Dupla de Los Angeles segue à risca o termo house em "bloghouse", e segue criando versões muitas vezes melhores que as originais: Phoenix, Ting Tings, Holy Ghost!...
Desembarcando em Los Angeles, na ensolarada Califórnia, dá para encontrar boas festas num roteiro fervilhante que emana de West Hollywood para o mundo uma dance music atual, estilosa (hipster também), divertida, glamourosa e frívola, num paradoxo jovem-cultural-social que só seria possível na terra do cinema blockbuster, do Coachella e do verão norte-americano. É de LA uma dupla de jovens produtores e DJs que tem feito bastante barulho com seus remixes nos últimos meses: o Classixx.
Formado por Michael David e Tyler Blake, o projeto chamava-se antes Young American e focava sua atuação em mash-ups e electro, mas mudou de nome após ameaça de processo de uma trupe de dança de Orange County que possuía o mesmo nome. O Classixx nasceu fruto da safra electro-banger-maximal, mas deixou o hard electro de lado para entregarem-se a uma sonoridade mais sossegada e, ahn, "fina": disco music e house, e synth-pop (sem mofo oitentista) agora dominam as produções, imagine um jovem e promissor Aeroplane sendo formado nos EUA.
Dá para colocar juízo de valor, dizer que o som atual é uma evolução notável: do EP
Classixx de 2008, que era um proto-Justice com Kris Menace feelings, brotou uma sensação disco baleárica de low-BPM no remix de "Lizstomania" (
Phoenix), que eu não pensei duas vezes em dizer que é melhor do que a original na
resenha da 7ª coletânea Kitsuné. É a versão para tocar na pista, as notas daftpunkeadas são letárgicas, o pitch foi para baixo de uma cintura mais rebolante e a sensação pop foi ainda mais polida na mão dos jovens rapazes. Ouça.
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Phoenix - Lisztomania (Classixx Version) (mp3)
"Para este remix e para a maioria dos outros que fizemos nós só pegamos o vocal e trabalhamos como se o autor viesse para nós e dissesse 'aqui estão os versos, agora escrevam a música'", explica Taylor em uma troca de mensagens via MySpace. "Nós conseguimos montar um set-up com dois sintetizadores: um Dave Smith Prophet '08 para para coisas 'polysynths', e um Dave Smith Mopho para sons mono.

Nós também temos uma coleção muito boa de hardware antigo, de guitarras e microfones para gravação. Estamos muito feliz com essa estrutura."
Com o Classixx dá para sacar melhor como é um bom remix: não é necessário reinventar a roda em 50 novas camadas e concepções, basta manter a identidade original inserindo a sua oção musical (pode ser pelo vocal, pela base, por uma série de loops e efeitos marcantes, e etc.). Perguntado sobre remixers históricos que influenciaram, Talyor lista Larry Levan e François K, que "já fizeram os remixes mais bem feitos de todo o tempo. O pessoal da DFA também já fez coisas sensacionais, assim como o Simian Mobile Disco. E mais recentemente nossos amigos do Holy Ghost! e do Aeroplane parecem que estão mandando bem a cada trabalho feito."
Deste modo, percebe-se onde o Classixx quer estar e quem eles seguem. E para completar esta formação musical, ele conta como pegaram gosto pelos sons dançantes após anos de bandinhas de colégio, local em que Taylor e Michael se conheceram. "Já faz alguns anos que desistimos das bandas e nós naturalmente começamos a produzir os sons de agora. São várias influências que moldaram nosso som: coisas antigas como Prince, Talking Heads, Michael Jackson e Kraftwerk. Antigos releases de disco music em selos como Prelude, T.K. Disco tec, e coisas mais contemporâneas como Phoenix, Stuart Price, Daft Punk e DFA."
A DESFIGURAÇÃO, VIA ACAPULCOÉ fato que o Classixx estorou com o remix para o Phoenix, mas a lista de versões é bem prolífica e bacana. Para
a nova do Holy Ghost!, eles também fizeram uma melhor que a original, tirando a animação synth-electro (um Pet Shop Boys enrustido) num synth-pop new romantic 80s em sua "Acapulco Nights Version". É sensual e, hm, classudo, e aqui é justificável o uso de wayfarers. Numa empreitada curiosa, eles conseguiram tirar qualquer patuá dancehall do Major Lazer e jogaram água de melissa em "Cash Flow", transformando Diplo e Switch num synth-trance águado, irreconhecível.

Ainda com um ranço banger, mas misturado em alma dance (fãs de Lady Gaga vão gostar), tem o remix para Beni e sua "My Love Sees You", que já era hit na bloghouse em 2008. Aliás, perguntado sobre o termo, Talyor diz não saber do que eu falava, mas opina que "os blogs tem exercido um papel grande na maneira como as pessoas ouvem nova música hoje, gosto do fato de que a degustação e o
trendsetting estão muito mais na mão dos fãs do que na de críticos esnobes". Ponderado, ele se contrapõe logo em seguida dizendo: "o lado ruim, no entanto, é que todo mundo é um crítico agora".
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Classixx - I'll Get You (feat. Jeppe) (mp3)
A ambição da banda é estabelecer-se como produtores e tocar mundo afora - lançar muito material, diz Taylor -, e já dá para ter um preview de uma sonoridade 100% própria da dupla: "I'll Get You" (feat. Jeppe) é cantarolada e grudenta, boa para pistas e podcasts - perfeita para mixar com "Cross the Dancefloor", do Treasure Fingers. De novo, é uma evolução considerável para um sonoridade própria (claro, imersa numa cena já bem grande e rentável), fugindo tanto em remixes e produções do jeito Justice-banger de ser, porque como dizia Fergie, isso é "tão 2008".
E voando de volta a LA, Taylor diz não saber se a cidade de fato se tornou um polo de nova dance music, mas admite que, de modo geral, você encontra diversão qualquer dia da semana. "E é nossa casa, então nós estamos quase sempre discotecando ou saindo para algum lugar onde nós ou nossos amigos estejam". A lista vai longe, porque além dos citados aqui, tem versões para Fischerspooner, Guns'n'Bombs, Shwayz, Shiny Toy Guns e, em breve, Yacht e Drop the Lime. Prepare-se para ouvir o nome desta dupla por um bom tempo ainda.
barulhinho boom
Gostei Bastante das faixas.