Saiba como o jovem produtor argentino divide seu tempo entre Berlim e a América do Sul
Ser apadrinhado aos 21 anos de idade por ninguém menos que Richie Hawtin - durante uma rápida passagem do chefão da Minus pela Agentina em 2005 - é uma prova e tanto do talento do DJ e produtor argentino Mauricio Barembuem, mais conhecido como Barem.
Nesse rápido bate-papo, Barem comenta, entre outros assuntos, a influência latina em suas novas produções, os invernos deprimentes de Berlim e o plano de lançar um álbum em breve.
Sem querer menosprezar o som mais característico dos artistas da Minus, eu me surpreendi quando conheci melhor a sua música, que tem muito mais groove e "alma". Você acredita que isso se deve, pelo menos em parte, ao sangue latino?É bem possível. No começo eu produzia um minimal techno bem dark e hipnótico, o que eu ainda faço às vezes, mas no ano pasado eu tentei mudar as "cores" da minha música e trabalhar com sons mais quentes e felizes e mais groove. Eu acho que esse som faz mais sentido para mim como sul-americano, mas também pode ser apenas uma fase. Sempre faço a música que eu estou a fim de fazer e ela pode ir em qualquer direção.
Como anda a cena Argentina atualmente? Você tem tocado muito lá? A cena eletrônica em geral está bem grande há mais de uma década, mas o que a maioria das pessoas escuta é trance e progressive house. Infelizmente, a Argentina é o tipo de país em que as mudanças levam muito tempo para acontecer. É sempre difícil para os promoters pequenos e médios conseguirem patrocínios, locais para fazer as festas, etc. Por outro lado, os promoters que fazem os grandes eventos não têm pressa em mudar as coisas, já que fazer uma festa com um artista de trance é dinheiro garantido e certeza de um grande público. Por isso, fazer um evento com um som inovador não é, de forma alguma, uma prioridade para essas pessoas.

Eu não toco muito lá. Eu gostaria que fosse diferente mas, sinceramente, não tenho trabalhado muito para mudar isso. Meu foco principal é a Europa e quando eu volto faço alguns shows, mas tento passar o máximo de tempo possível com minha família e amigos.
Você cogita a idéia de se mudar para Berlim de uma vez por todas - assim como muitos artistas da Minus - ou o tempo que você passa na Argentina serve como inspiração ou ajuda a moldar seu som de alguma forma? Eu já pensei em me mudar para lá, mas eu estou feliz com as coisas como estão. O inverno em Berlim é horrível, chove o tempo todo, você nunca vê o sol, faz muito frio e escurece às quatro da tarde. Voltar à América do Sul durante esses meses é muito importante para mim. Não que seja necessariamente inspirador, mas pelo menos evita que eu me deprima em Berlim, o que já é uma grande coisa!
A inspiração geralmente vem nos verões em Berlim. Há muitos excelentes DJs que moram ou tocam lá nessa época e minha mente está sempre no "modo musical".
Voltar para casa também é bom para eu fazer minhas
tours pelas Américas do Sul e Central, porque eu nunca toco nesses lugares enquanto estou na Europa. Então, no fim das contas, voltar para casa me ajuda a encontrar um equilíbrio entre a música, minha vida particular, férias e as tours.
Barem - SukiVocê não lançou muito material em 2009. Isso é porque você está preparando algo especial - um álbum, talvez - tirando umas férias do estúdio ou são as tours que têm tomado todo o seu tempo? No início do ano eu estava decidido a fazer um álbum. Eu até comecei a trabalhar nele, mas por motivos pessoais eu tive que dar um tempo e, quando percebi, estava de volta ao ciclo frenético de tours. Às vezes eu trabalho nas minhas músicas em Berlim, mas esse ano eu não tive tempo nem energia para isso. Eu espero voltar a me concentrar na música durante as próximas semanas porque eu estou com um tempo de folga.
Eu tenho alguns remixes para fazer e também começarei a trabalhar em algumas tracks minhas. Mas a prioridade continua a ser o álbum!
Felizmente, quando o assunto é música eletrônica, não há rivalidade ente Brasil e Argentina. Planos para voltar aqui este ano?Voltarei a Buenos Aires no início de novembro então estarei de volta ao Brasil muito em breve. Eu sou residente no Warung e também adoro tocar em São Paulo. Eu acho a cena brasileira de techno bem legal e sempre fico feliz de voltar aí, beber umas caipirinhas e tocar uns discos.
Plus 8 comemora seu 100º lançamento
Está agendado para este mês o lançamento da coletânea Plus 8100 , o 100º lançamento do lendário selo Plus 8, criado por Richie Hawtin e John Acquaviva em 1990 -, que consistirá em remixes (de Barem e diversos outros produtores do primeiro escalão do techno) para faixas clássicas do selo.
A arte que acompanhará o lançamento - uma "releitura" da logo do selo - foi criada por fãs e escolhida através de um concurso promovido pelo Plus 8.
O selo também promoveu outro concurso, este em parceria com a loja de música online os fãs criaram DJ sets de 60 minutos com faixas do Plus 8 e o set escolhido será disponibilizado no site do Juno durante o mês de novembro. Juno:
O vencedor ganhará um vale-compras, além de uma cópia da coletânea.
Além de Barem, alguns dos artistas que terão seus remixes incluídos no Plus 8100 são: John Acquaviva/Olivier Giacomotto, Tiefschwarz, Marco Carola, Paco Osuna, JPLS, Ambivalent, Hobo, Skoozbot, Alexi Delano/Tony Rohr e Layo & Bushwacka, entre vários outros.
Tomara q volte mesmo, vontadona de ir escutar ele de novo