Kris Menace é dos mais bem-sucedidos e talentosos produtores electro-tech a aparecer nos últimos 4 anos, o que o torna amplamente qualificado para discutir a saúde do business musical. Seu prognóstico, porém, é intransigente e sombrio. "As faixas estão aqui hoje para divulgar os artistas. Labels não querem mais dizer muita coisa, o que torna mais difícil ajudar ou desenvolver novos projetos e artistas". diz. "Como consequência, existe um volume enorme de lançamentos semanais, mensais, e é difícil conseguir atenção. Eu diria que apenas um punhado de pessoas está conseguindo realmente viver disso se não estiver num top 100".
Menace está a caminho do Brasil
O alemão se apresenta por aqui como DJ em duas datas, em mini-tour de lançamento de Idiosyncracies em fins de outubro, realizada em parceria com a Jaggermeister. A primeira data é na festa Bang!, dia 30/10 no Vegas Club em São Paulo. Ele se apresenta no lobby, com Leandro Pankk, Club Soda e Undog. Na mesma noite Blood Shake, Cebolinha e Igloo Kid. No dia seguinte o DJ segue para Porto Alegre onde é atração principal da festa I Love Diskorock, no Beco, junto com Gabriela Etchart e Schutz.
Ironicamente a persona que ele adota hoje ("Kris Menace") é relativamente nova, adotada em 2005, depois de 10 anos trabalhando com o seu nome real: Hoeffel. "Eu não tinha um pseudônimo para minha própria música porque até então eu normalmente produzia e escrevia músicas para outros artistas", explica. "Mas a hora certa para lançar minhas coisas chegou por volta de 2005, foi quando eu comecei a assinar como Kris Menace". Recentemente ele escolheu lançar seu aclamado hino techno "Scaler" anonimamente, tática que buscou depois do sucesso imediato alcançado como Kris Menace em faixas como "Discopolis", "Voyage", "Steamroller" e "Jupiter".
Flash Content
Kris Menace - Scaler (mp3)
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Kris Menace - Discopolis (w Lifelike) (mp3)
"Depois que você tem um grande lançamento, que extrapola um limite, as pessoas começam a esperar um certo som de você e se eu soltasse 'Scaler' com meu próprio nome algumas pessoas mais ligadas ao techno acabariam não dando atenção", explica Kris. "Eu já notei isso acontecendo com 'Steamroller', que era basicamente um monstro techno mau. Então achei que seria engraçado apenas ver as reações. Muita gente pensou que era uma faixa nova de algum grande nome do techno".
Baseado em um efeito de som sem fim e uma estrutura techno bastante simples, "Steamroller" ganhou apoio eufórico de gente como Tiga e Felix da Housecat assim que surgiu em dezembro último - provando que os bons contatos de Kris também são parte de sua chave para o sucesso... "Meu manager mandou para as pessoas certas, que responderam imediatamente. A faixa continua por aí e mais e mais pessoas estão prestando atenção, Isso é bem legal para uma música com quase 9 meses de idade, considerando que as coisas vêm e vão táotão rápido hoje".
rraurl: O quanto você costuma trabalhar em uma faixa? Onde você encontra inspiração? Você ouve outras faixas para selecionar sons, batidas, idéias, ou encontra inspiração em qualquer outro lugar?Kris: Às vezes eu ouço outras faixas, mas tento evitar ao máximo porque isso meio rouba a sua criatividade e você rapidamente começa a pegar idéias dos outros, o que não é bom. Eu não me inspiro assim. Eu apenas vou fazendo algo que gosto e quando chega num ponto em que acho que soa ótimo, eu lanço. Quanto mais rápido o processo de uma faixa, melhor o resultado. Não tenho tendência a ficar trabalhando demais, normalmente perco um dia ou dois em uma faixa ou remix, nunca mais que isso.
Que tendências do mundo club hoje você acha animadoras?O techno está de volta. Eu amo techno e estou feliz que o minimal tenha desaparecido. É tedioso e simples demais.
Menace traduz como "ameaçador"...Sim, veio de um juiz que um dia disse que eu era uma "ameaça para a sociedade". Guardei o nome, gostei, já que eu sou normalmente o oposto - sou muito bonzinho, sabe? Então, todos vocês que trabalham para a Imigração e estão lendo esse artigo após googchamativasar o meu nome: por favor, me deixem entrar, eu sou super legal (risos).
Seu nome como DJ está crescendo agora: o quanto de atenção você dá a sua imagem?Eu me visto da forma que me sinto confortável. Não me importo com tendências e normalmente sou bem básico, evito cores chamativas ou estampas. Também não gosto de ser propaganda ambulante para qualquer marca. Mas quanto a imagem como reputação, eu dou muita atenção, claro. Nosso meio é meio pequeno e infelizmente os seres humanos têm tendência a fofocar demais. Eu quero fazer o que estou fazendo hoje por mais 10, 20 anos, não quero desaparecer amanhã. Você tem que ser cuidadoso com o que faz e não faz. Mesmo quando o dinheiro está sorrindo para você, nunca é por uma questão de grana: você tem que fazer o que acredita e foda-se o resto.
E quanto a performance na cabine?Não tem nada mais chato do que ver um DJ não se divertindo. Eu pessoalmente prefiro tocar em frente a um público pequeno, por exemplo, onde eu posso ver as reações do público. É tudo sobre as pessoas, não sobre você.
Idiosyncracies, recém-lançado

Qual foi o papel da sorte na sua carreira?Não sei. Você sempre pode reduzir as coisas e dizer que teve sorte. Eu pessoalmente acho que tudo que acontece é motivado por uma crença pessoal em algo, que você busca apaixonadamente e trabalha para fazer acontecer. Eu acho que qualquer um pode atingir qualquer coisa, desde que acredite no seu objetivo.
O novo álbum (triplo!) de Kris Menace, Idiosyncracies saiu pela Compuphonic.
Toquei muito Discopolis e Fairlight, e era sempre pista cheia.
O cara é bom, pode ir sem medo @renato.
;)