Tradição no binômio selo/produtor mantém renovação constante da célebre eletrônica de Detroit.
À moda da casaObter destaque em uma cidade como Detroit não é tarefa fácil. Manter-se nesta posição pode ser mais difÃcil ainda. Sabemos que os bem-sucedidos neste ambiente estão entre a nobreza eletrônica - nomes célebres e fundamentais como Juan Atkins, Jeff Mills, Carl Craig. Mas há outro aspecto que dinamiza esse cenário: a colaboração. Aquele sentimento de pertencer a uma comunidade, de repartir de uma visão de mundo.
Esta caracterÃstica da tradição artÃstica da cidade está presente na abundância de selos que ali nascem desde os primórdios da eletrônica. Tanto que cada grande produtor de techno de Detroit possui um
imprint atrelado a sua carreira, às vezes dotados de reputação mais sólida até mesmo que a de seus criadores. Numa rápida lista: Derrick May e Transmat/Fragile; Jeff MIlls e Axis; Stacey Pullen e Black Flag; Claude Young e Utensil; Robert Hood e M-Plant; Alan Oldham e Generator; Kelli Hand e Acacia; Kevin Saunderson e KMS; Juan Atkins e Metroplex; Octave One e 430 West; Kenny Larkin e Art of Dance...
A
Matrix Records de
Sean Deason não foi exceção a esta regra.Fazendo justiça ao nome - que vem de antes do filme de mesmo nome - se manteve visionário e consistente, firme a critérios essenciais do estilo, preservando a excelência do label no longo prazo.
Matriz da criaçãoEntão não é surpresa qie no decorrer de mais de quinze anos de vida a Matrix tenha se sido um dos primeiros pontos de acesso ao público de artistas como Morgan Geist, Stewart Walker e Convextion. Mas isso é o que já foi. E nossa prioridade aqui é falar sobre o que virá e responder à pergunta que paira sobre longas trajetórias: como manter-se visionário?
Segundo Sean Deason,
designer, cabeça do selo e membro precoce da corte de talentos acima referida, o segredo está em ter identidade musical sólida, mas nunca rÃgida. Ele não escolhe música ao acaso e dá um conselho valioso aos produtores novos: mandar suas músicas para qualquer gravadora que possa estar vagamente interessada na sua proposta é perda de tempo, sua e do A&R do selo. O melhor é focar sua atenção naqueles cuja identidade sonora se adequa com perfeição à sua música, já que tempo é algo precisoso e ubiquidade é algo corriqueiro e especialmente nocivo nestes tempos de internet.
"Tudo se refere à s texturas, a uma abordagem musical especÃfica, em como o artista trabalha harmonias e melodias", diz ele, "é me concentrando em produções com essas qualidades que consigo manter a personalidade da Matrix e, ao mesmo tempo, ajudar gente nova e boa a ter
output para seu trabalho." Desta maneira simples Sean define o modo como cumpre essa essencial função reprodutiva no universo musical. O resultado fica evidente se ouvirmos o catálogo da Matrix, composto pelos lançamentos variados, de origens mil, sempre portando uma personalidade bem peculiar.
Futuro: ontem e hojePeguemos o "pseudo" novato
Shawn Rudiman como primeiro exemplo. Faixas intrincadas, bem estruturadas e densas, com iuma base marcante e harmonias sedutoras, tudo bem embalado em produção sofisticada, beirando o preciosismo técnico, sem jamais soar enfadonha. Qualidade que é fruto de anos de experiência
que começaram como um promissor nome no industrial e EBM, quando segundo ele: "Essa era a música que dava vazão a meus sentimentos. Quando eu era jovem, branco e revoltado. Uma lástima que o gênero tenha se encerrado em um cãnone tão enrijecido que não me proprocionava mais um escoadouro criativo adequado."
Vislumbrando um novo horizonte para sua proposta no techno e no house de Detroit na virada do século, ele começou a estebelecer-se entre os talentos mais reputados da região e agora sob as asas da Matrix encontra uma das fases mais produtivas de sua longa e diversificada carreira. Fase iniciada pela amizade comum com
Arne Weinberg, outro talentoso produtor que figura constantemente entre as melhores companhias da eletrônica mundial.
Uma história similar também encontramos no jovem
Arthur Oskan, cuja eclética trajetória rendeu elogios de nomes estabelecidos como James Holden, John Digweed e Lars Sandberg, despertando o interesse principalmente através de seu projeto
Myers Briggs. Sob o escudo da Matrix, no entanto, o que ele faz de melhor é destilado na forma de
grooves grudentos, harmonias rebuscadas e esmero incomparável na finalização, resultando em um produto final único e refinado. Qualidades que ficam bem claras no vÃdeo de uma de suas animadas apresentações ao vivo:
Amanhã: agora mesmoMantendo este ritmo de descobertas e força no ecletismo, a Matrix prossegue na missão e o amanhã parece ainda mais próspero se observarmos os artistas que ganham espaço graças com essa iniciativa. Releases como "Message from Earth", do misterioso e talentoso Kuba Sojka, com seus arranjos preciosos e ambiências envolventes, mostram que garimpar promessas permanece um dom rotineiro para Sean e sua equipe, moldando o futuro do techno e do house no processo como resultado natural.
Recentemente o selo garantiu espaço em seu
roster para o chileno Jorge Cortés, ou Jorge C, cabeça do pioneiro coletivo
Ojo de Apolo e cujos conhecedores do cenário minimal sul-americano devem reconhecer como
Receptor. O trabalho de Jorge assume uma roupagem mais tradicional voltada para house e traz boas surpresas, como podemos conferir no EP "Más Música", a ser lançado em breve pelo selo de Detroit.
Toda esta abertura e gosto pela diversidade indica que aquela tarefa é algo inerente a um projeto cuja natureza é sempre estar em movimento, inacabado mas jamais incompleto. E daà vemos naturalmente que a Matrix, através de sua proposta de inovação constante, glorifica uma tradição que remonta até a Motown e encarna tudo que Detroit tem de melhor, ontem, hoje e sempre.
Arthur Oskan tbm já aparecia em destaque no netlabel Heavy Industries já fazendo coisa boa, merecido os elogios de outros grandes artistas.
Otima pauta sobre Detroit e é mesmo muito bom saber que os label's ainda estão vivos!