CASE: John Tejada
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CASE: John Tejada
Techno e house, hip hop na adolescência e outras lembranças e sonoras do DJ americano
26.11.09 15:20
John Tejada é uma espécie de Mau Mau dos Estados Unidos. Nome forte, conhecido, com certo pioneirismo, técnica infalível e como tudo na vida, não é uma unanimidade. Mais que o brasileiro, é um produtor versátil, que vai do minimal techno a 4x4 safado e pegajoso.

Tejada também é um dos DJs headliners do Smirnoff Experience, que temos falando muito esta semana e rola sábado num galpão cinematográfico em São Paulo. Aproveitando a oportunidade, conversamos com este austríaco naturalizado americano, que hoje divide seu tempo entre um antigo estúdio caseiro, Los Angeles e datas em tudo quanto é festa que sabe escalar um bom DJ.

De Orbital a FSOL, de Hüsker Du (!) à sua compilação para a série da Fabric, Tejada é simpático e gosta de conversar sobre música. Mesmo sendo DJ "das antigas", ele espanta qualquer cacurismo de clubber velho e conclui que música eletrônica é sua vida - até hoje.

Sua biografia conta que aos 12 anos você já brincava com suas primeiras turntables. Você por acaso lembro que música ouvia e curtia àquela época?

Nessa época eu estava ligado no hip hop. Tinha muito interesse em sons eletrônicos mais experimentais de algumas produções mais ousadas, especialmente do começo dos anos 80. Foi isso que, com o tempo, me levou ao techno.

Conte um pouco sobre o Pallete All-Stars, como vocês criam músicas?

Até agora só fizemos um EP juntos. Acho que a principal razão é por Justin Maxwell ter se mudado de LA, porque senão estaríamos fazendo toneladas de coisas pelo Palette All-Stars.

Foi um proesso bem divertido, nós ficamos surpresos. Cada um tinha responsabilidade por uma canção, e como meu estúdio estava lá disponível a todos, dava para trabalhar simultaneamente as faixas. Saiu tudo muito bem e espero retomar isso logo.


John Tejada - Sweat (On the Walls)

E quais são as faixas antigas de house e techno que te influenciaram, que ajudaram a moldar o som de John Tejada?

Claro que todos aqueles clássicos de Detroit e Chicago, que foram tão importantes para todos nós. Junto deles alguns releases que tenho fortes sentimentos são as primeiras coisas de techno e house da cena inglesa: os primeiros discos da Warp, Black Dog antigo e o primeiro álbum do Orbital.

Eu curti muito das coisas de "ambient house" do Reino Unido, como FSOL e The Orb.

Em todos esses anos, há algum tipo de sonoridade que você já esteve ligado e que hoje não gosta mais? Quanto tempo leva para você cansar de uma faixa?

Eu me vejo voltando às músicas que amo com muita frequência. O que me cansa, geralmente, é música nova que pesquiso e que me deixa entediado por serem em sua grande maioria cópias de alguma coisa que já foi feita.

Gosto muito de descobrir "antigos favoritos" porque eles dão essa sensação de mudarem um pouco quando você envelhece e continua ouvindo. Na verdade acho que gosto muito ainda de muito das coisas que eu ouvia antes. Tem músicas que deixam de ser "cool", mas de repente elas são redescobertas e se tornam "cool" de novo.

Qual foi o melhor DJ set ou live que você já viu ao vivo num evento ou numa festa? Quais são seus DJs favoritos hoje?

Uma velha e boa memória que tenho é do Orbital aqui nos EUA em 92. Eles tocaram o álbum marrom antes de ser lançado num sound system pesado, tudo ao vivo com o maquinário deles.

Isso ficou na minha memória até hoje como um grande impacto.

Hoje em dia, falando sobre DJs, eu sempre me divirto ouvindo meu amigo Daniel Bell tocar.



Como é seu set up para produção? E como você montou o mix para a Fabric, que é ótimo?

