Matrix: a tradição da inovação
Sean Deason
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Matrix: a tradição da inovação
Tradição no binômio selo/produtor mantém renovação constante da célebre eletrônica de Detroit.
10.08.09 14:20
Logo MatrixÀ moda da casa

Obter destaque em uma cidade como Detroit não é tarefa fácil. Manter-se nesta posição pode ser mais difícil ainda. Sabemos que os bem-sucedidos neste ambiente estão entre a nobreza eletrônica - nomes célebres e fundamentais como Juan Atkins, Jeff Mills, Carl Craig. Mas há outro aspecto que dinamiza esse cenário: a colaboração. Aquele sentimento de pertencer a uma comunidade, de repartir de uma visão de mundo.

Esta característica da tradição artística da cidade está presente na abundância de selos que ali nascem desde os primórdios da eletrônica. Tanto que cada grande produtor de techno de Detroit possui um imprint atrelado a sua carreira, às vezes dotados de reputação mais sólida até mesmo que a de seus criadores. Numa rápida lista: Derrick May e Transmat/Fragile; Jeff MIlls e Axis; Stacey Pullen e Black Flag; Claude Young e Utensil; Robert Hood e M-Plant; Alan Oldham e Generator; Kelli Hand e Acacia; Kevin Saunderson e KMS; Juan Atkins e Metroplex; Octave One e 430 West; Kenny Larkin e Art of Dance...

A Matrix Records de Sean Deason não foi exceção a esta regra.Fazendo justiça ao nome - que vem de antes do filme de mesmo nome - se manteve visionário e consistente, firme a critérios essenciais do estilo, preservando a excelência do label no longo prazo.

Matriz da criação

Então não é surpresa qie no decorrer de mais de quinze anos de vida a Matrix tenha se sido um dos primeiros pontos de acesso ao público de artistas como Morgan Geist, Stewart Walker e Convextion. Mas isso é o que já foi. E nossa prioridade aqui é falar sobre o que virá e responder à pergunta que paira sobre longas trajetórias: como manter-se visionário?

Segundo Sean Deason, designer, cabeça do selo e membro precoce da corte de talentos acima referida, o segredo está em ter identidade musical sólida, mas nunca rígida. Ele não escolhe música ao acaso e dá um conselho valioso aos produtores novos: mandar suas músicas para qualquer gravadora que possa estar vagamente interessada na sua proposta é perda de tempo, sua e do A&R do selo. O melhor é focar sua atenção naqueles cuja identidade sonora se adequa com perfeição à sua música, já que tempo é algo precisoso e ubiquidade é algo corriqueiro e especialmente nocivo nestes tempos de internet.

"Tudo se refere às texturas, a uma abordagem musical específica, em como o artista trabalha harmonias e melodias", diz ele, "é me concentrando em produções com essas qualidades que consigo manter a personalidade da Matrix e, ao mesmo tempo, ajudar gente nova e boa a ter output para seu trabalho." Desta maneira simples Sean define o modo como cumpre essa essencial função reprodutiva no universo musical. O resultado fica evidente se ouvirmos o catálogo da Matrix, composto pelos lançamentos variados, de origens mil, sempre portando uma personalidade bem peculiar.

Futuro: ontem e hoje

Peguemos o "pseudo" novato Shawn Rudiman como primeiro exemplo. Faixas intrincadas, bem estruturadas e densas, com iuma base marcante e harmonias sedutoras, tudo bem embalado em produção sofisticada, beirando o preciosismo técnico, sem jamais soar enfadonha. Qualidade que é fruto de anos de experiência que começaram como um promissor nome no industrial e EBM, quando segundo ele: "Essa era a música que dava vazão a meus sentimentos. Quando eu era jovem, branco e revoltado. Uma lástima que o gênero tenha se encerrado em um cãnone tão enrijecido que não me proprocionava mais um escoadouro criativo adequado."

Vislumbrando um novo horizonte para sua proposta no techno e no house de Detroit na virada do século, ele começou a estebelecer-se entre os talentos mais reputados da região e agora sob as asas da Matrix encontra uma das fases mais produtivas de sua longa e diversificada carreira. Fase iniciada pela amizade comum com Arne Weinberg, outro talentoso produtor que figura constantemente entre as melhores companhias da eletrônica mundial.

Uma história similar também encontramos no jovem Arthur Oskan, cuja eclética trajetória rendeu elogios de nomes estabelecidos como James Holden, John Digweed e Lars Sandberg, despertando o interesse principalmente através de seu projeto Myers Briggs. Sob o escudo da Matrix, no entanto, o que ele faz de melhor é destilado na forma de grooves grudentos, harmonias rebuscadas e esmero incomparável na finalização, resultando em um produto final único e refinado. Qualidades que ficam bem claras no vídeo de uma de suas animadas apresentações ao vivo:



Amanhã: agora mesmo

Mantendo este ritmo de descobertas e força no ecletismo, a Matrix prossegue na missão e o amanhã parece ainda mais próspero se observarmos os artistas que ganham espaço graças com essa iniciativa. Releases como "Message from Earth", do misterioso e talentoso Kuba Sojka, com seus arranjos preciosos e ambiências envolventes, mostram que garimpar promessas permanece um dom rotineiro para Sean e sua equipe, moldando o futuro do techno e do house no processo como resultado natural.

Recentemente o selo garantiu espaço em seu roster para o chileno Jorge Cortés, ou Jorge C, cabeça do pioneiro coletivo Ojo de Apolo e cujos conhecedores do cenário minimal sul-americano devem reconhecer como Receptor. O trabalho de Jorge assume uma roupagem mais tradicional voltada para house e traz boas surpresas, como podemos conferir no EP "Más Música", a ser lançado em breve pelo selo de Detroit.

Toda esta abertura e gosto pela diversidade indica que aquela tarefa é algo inerente a um projeto cuja natureza é sempre estar em movimento, inacabado mas jamais incompleto. E daí vemos naturalmente que a Matrix, através de sua proposta de inovação constante, glorifica uma tradição que remonta até a Motown e encarna tudo que Detroit tem de melhor, ontem, hoje e sempre.
MP3
Flash Content
Arthur Oskan - Aerial (mp3)

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Arthur Oskan - Stopover (mp3)

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Jorge C - Estilo (mp3)

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Jorge C - Golpe (Re-Visited) (mp3)

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Ma?s Mu?sica - Jorge C (mp3)

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Kuba - Dance Of The Noise (mp3)

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Go Again - Shawn Rudiman (mp3)

Flash Content
Shawn Rudiman - It's Gotta Swing (mp3)


Raul Cornejo
Raul Cornejo
sheer persuasion
comentários
5 comentários
Modern Process
Modern Process(11.08.09)
1AprovadoQueima
aliás lendo a matéria, lembrei do Russ Gabriel que tbm vem lançando coisas novas por aí como a boa Spirits pelo selo Pariter, além de estar na ativa com seu selo Ferox no digital.
Modern Process
Modern Process(11.08.09)
1AprovadoQueima
peguei esse Kuba Sojka quando saiu e realmente o ep inteiro é ótimo, bela matéria Raul.

Arthur Oskan tbm já aparecia em destaque no netlabel Heavy Industries já fazendo coisa boa, merecido os elogios de outros grandes artistas.
Hero Zero
Hero Zero(10.08.09)
2AprovadoQueima
Destruiu na materia Chico!!!
Gaía Passarelli
problema com os streamings, mas já estou colocando eles de volta no ar. []s!
fueloop
fueloop(10.08.09)
2AprovadoQueima
...muito legal!

Otima pauta sobre Detroit e é mesmo muito bom saber que os label's ainda estão vivos!