Entrevista: Valvulados
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Entrevista: Valvulados
Quando cultura musical se à diversão; DJs, produtores e entusiastas cariocas da música criam podcasts e festas
28.09.09 13:40
A virtualidade e suas ferramentas para a divulgação de idéias, trabalhos, música e assuntos relevantes (ou nem tanto) já é uma constante na vida da maioria das pessoas. A internet esta aí, como as novelas televisivas estão para a maioria das donas-de-casa brasileiras. E foi assim, através da internet, que se teve notícia de um "coletivo" (embora eles mesmos não se chamem assim) de DJs/produtores que estão dando pano pra manga em terras cariocas. Foi lá no piador que chegou um piadinho miúdo, mas melódico, e chamou a atenção dos meus ouvidos para algo novo e interessante. Em formato podcast. Tem Liaisons-Dangereuses, Christian Morgenstern, Jamie Lidell, Modeselektor x Siriusmo, Dopplereffekt, Phonique, Maurizio, Jay Haze...

Uma enxurrada de pios depois, me pus a ouvir o tal podcast. Logo de cara - ou de ouvido - o que chama a atenção é o cuidado com a seleção musical. Uma voz robótica de vocoder nos diz o endereço do mais novo e um dos mais estimulantes projetos na cidade maravilhosa, o Valvu.la. Referências aos anos 80, aos anos 90, ao electro, ao techno, a disco, ao darkwave e/ou a pura música sintetizada. Tudo fino, bem escolhido, a um ou dois cliques do ouvido, com frequência quase mensal.

Muito além do podcast, os valvula.dos desde maio fazem alvoroço. Se definem como um "coletivo de djs, produtores e musicólatras cariocas entorpecidos por ondas analógicas e códigos binários" e armaram uma festa que fez sucesso e, como receberam ótimos comentários, planejam armaram uma segunda, na última sexta-feira dia 26/set. Também planejam novo podcast, selo e tudo o mais que der na telha de Ivan LP, Saduh, DJ Spark, Miravalles, Mikael Virkki e Patrícia Lobo, a Patoops.

Em um sábado frio saímos em direção ao Humaitá no Rio de Janeiro. Lá pelas 19h30 chegamos ao nosso destino: um apartamento reservado e guardadinho dentro de Botafogo. O grande lance era conhecer os valvula.dos. E foi assim que se seguiu o bate-papo, com bastante humor, que pode ser lido abaixo.

Como foi que surgiu a idéia do Valvu.la? Foi algo que vocês já vinham pensando ou simplesmente aconteceu?

Ivan LP: A gente já se conhecia. Somos amigos. Como gosto de cozinhar, sempre marcava uns jantares. Eu, o Saduh, Miravalles e o Mikael usamos o Live para produzir/tocar e estamos tentando converter o Spark também. Somos todos produtores, DJs e, como no caso da Patrícia (Lobo), produtora.

DJ Spark: Poxa, no Rio não tem quase nada. Salvo algumas festas aqui e ali.

Ivan LP: Foi aí que decidimos fazer alguma coisa.

Mas o que veio primeiro? O podcast? O blog?

Ivan LP: Marcamos uma reunião. A idéia era assim: o podcast primeiro, mas já pensando numa festa.

DJ Spark: Estávamos quase sem tocar, alguns produzindo mais, outros fazendo outras coisas...

Ivan LP: É, tocando pouco. Como tínhamos a intenção também da festa e a Patrícia é nossa amiga pensamos logo em chamá-la. Ela tem muita experiência com produção de festa e podia nos ajudar com isso. Começamos então, com o podcast já pensando numa festa mesmo.

O que exatamente é o Valvu.la? Um coletivo?

Mikael Virkki: Isso é difícil. São referências. Cada um tem uma referência e mostra isso, é uma troca.

Saduh: Cada um têm suas referências e procura acrescentar, mostrar para os outros.
Miravalles: É heterogêneo! Cada um tem uma descrição.

