Detroit e breakbeat, analógico e digital, Serato e vinil: produtor americano toca no Rio de Janeiro neste sábado e seu CASE fala de música e produção
Mecânico de aviões profissional, tendo já desenhado até armas para a Força Aérea Americana, Todd Osborn não é nada bélico quando se trata de sua música, o melódico e irrepreensível groove de Osborne, projeto seu de techno/house que em 2008 fez bastante barulho com
um álbum homônimo.
Africanismo, nostalgia sentimental, quebradeira detroiteana, tech-house linear, cabe de tudo no 4x4 do projeto Osborne, que para a graça dos cariocas se apresenta neste fim de semana na festa MOONÃOMOO, no centro do Rio (serviço ao fim da matéria).
No CASE abaixo, feito por e-mail, o simpático Todd Osborn explica seu geekismo mecatrônico que cria músicas humanas - e também quebradeiras agressivas - a partir de máquinas analógicas e afins. O paralelo traçado por Osborne entre atmosferas tão distintas quanto a engenharia e a música eletrônica e pop é interessante e mais próximo dos nossos ouvidos do que se imagina, confira.
Seu LP Osborne foi um bom destaque da house music ano passado. Como é transitar de projetos mais barulhentos como o Soundmurderer para melodias e grooves, como foi era o caso desse disco?Eu estou sempre envolvido com vários estilos ao mesmo tempo. Ainda faço faixas com o Soundmurderer e outras coisas, e geralmente fico de saco cheio de algo muito rápido. Ultimamente eu tenho me alternado entre a house, o breakbeat e a piano music.
E como você recebeu a ótima recepção do álbum na crítica musical?Sim, foi ótimo ver tantos reviews bons! Acabei sendo chamado para fazer muito mais remixes esse ano, fora as entrevistas (como essa, haha). Mas fora isso, não foi um "sucesso" real e quantitativo.
Quais são suas principais referências na música de Detroit?Acho que as mesmas do que a maioria das pessoas: Derrick May em seus primórdios, Robert Hood, Mike Banks, Juan Atkins, Jeff Mills, etc. São influências que não estão em todas minhas faixas, mas é claro que em músicas como "Downtown" dá para sentir a influência jazzy do UR nas mudanças dos acordes.
Flash Content
Osborne - Downtown (mp3)
Qual o seu set up para produção? Eu li uma vez que você usa apenas softwares com código abertos - qual a vantagem disso?Eu tenho usado um tracker modificado e uma máquina analógica, exclusivamente. Só que mais recentemente eu comecei a usar o (software) Reason, mas eu não gosto de usar o "acervo" de synths dele, então eu sampleio/crio meus próprios sons (com o equipamento analógico na maioria das vezes), e jogo tudo como samples no Reason.
Como você pesquisa e encontra diferentes softwares e hardwares, e equipamentos analógicos? E qual seu equipamento mais precioso?Às vezes eu sou convidado a testar softwares beta, mas é algo que nunca aceito porque eu sei que vou acabar não usando a maioria deles. Eu gosto de pesquisar o que vai me trazer o que busco em termos musicais.
Para hardware eu testo muitas coisas novas trabalhando com a Red Bull Music Academy todo ano, mas quando eu uso hardware é geralmente peça antiga. Eu costumo consertar muitas máquinas analógicas para amigos, e quando isso acontece eu tento entender e resgatar o máximo de sons possíveis dessas máquinas.
Se você conhece as nuances das máquinas antigas você pode replicar as sensações nos programas digitais. Acho que o meu equipamento mais importante é a
Roland SH-101; você pode criar faixas infinitamente com ela, até mesmo percussão.
E qual sua posição na controvérsia que contrapõe produção analógica com digital, discussão similar ao embate dos DJs entre o vinil e o CD?Eu sou super a favor de novas tecnologias, amo isso! Mas acho essencial conhecer a tecnologia do passado/defasada para tirar o melhor de sua técnica, senão você acaba fazendo imitações podres, pode acabar perdendo muito tempo para fazer nada.
Eu uso vinil, mas também gosto do Serato, só que tento não usar da mesma maneira que o vinil. Então aproveito para fazer re-edits e várias faixas exclusivas que só toco pelo computador, coisas que não seriam exequíveis em acetato.
Flash Content
Osborne - Ruling (mp3)
De volta à música, gostaria de saber a partir do seu olhar técnico: quais seriam as coisas mais interessantes que você tem ouvido na música pop eletrônica.Na verdade eu não tenho ouvido canções eletrônicas pop ultimamente, e certamente nada que seja muito comercial. Acho que diria que a última faixa que realmente gostei foi Sebastién Tellier -
"Divine" (Midnight Juggernauts remix), do ano passado.
Mas dentro de uma definição de "música pop eletrônica", dá para dizer que "
Heartbeat", da Annie, é uma canção perfeita.
Dá para soltar uma lista de suas atividades recentes?Bem, tem mais material do Osborne saindo na Spectral, e espero que um próximo álbum em breve - fora vários remixes para outros selos.
Alguns singles de electro pelo Databass. Fiz um EP do Soundmurderer no WeMe Records, da Bélgica. E estou começando um novo selo com Tadd Mullinix chamado Portfolio, que exibirá música e arte nossa e de nossos amigos. Isso vai rolar logo e você pode esperar um ritmo constante de releases.
Teaser da Ghostly International na ocasião de lançamento do EP-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
SERVIÇOMOONÃOMOO12/SET - RIO DE JANEIRO - 24H
Av. Av. Passos, 36 - Centro
Eduardo Christoph, Gustavo Tatá,
Osborne e Richardsen (Padded Cell)
Ingressos: R$ 60 (antecipado) / R$ 90 (bilheteria)
info@moo.com.brmoonaomoo.com.brApoio: RRAURL.COM
É fato q bons Produtores n são obrigatoriamente bons DJs. Eu n posso falar pq n fui na festa e pq sou nerd o bastante pra gostar de coisas retas, mas entendo o q vc disse.
Nessas horas 'N' coisas devem ser levadas em conta, as vzs foi erro de line-up mesmo.
[]s
Cara, ele tocou uma espécie de "Detroit Techno", EXTREMAMENTE quadrado, sem nenhum groove, que simplesmente enterrou a pista deixada pelo Tatá (que, por sinal, foi ótimo!). Ele tocou com laptop, e, embora eu acredite que ele tenha tocado tracks, a impressão que me deu, da pista, era que ele colocava uns loops absolutamente retos, fazendo um set sem qualquer construção (além de monótono), que mais pareciam barulhos do que música. Sendo franco, eu não me recordo de ter visto alguém tocar tão mal, de qualquer nacionalidade, antes.
Por sorte, como bem disse o Weiss, o Richard Sen entrou depois e trouxe a galera de volta para a pista, com um som bem legal (especialmente depois daquele set do cara).
Eu particularmente não sou muito fã de dj americano (com algumas exceções, claro... Josh Wink, Matthwe Dear, estão ai para mostrar isso), mas o Osborne foi além.
[]s