Entrevista: Claude VonStroke
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Entrevista: Claude VonStroke
Sobre branding, blogs e barbas
16.10.09 11:30
"Eu só queria dizer que 'hey, vocês não podem ter tudo seus sacanas!'"

O importante DJ/produtor norte-americano da cena tech-house, residente em São Francisco e dono do selo Mothership, Claude VonStroke se refere a "Big'n'Round", o lado B do vinil que ele acrescentou a seu novo single Vocal Chords. "Eu fiz isso apenas para mandar um pequeno foda-se aos blogs de música", ele conta rindo, "vão comprar um vinil uma vez na vida!".

Provocações a parte (ele admite que não espera que os bloggers comprem o disco de verdade) o cara que diz que poderia se chamar "Pedro de la Fedro" (seu nome real é Barclay Crenshaw) é surpreendentemente sério sobre sua estratégia de negócios, principalmente quando isso se relaciona a sua imagem - e barba. "Existe algo que eu queria que as pessoas prestassem mais atenção", reclama, "não minha barba, mas minha marca".

"Infelizmente parte da indústria e parte da vida é fazer seu próprio marketing. Você não tem que ser o melhor, você tem que ser o melhor em espalhar sua mensagem pelo público. Existem produtores fantásticos que não entende isso e acabam apenas flutuando por aí no meio de tantos outros, porque não entendem esse aspecto", lamenta. "Criar sua marca, seja com uma barba, faixas estranhas, um nome marcante, um bom logotipo: tudo isso importa. E ser legal com os fãs importa também. Basicamente tudo é importante, não apenas seus três minutos de mixagem ou seu remix incrível do Carl Cox".

Apesar de soar meio ácido em relação a seus colegas com menos foco, ele é extremamente popular entre todas as categorias de DJs, algo evidenciado pela longa lista de colaboradores e parceiros no site do selo Dirty Bird para o novo álbum, Dirty Brain. Ele é consideravelmente mais humilde do que sua fala pode sugerir, algo que reflete o longo caminho e a quase falência que sofreu antes de estourar na cena dance em 2006.

Barclay cresceu em Detroit, e na adolescência aprendeu a tocar cello, antes de desenvolver uma obsessão pelo hip hop na escola em Connecticut. De volta à Detroit por um curto período, descobriu o drum'n'bass antes de mudar para Rochester/NY, onde anos depois se formou em cinema. Logo e seguida mudou para Los Angeles, onde trabalhou como guia de tours nos estúdios da Paramount - trabalho que ele admite adorar.

"Ser guia é na verdade um dos melhores trabalhos naquele lugar. Todo mundo nas excursões pensa que você é uma espécie de guri cinéfilo, ainda que você não tenha nenhuma memória do treinamento de duas semanas antes", ele lembra, "todos os outros trabalhos são super sérios, a não ser que você esteja no comando, e mesmo as pessoas com cargos altos são inacreditavelmente estressadas. Os melhores trabalhos nos grandes estúdios estão nos trabalhos de base - sem pressão e divertidos - e no topo - muita pressão, mas MUITO dinheiro. Tudo que fica no meio disso faz você querer se matar", conta, rindo.

Feliz com seu trabalho, ele não costumava falar para os colegas de estúdio que um dia seria um DJ superstar... "Ha! Não, imagina, eu nunca imaginei que um dia estaria fazendo isso, na época que morava em LA. Eu nem dava muita bola para house music ainda", insiste. "Outra coisa, eu não sou esse tipo de pessoa. Eu jamais me exibiria por algo que ainda não fiz. E mesmo naquela época eu tendia a ficar quieto. Quando eu ouço outros DJs e produtores se vangloriando para amigos sobre todo aquele remix incrível ou quantas cópias seu disco vendeu, apenas acho que são inseguros".

Enquanto isso, ele começou a trabalhar no seu próprio documentário Intellect, um guia de como se tornar um super DJ. Com entrevistas com gente como Derrick Carter e Carl Craig, o documentário o levou a conhecer vários aspectos do negócio musical e criar contatos em toda a indústria, o que foi muito útil quando lançou sua primeira faixa, "Deep Throat", de 2006. A faixa foi em frente para vender mais de 11.000 cópias em vinil, abrindo caminho para seu álbum de estréia Beware of the Bird e um hit monstruoso, "Who's Afraid of Detroit?". Falando conosco hoje em dia, no entanto, ele foca em promover o novo álbum da Bird Brain, um disco "menos bobo", segundo ele, que foi mais fácil de realizar.



rraurl: É fácil para você encontrar inspiração para criar? O quanto da sua música tem de encontrar "acidentes felizes"? Você sofre bloqueios criativos?

Claude VonStroke: Ah, rês perguntas difíceis numa só! Bom, eu normalmente começo com uma idéia bem clara do que vai acontecer, e daí não acontece. Assim dá para dizer que encontro vários acidentes felizes. Eu tenho bloqueios, claro, mas não na cabeça - é mais questão de tirar o que está na minha cabeça corretamente nas máquinas. Porque as máquinas não fazem sempre o que a gente manda?