DJ Spark: É mais o que diverte cada um. O Valvu.la é um grupo de pessoas com iniciativa e compromisso, até certo ponto, para não deixar de ser diversão.
Patrícia Lobo: O Gig - onde rolou a primeira Valvu.la Sessions - é um bar. Não é um clube. A Valvu.la Sessions é mais nesse clima, como nos podcasts, cada um com a sua referência de som.

DJ Spark: O som tem que dar para conversar, beber...
Mikael: Somos todos curiosos!

Ivan LP: E como faltam grandes festas no Rio, exceto pela Moo e umas outras festas esporádicas, resolvemos tentar fazer alguma coisa com o intuito de ajudar a mudar isso.

Miravalles: Mas com um clima de descontração.

Os válvula.dos vivem exclusivamente de música?

Ivan LP: Cada um aqui tem seu emprego.

Miravalles: A gente tem aluguel para pagar!

E quais são seus empregos?

Patrícia: Sou produtora de eventos.

DJ Spark: Programador.

Miravalles: Desenhista de projetos em Autocad.

Ivan LP e Mikael: Somos economistas.

Saduh: Sou publicitário.

Quais são quais próximos passos do Valvu.la?

Miravalles: O Valvu.la!? De repente vira um transistor...

DJ Spark: Acho que o tempo vai dizer. Todo o mundo tem compromisso, dentro das suas possibilidades.

Ivan LP: Sem brincadeiras, a gente vai continuar com os podcasts e virão novas festas. E tem selo, né? Que te falei e sei que você vai perguntar... (risada geral)



É verdade! E o selo?

Ivan LP: Você sabe que a Polysom (tida como a "última fábrica de vinis da América Latina") vai voltar a prensar...

Ivan LP: É. Embora sejamos DJs e produtores que usam a tecnologia, embora tenhamos uma ligação com o digital, a vontade é de lançar uma coletânea em vinil. Mas, que provavelmenete não vai poder se chamar Valvu.la.

Miravalles: É, já deve ter.

Mikael: Vulva... (risos)

Ivan LP: Além disso, como todos estão de alguma forma envolvidos com produção, também tem a vontade de ampliar para Sound Design.

Saduh: Muita gente procura. Você não imagina como cliente pergunta por isso.

Ivan LP: E depois da nossa participação no Multiplicidade com o pessoal da Moo, vimos que podemos seguir por esse caminho também.

Valvu.lados no Mootiplicidade
Valvu.lados no Mootiplicidade
E com relação a festas? Têm novidades?

Patrícia: Bem, o Valvu.la Sessions lá no Gig, como te disse, é mais uma extensão do podcast. E foi bem legal, bacana mesmo.

DJ Spark: Mas o som não pode ser alto.

Patrícia: Tem que dar para conversar e dá para explorar bem as referêncuias de cada um. Aliás, o intenção era mesmo fazer uma festa na qual cada um tocasse suas referências e o que gosta, sem hype.

Miravalles: Sem modinha.

Patrícia: Um outro projeto, mais para o futuro, é uma coisa mais pista. Onde cada um vai, aí sim, tocar o que curte dançar, o que gostaria de ouvir.

Ivan LP: O Saduh, por exemplo, vai poder explorar o seu lado mais pesado.

Patrícia: Todos tem vontade de misturar aquilo que curte.

DJ Spark: Cada um sabe o que gosta e o que curte.

Catarina Liarth
Catarina Liarth
A vida é feita de altos-e-baixos...
comentários
7 comentários
Bernardo Campos
Bernardo Campos(27.10.09)
1AprovadoQueima
Fui na ultima e voltarei em todas as outras que rolarem :)
Brunno Mello
Brunno Mello(29.09.09)
3AprovadoQueima
Tudo sangue bom! Como djs, vítimas da ditadra do minimal dos últimos anos, e mais recentemente, do tech house padrão na noite carioca. Merecem todos os elogios.
vinicius salles
vinicius salles(29.09.09)
2AprovadoQueima
Boa iniciativa!!!
"O Saduh, por exemplo, vai poder explorar o seu lado mais pesado" 8-)
Raphaela Leite
Raphaela Leite(28.09.09)
1AprovadoQueima
Muito bom!