Confessa: assim que você leu o título na matéria começou a tocar na sua cabeça "Go downtown with the drugs in my body / Step back up on the life of the party / Go downtown with the drugs in my body"...
Pois é, depois de escutar
"Drugs in my body", hit indie-dance do
Thieves Like Us - no
Kitsune Maison Vol. 4, em remixes do
The Twelves,
Designer Drugs,
Teenagers,
Just A Band,
The Bang Gang Deejays e de mais uma penca de gente - chegou a hora de conferir ao vivo e a cores. Sim! Porque,
como noticiamos aqui antes, o Thieves Like Us toca na próxima edição da festa Crash of Colors no próximo dia 01 de agosto, no Clube Glória.
Flash Content
Thieves Like Us - Drugs in My Body (Teenagers Remix) (mp3)
O trio é formado pelos suecos Pontus Bergue (bateria) e Bjorn Berglund (teclados), e pelo norte-americano Andy Grier (voz). Eles se conheceram em 2002, num piquenique em Berlim, onde compartilhavam dos mesmos perrengues: pouca grana, problemas com a língua e com a cultura alemã e insucesso com as mulheres. No mesmo ano se tornaram DJs, mas nada da sorte virar: na época, os berlinenses torciam o nariz e tapavam os ouvidos para tudo que não fosse techno ou electro, o que fazia com que os ecléticos sets dos caras - krautrock com italo disco com David Bowie com Factory Records com hip hop - era visto como algo quase criminoso. Mas, nada como o tempo...
Hoje, sete anos depois, as coisas parecem ter melhorado. Em entrevista exclusiva para o rraurl.com, Andy conta que agora eles não têm mais que trabalhar como garçom para pagar o aluguel e que o público, inclusive alemão, se acostumou com a montanha russa de BPMs que é o set dos caras. O vocalista também fala das aventuras e desventuras que teve no Brasil em 2006, quando veio acompanhando a galera do Ladytron, do disco novo
Again and Again (programado para janeiro), de poesia, Cindy Lauper, e de quebra ainda revela qual sua música predileta do Thieves Like Us.
rraurl: Ouvi falar que vocês encheram o saco da cena de Berlim, arrumaram suas coisas e mudaram-se para Londres. É isso mesmo?Andy Grier: Hahaha... não! Mas é um pouco verdade. Nós fomos para Londres, depois para Nova York e depois para Paris. Agora, Born mora em Paris, eu moro em Berlin e Pontus mora em Viena.
Vocês ainda têm que trabalhar em bares e em outros trabalhos para conseguir viver? Como é a rotina de vocês? Ffazer música é o nosso trabalho. Passamos os últimos sete meses acordando ao meio-dia e trabalhando no estúdio para o nosso próximo álbum. Nos fins de semana, fazíamos tour por outros países da Europa e depois voltávamos para trabalhar mais no disco.
"Drugs in my body" foi um tremendo hit, ganhou remixes de diversos nomes. Ela é sua música preferida?Não, eu gosto mais de "Headlong Into Night":
Há alguma estética sonora específica que vocês buscam alcançar? Suas produções me lembram uma coisa meio retrô-futurista, Bowie-esque.Sim, retrô-futurista está certo. Com um pouco de space rock e disco... mas ainda pop no fim das contas. Um bom exemplo é "Girls Just Want to Have Fun", da Cindy Lauper. Se você tirar os vocais, é uma faixa bem espacial...
Em Berlim, as pessoas não entendiam muito bem seus sets, reclamavam que vocês tocavam hip hop, que a playlist era eclética demais. Vocês ainda escutam reclamações ou, em tempos de mashup, isso ficou no passado?Finalmente, as pessoas estão mais mente aberta, mas demorou um bocado! Eu estava discotecando em berlim semana passada e toquei Wham! Todo mundo amou.
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Thieves Like Us - Juicy mixtape (mp3)
Vocês se preocupam com as letras das músicas, o que não é muito comum na cena de dance music. Tambén ouvi falar que você gosta de poesia, é verdade?É muito importante ter boas letras. É uma outra camada na música. As letras devem sustentar-se por si só. Em poesia e literatura, eu gosto muito de Pablo Neruda e Phillip K. Dick.
O álbum Play Music (2008) foi gravado entre Nova York, Berlim, Viena, Londres, Estocolmo e até no nosso Rio De Janeiro. Alguma memória sobre o Brasil que você gostaria de dividir?Bem, foi como um sonho. Eu bebi cachaça demais e estava tentando acabar as letras de três músicas. Eu passei a maior parte dos meus dias no Rio me acabando na Lapa. Eu fui numa escola de samba e perdi meu cartão de consumação e eles não queriam me deixar sair de lá. Eu fiquei preso do lado de fora do meu apartamento em Santa Teresa (bairro no Rio de Janeiro) e tive que dormir na rua. Eu arrastei uma pobre menina para um hotel de cinco estrelas e bebi o frigobar inteiro. Ainda estou pagando o meu cartão de crédito por causa dessa viagem, mas rendeu boas letras.
Como é a performance ao vivo de vocês? Que equipamentos são usados?Temos uma bateria eletrônica, um sintetizador, uma guitarra e eu cantando. Um pequeno computador dispara as linhas de baixo, pois não temos baixista.
O que podemos esperar do show de São Paulo?Tomara que vocês respondam ao som do cowbell! Nós tentaremos fazer as coisas de um jeito bem funky para vocês. Eu amo o Brasil!