O quanto o colapso da indústria musical e a acensão do download gratuito mudou seu approach com esse disco?

Eu lancei quase todas as faixas grandes em single digitalmente antes do álbum sair. O CD é mais para pessoas que querem ter tudo em um lugar só, mas você pode encontrar as faixas onde quiser. Infelizmente você não pode simplesmente jogar seu álbum como antes e esperar que ele chegue ao topo. Você tem uma janela de cerca de 6 semanas nas prateleiras, apenas. Por isso eu lanço tantos singles antes, remixes depois.

Sobre seus anos em LA, trabalhando para a Paramount: soa meio romântico, o quanto foi realmente difícil e quanto tempo durou?

Eu vivi em Los Angeles por cerca de quatro anos. Eu trabalhei muito por lá, você não faz idéia, apenas para deixar aquela cidade com dívidas e contas. Foi uma época bem difícil, mas não a ponto de ficar na rua. Eu sempre tive um trabalho, porque eu sou um bom trabalhador. Eu acho que minha ética de trabalho é a razão pela qual meu selo é bem-sucedido. Alguns dos DJs e produtores hoje... eu nem acredito como eles fazem tão pouco para sustentar suas carreiras! Agora eu estou soando como o velho do desenho do Scooby Doo...
Você teve uma crise de confiança

Boa pergunta. Mas a resposta é não. Eu acho que é porque meus pais me fizeram sentir muito amado e especial quando era criança. Eu sempre achei que faria algo divertido e interessante da vida. Eu nunca duvidei disso. Acho que é muito importante amar e transmitir segurança aos seus filho, faz muita diferença pelo caminho. Além do mais, eu diria que durante o documentário teve um momento em que achei que eu iria a falência total, mas não me importava na época. Eu teria vendido minha mobília e roupas para terminar aquele trabalho. Eu fico estava obcecado pelo assunto e é isso que é necessário para levar um projeto desses em frente. Ser obcecado pelo seu objetivo.

Você falou em uma entrevista anterior sobre pessoalmente embalar e enviar discos de vinil, um por um, para endereços residenciais de DJs famosos - funcionou?

Foi uma das melhores coisas que já fiz e ainda funcionaria hoje, acho. Sim, as pessoas me contataram de volta e eu comecei a ouvir falar de outras pessoas levando os discos, especialmente "Deep Throat". Você apenas tem que abrir um pacote endereçado a você, certo? É impossível não fazer isso. E um disco de vinil, nos dias de hoje? Você tem que pegar e escutar nem que seja só por respeito. Ainda é uma grande estratégia para começar seu selo.

Uma das melhores canções é "Who's Afraid of Detroit", a cidade tem reputação de problemas com crime e gangues: você chegou a ser roubado ou ameaçado enquanto vivia lá?

Eu fui assaltado em Los Angeles, mas nunca em Detroit. E é esse o significado real da faixa. Sim, é meio suja e assustadora, mas eu nunca tive muitos problemas por lá mesmo andando e becos escuros de noite. A reputação é corresponde à realidade. "Who's Afraid" está na verdade perguntando as pessoas nos subúrbios de Detroit se elas vão fazer alguma coisa, se vão encarar a cidade e se divertir.

O Kenny Larkin foi baleado na porta de sua casa nos subúrbios de Detroit, e atirou de volta e salvou sua vida. Você teria uma arma? Já pensou em comprar uma?

Viu? Se ele morasse na área central isso nunca teria acontecido... Não, imagina, estou brincando. Na verdade eu nunca ouvi essa história, que loucura! Não, eu jamais teria uma arma. Acho que se eu fosse baleado ficaria por isso mesmo.

E como é equilibrar a vida em família com a carreira de DJ? Você deixa de aceitar gigs para ficar com sua família, por exemplo

Sim, eu recuso mais do que aceito. Eu gostaria de poder explicar isso para os promoters às vezes. Eles não entendem que não estou livre todas as noites de sexta, sábado e domingo do ano. O motivo é simples: meus filhos precisam de um pai. Minha esposa quer me ver de vez em quando também. Um vôo de São Francisco para a Europa é muito longo e se eu não tivesse uma família talvez eu conseguisse voar umas duas vezes por mês. Quando eu morei em Berlim no verão passado foi bem mais fácil, mas eu acabei tocando sem parar e quando verão acabou eu estava simplesmente esgotado. Agora acho que estou tocando o quanto posso, o certo.

Bird Brain, próximo disco de Claude VonStroke, tem lançamento oficial no dia 19/outubro pelo Dirty Bird.

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
17 comentários
God-Dog
God-Dog(20.10.09)
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Claude, be my husband!
Henrique Ludovic
0AprovadoQueima
virei fã do clip ... ele é bacanérrimo
Fabio Martins
Fabio Martins(19.10.09)
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ótima entrevista, ótima leitura.
Dão
Dão(19.10.09)
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Meu, realmente um cara q tem cara de ser muito bacana, assim como suas tracks hehe
sabe aquele cara q tu já gosta antes de conhecer?
gostei da entrevista! parabens
Joel Guglielmini
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:D