Guti e seu etéreo piano
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Guti e seu etéreo piano
Oscar Peterson encontra Loco Dice na bacia da Prata
07.08.09 13:55
Ele respondeu nossa entrevista em menos de 1 hora depois do envio do e-mail e tem a verve daqueles que, por acreditarem no que fazem, acabam mesmo é fazendo a diferença. E como. "Eu faço música eletrônica com toda minha alma", diz. "Loco Dice está me dando tanto apoio. Ele realmente gosta da minha música! hahahah", continua o argentino, sem camuflar o entusiasmo entre referências.

Depois dos chilenos Luciano e Villalobos, a bacia da Prata fervilha e, de lá, saem nomes como Franco Cinelli, Damián Schwartz, Federico Molinari, Ernesto Ferreyra, Guti... E todos eles estão interligados. Um faz mix pro outro. Lançam em selos comuns e apostam numa identidade cosmopolita. Produtores sim; latinos? não necessariamente.

Disso, Guti fez um track poderoso de 8 minutos - o "Salsón"- com Damián Schwartz, outro argentino promissor. Aqui, segue-se uma latinidade orgânica que só aparece nas sutilezas, numa linha de baixo bombada acompanhada de piano etéreo. Um crescendo de la salsa harmônico. Coisa de sangue, bem longe de estridentes vocoders.


Guti é músico. Gosta de - e toca - jazz. Nos anos 90, lotou estádios na Argentina com as bandas "Jovenes Pordioseros" e "Intoxicados"; hoje, só toca em live e tem uma pasta dedicada a Ray Charles em seu myspace, ao invés de fotos de divulgação. E a gente fala aqui com o moço que faz live nesse sábado no Mothership, projeto que dessa leva trouxe Seph, Franco Cinelli, Jorge Savoretti, Ernesto Ferreyra, Barem, o coqueluche da M-nus, e agora Guti, que faz live este sábado.

rraurl: Você tocava numa banda de jazz. Como caiu no techno? Há algo que um estilo te proporciona e o outro não?
Guti: Dançar muda totalmente meu ponto-de-vista. E encontrei no techno um espaço para me expressar. É um universo livre. Conto histórias, toco piano, gravo músicas... Me perco em possibilidades. Sobre ter "caído" no techno, acredito que seja um caminho natural que eu, como músico, buscasse novos sons.

Guti


Instrumentos acústicos também abrem possibilidades na sua música ou não faz essa distinção? Estamos sentindo uma tendência bastante orgânica ultimamente...
Para mim, é a única maneira. Eu componho house utilizando os mesmos elementos que usaria numa orquestra. Gravando instrumentos para sentir a energia certa, por exemplo.

Como descreveria a cena argentina hoje? Dá pra ver grandes produtores vindos de lá, você, o Franco Cinelli. Sempre foi assim ou é um movimento recente?
O Franco é sensacional. Ele realmente tem algo de especial. Eu me sinto muito orgulhoso por termos produtores como Franco, Ernesto Ferreyra, Damián Schwartz, Federico Molinari. Ser produtor na América Latina é realmente "hard trip". Não sei como, mas novos talentos estão surgindo a todo o momento.

Você lançou pela "Raum...Musik", "Desolat", "Mupa". Como se deram essas conexões?
O Damián Schwartz me abriu muitas portas. Foi o primeiro cara que realmente confiou na minha música. Vamos lançar outro EP pelo "Raum...Musik" em setembro. Já o "Desolat" [selo do Loco Dice], foi muito especial porque eles possibilitaram o lançamento do meu primeiro álbum solo num grande selo. O Loco Dice está me apoiando bastante, ele realmente gosta da minha música! hahahaha. Estamos preparando dois vinis em 12 polegadas com sete faixas para serem lançadas em outubro e eu estou muito feliz com isso. O Dice é meu amigo e uma referência e é realmente difícil de acreditar que ele toca as minhas músicas quase toda a noite

Por que só tocar em live?
Sob o meu ângulo de música e da pista, eu tento ter um feedback das pessoas e, a todo o momento, interajo, e isso é possível com o live. Há a chance de fazer algo diferente toda a noite. Posso tocar o que a pista quer ouvir, mas, claro, de maneira diferente, mantendo a minha linguagem, o meu som.

O que anda ouvindo?
Oscar Peterson, meu primeiro herói do piano sempre, Michel Camilo, Frank Sinatra. De gêneros do eletrônico, Guillaume & The Coutu Dumonts, meu amigo Ray Okpara e Damián Schwartz.

Serviço
Mothership @ D-Edge
sábados, 08/08/09, 0h
DJs Talking Props, Guti
R$60 entrada
Com lista, R$ 40 até 1h / após, R$ 50.
Mais infos aqui.

Monique Oliveira
Monique Oliveira
demo.nique
comentários
6 comentários
Mary Zander
Mary Zander(13.08.09)
0AprovadoQueima
adoro a música dele. salsón é poderosa meeeesmo... o legal é que sua produção tem um toque original. seja pelo piano, por uma levada latina, um toque de merengue, um vocal maluco. pena que ele se apresenta pouco aqui em Buenos Aires.... sueeeerte Guti!!
Itallo (Razi)
Itallo (Razi)(10.08.09)
1AprovadoQueima
Não tenho nem o que falar sobre essa trupe, a américa latina tem parido muita música boa e de qualidade surpreendente....Guti é um dos meus ídolos da atualidade! Sobre a tendência orgânica??? Vida longa a ela, a e-music nunca esteve tão bela, tão abrangente e tão encorpada!
CAio C B
CAio C B(10.08.09)
1AprovadoQueima
Ele esta muito bem acompanhado e apadrinhado por produtores hermanos muito bons, e olha a "escola'' dele JAZZ!
João Samam
João Samam(10.08.09)
2AprovadoQueima
Os bons ventos do rio da prata sempre trazem alguma coisa muito boa! Guti vem nessa nova safra de ótimos produtores!
Imperdível!!!
Motor
Motor (07.08.09)
4AprovadoQueima
Então... Damián Schwartz, Federico Molinari, Ernesto Ferreyra (Foda!), Guti... Táquepariu, meu fiii! Com excelentes referências como estas o nego 'pisa' bem (e firme) até em solo lunar.
Deus! Quando teremos a sorte de conferir artistas deste naipe aqui no meu Ceará?!

Opa! Loco Dice já veio!