William Gibson e o livro que criou o termo ciberespaço e a ideia de uma rede global de computadores.

Há 25 anos o escritor
William Gibson lançava seu primeiro livro. Não imaginava ele, àquela altura, que tal obra não só fosse dar início à uma nova forma de manifesto, como também imaginar (e inspirar) o que nós hoje conhecemos como o cyberespaço e a rede global de computadores, a world wide web.
Inspirado - entre outras coisas - pelo filme Blade Runner, Gibson fez de seu
Neuromancer a obra máxima do gênero
cyberpunk, escrevendo histórias num ambiente onde inteligência artificial, realidade virtual, engenharia genética e a relação entre homem e máquina eram discutidos muito antes de fazerem parte da cultura popular.
A HISTÓRIA"Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais"
Henry Dorsett Case é um jovem que abandonou a vida de hacker (que no livro são chamados de "cowboys") à força depois de cometer um grave erro motivado pela ganância, tentando roubar seus superiores. Estes envenenam Case com uma microtoxina que danifica seu sistema neurológico, impossibilitando-o de se conectar à Matrix, a rede global de computadores. O jovem vai a procura de uma possível recuperação em várias clínicas clandestinas na cidade de Chiba City (Japão), acabando com todo o seu dinheiro sem obter qualquer sucesso. No fundo do poço, encontra Molly, uma verdadeira luz no fim do tunel em seu destino e que lhe oferece a cura em troca de seus conhecimentos de informática. E é a partir daí que toda a trama se desenvolve, com diversos personagens e situações surgindo a cada passo - e culminando num final surpreendente.
A IMPORTÂNCIA DE NEUROMANCERO livro é considerado a obra mais fundamental do universo Cyberpunk, com muitas pessoas inclusive dizendo que Gibson foi o inventor do mesmo. Ganhou diversos prêmios importantes e foi um dos maiores responsáveis por colocar de vez o gênero ficção-científica dentro da literatura moderna. Sua importância dentro deste gênero o fez ser indicado pela revista Time como um dos cem melhores livros escritos em língua inglesa desde 1923.
Neuromancer também foi o responsável por tornar popular termos que hoje em dia ouvimos em qualquer lugar, como por exemplo a palavra "cyberspace" - criada pelo próprio Gibson em sua obra "Burning Chrome" de 1982, mas que apenas em Neuromancer começa a chamar a atenção.
Jack Womack, escritor e responsável pela introdução publicada na reedição de
Neuromancer no ano de 2000, declara que a ideia de Gibson a cerca do cyberespaço pode ter sido uma das principais influencias dentro da qual a Internet se desenvolveu, em especial a ideia do termo World Wide Web. Numa busca rápida na Internet pode-se encontrar dezenas de teses de doutorado desvendando cada detalhe da obra, provando ser um dos livros mais geniais do nosso tempo.
Neste sentido, não é necessário muito tempo até que se perceba a ligação entre
Neuromancer e a trilogia de filmes
Matrix - que por sinal comemora dez anos agora em 2009. Não há como negar que Matrix é uma releitura da obra de Gibson com um novo olhar, mais abrangente. Seria Neo o novo Case? Seria Trinity uma nova encarnação de Molly? Bem, isso é assunto pra uma bela - e longuíssima - discussão.
Outra grande influência de
Neuromancer pode ser vista nos animes japoneses dos anos 90, como os cultuados
Akira, a série
Ghost in the Shell e
Metropolis.
Na música? Daí a lista é tão longa quanto. Dos animados Sigue Sigue Sputnik à turma nervosa da EBM e do Future Pop, passando por Devo e Nine Inch Nails, o universo cyberpunk sempre foi um tema recorrente.
Neuromancer é o primeiro exemplar de uma trilogia chamada "Trilogia do Sprawl", que continua depois no livro
Count Zero e em segudia,
Mona Lisa Overdrive. Felizmente o livro foi lançado em diversas edições e formatos no Brasil, sendo facilmente encontrado em grandes livrarias e sebos espalhados pelo país. A última edição é da editora Aleph, de 2008. (ISBN: 8576570491)
CYBER + PUNK????W. Gibson

O termo foi primeiramente usado na obra homônima de Bruce Bethke em 1984, mas foi somente em
Neuromancer - lançada no mesmo ano, que o termo ganhou força. Força suficiente para tornar-se uma manifestação artística, onde a cibernética e toda a sua fauna de andróides, microchips e inteligência artificial se uniam ao universo punk das drogas, violência, não-conformismo e anarquia para lidar com a decadência do mundo moderno. Sua influência causou impacto não só nas páginas dos livros e histórias em quadrinhos como também no cinema, música, moda, artes plásticas e, é claro, a informática.
"Os personagens do cyberpunk clássico são seres marginalizados, distanciados, solitários, que vivem à margem da sociedade, geralmente em futuros despóticos onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informação computadorizada ambígua e a modificação invasiva do corpo humano", descreve o acadêmico e autor Lawrence Peterson.
Entre os escritores mais celebrados do gênero estão William Gibson,
Neal Stephenson,
Bruce Sterling,
Pat Cadigan,
Rudy Rucker e
John Shirley.
A partir da segunda metade dos anos 90 o cyberpunk acabou se diluindo e se dividindo em diversas outras escolas literárias e filosóficas, abrindo espaço para outros universos como o steampunk (assunto de um próximo rrgeek) e o biopunk.
Tô louco p ler Mona Lisa Overdrive..
Ótimo post! Amo muito!
Tenho e li Neuromancer 3 vezes, agora vou atrás dos outros dois títulos! :D