: Isso acontecia muito antes, mas agora eu conheço muito o que ele toca, então acontece menos.
E onde vocês compram os discos?Pat: Em lojas pelas cidades que a gente viaja, basicamente.
James: Até aqui em São Paulo, mas eu não lembro o nome da loja e nem onde ela fica.
Não compram pela internet?James: Não. Nunca. Eu não tenho quase nada de música digital. (
Pat: nem eu). CDs eu tenho muitos poucos, nossa coisa é o vinil.
Então vocês não baixam álbuns, não pesquisam e pegam música em blogs, sites, nada?James: Nunca. Acho isso ruim. Como te disso, não tenho quase nada de música digital. Acho ruim, é como ver uma tela num museu e se apropriar da idéia, dizer "é meu".
Mas eu sei como as coisas são hoje em dia, e estou OK em relação a isso, não vejo como um problema fatal. E geralmente quem baixa discos na internet são pessoas mais jovens. É outra geração, que cresceu acostumada a isso.
Backstage

E como essa agenda movimentada de vocês como DJs influencia a banda? Tem alguma influência direta no próximo disco?James: Tocamos há 13 anos já, é algo natural. Não influencia mais como já influenciou antes.
Pat: O que tocamos como DJs são as coisas que sempre ouvíamos, então faz parte de um todo. Muita gente acha que a gente começou a tocar depois da
coletânea da Fabric, mas eles nos chamaram porque já tocávamos há muito tempo.
O disco novo já está pronto? Em que pé está?James: Quase. Agora estou naquela parte dolorosa de ter que escolher nomes. A melhor parte de gravar um disco é quando você acaba, definitivamente.
Pat: Quando você acaba o disco, e termina também a turnê um ano e meio depois (risos).
Falando em nomes, o que significa "LCD" soundsystem?James: Absolutamente nada. Eu não gosto muito de coisas que tenham sentido literais, que sejam completamente funcionais. O ponto é que o LCD é a banda que surgiu de mim, James Murphy, fazendo música sozinho sem parar para a DFA. Eu precisava de uma banda, e surgiu este nome.
Acho, por exemplo, que todos os títulos de música deveriam ser o trecho da letra. Por exemplo, "Blue Monday" do New Order é uma canção sobre a ressaca após uma noite com ecstasy, mas todo mundo conhece a música por causa de "How does it Feel". "Blue Monday" deveria se chamar "How Does it Feel"...
Sim, "How Does it Feel", com "Treat me Like you Do" depois, em parênteses.James: Exato! "How Does it Feel (To Treat me Like you Do)". (risos).
E na composição e criação das músicas do LCD o resto da banda não opina em nada?James: Eu crio tudo, e depois levo para o estúdio e tocamos com a banda. É simples.
Pat: É tudo coisa do James, e eu acho muito mais fácil. Muitas bandas brigam e não criam nada porque ficam discutindo as coisas. Prefiro que seja assim.
Move d e Tejada sim. representaram.