Meu set up mudou tanto nos últimos 18 anos, mas está voltando aos poucos à ideia original. Uso alguns hardware de sintetizadores, um pouco de coisas modulares e alguns modelos analógicos novos e uns antigos também. Mas estou tentando deixar tudo o mais enxuto possível para que eu consiga ter tudo ao meu alcance na hora de trabalhar. E geralmente uso o Logic Pro para recordar todos esses synths e soltar de novo para o analógico depois, para o mix final.

O mix para a Fabric foi feito meio que no último minuto. Eu li um review à época dizendo que era uma vergonha que não havia faixas exclusivas quase na série, e aquilo fez sentido. Eles tiveram um DJ que desistiu na hora de entregar e me chamaram para fazer um com pressa, então não houve muito tempo extra. Eu fiz o mix em seções, gravando trechos, e depois editei tudo junto no final. Só quis ser preciso, ter uma cara mais de estúdio do que de set ao vivo - a imprensa na época comentou algo como "edits pesados", mas era uma edição mais sutil. A ideia original era mesmo um mix bem loco, todo editado, mas não ia dar certo pra mim.

Na verdade acho que até mesmo lembrar desse processo é um pouco confuso.

Quais os aspectos mais interessantes da música eletrônica da Califórnia, em comparação com o resto dos EUA?

Por uma época no começo dos anos 90 dominava um tipo de som que eu não estava interessado. Eu estava ligado em muita coisa de Detroit e Chicago, e era difícil ouvir qualquer coisa assim. Hoje em dia tudo é muito similar não importa onde se vá, mas naquela época era só uma expectativa de que algo legal fosse acontecer.

Hoje em dia parece que a Califórnia tem a cena mais próspera de todo o país, mas não era assim por um longo tempo.


John Tejada - Paranoia (2005)

O que você tem ouvido fora da dance music nos últimos meses?

Essa é bem difícil de responder, já que hoje em dia quase tudo é eletrônico. Olhando agora minha playlist eu posso ver que retornei aos meus antigos discos do Hüsker Du e velhas coisas do Harmonia, mas acho que até eles podem ser eletrônicos, já que usam synths. Geralmente eu ouço muita coisa de composição eletrônica experimental. Não tenho ouvido muita música fora desse escopo eletrônico como eu costumava...

E seu set no Brasil, o que podemos esperar?

Eu vou gastar alguns dias antes de viajar dando uma olhada na minha coleção de vinis, escolhendo discos que são especiais para mim. Espero fazer um set mais pessoal para vocês, estou até pensando em tocar coisas que nunca tentei tocar antes.

Quais seus planos para 2010?

O que tenho planejado é continuar trabalhando. Até o fim do ano agora terá um novo release da Palette meu e de Arian Leviste intitulado "Messenger". Terminei um novo álbum com meu projeto I'm Not A Gun que eu gostaria de lançar na primavera. E eu também tenho trabalhado sem pressa num novo álbum que penso em lançar no próximo verão.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
17 comentários
Kuba Stepp
Kuba Stepp(30.11.09)
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Apesar de não ter segurado a pista depois do Move D, e a organização ter colocado ele meio que no mesmo horário do Derrick Carter, eu ouvi o set inteiro do cara e achei bem foda! Técnica perfeita e uma seleção de músicas muito boas. Era o que eu esperava do cara! parabéns a organização do evento. Na minha opnião foi a melhor festa do ano.
Vivian Penzes
Vivian Penzes(30.11.09)
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ele realmente escolheu discos especiais como falou...tocou coisas bem pessoais mas totalmente pra pista e a resposta foi a melhor!
SL
SL(30.11.09)
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Mandou muito...mesmo
E-VOLVING
E-VOLVING(30.11.09)
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Fiquei até o final, o set dele foi excelente e matei uma vontade de + de 5 anos q era ver o cara tocar.
L_cio
L_cio(30.11.09)
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F#DA!!!!!