Casal de Los Angeles escreve mais um capítulo na saga oriental do dance punk étnico
Omar Souleyman não
passou por aqui de brincadeira: o dance-punk/indie mais criativo do momento tem sido gerado em coloridos caleidoscópios étnico-orientais. Do intelecto afro-batuque do Vampire Weekend ao caos metalinguístico e abrasivo do
Gang Gang Dance - resvalando aí no
swing subsaarianos do minimal house -, a antropofagia sonora entre a música ocidental e as especiarias do outro lado do planeta não vão parar tão cedo.
Quem tem chamado a atenção nos últimos meses é um projeto de Los Angeles (epicentro da miscigenação estadounidense), o
Rainbow Arabia. Dupla formada pelo casal Danny e Tiffany Preston, que lançou um par de EPs nos últimos anos e se prepara para agora em julho lançar seu primeiro álbum, completo e autoral.
Tudo começou em 2008, quando Danny cansou de fragmentar idéias na confusão diária de bandas grandes, e descobriu afinidades musicais babilônicas com sua esposa, que divide, além da voz, o comando de toda a multinstrumentalidade da banda.
O berço de tudo é, claro, a Internet, que aproximou sons de todo o planeta a Danny e Tiffany, como se uma grande seção de world music "bloghouseira" baixasse em seus iTunes, e seus corações. Um dos ímpetos que criou esta Arábia colorida foi o selo/rádio da Costa Oeste
Sublime Frequencies, que traz a música jovem e alternativa de rincões - foi de lá que o casal conheceu Omar Souleyman. Encantados pela disseminação independente das fitas do músico sírio, e também pela insana composição ao mesmo folclórica, pop e dançante de sua música, o Rainbow Arabia gravou uma música em sua homenagem, e justamente daí começou a se apresentar em pequenos estabelecimentos e rodar pela web. Veja o clipe de "Omar K".
RAINBOW ARABIA - OMAR KWORLD MUSIC NO DOS OUTROS É REFRESCOA influência vai da sisudez experimental do pós-punk (Joy Division) e algum ritmo global escolhido: no caso, África e Oriente Médio. O nome lúdico pode apontar certa inocência, mas a dupla espanta a crítica anti-hype de world music, fortalecendo que a busca pelo estrangeiro exótico é interessante pelas novas formas de composição musical. "Em 2008 muitos artistas provaram isso", dizem eles
no MySpace, listando
El Guincho, Late of the Pier,
The Big Pink e claro, Gang Gang Dance, banda que eles acompanharão em turnê futura.
THE RAINBOW ARABIA MILITA

O EP recente é
Kabukimono, e transporta certa sensualidade de funk 70s nigeriano para a introspecção cabeçuda das guitarras oitentistas. "Haunted Hall", "Holiday in Congo" e "I Know I See I Love I Go", que você ouve logo ao pé da matéria, são bons exemplos: mais dopadas que o histérico Gang Gang Dance, hipnotizantes e de certo ar amador, um rock folclórico e de descompromisso regional.
Tiffany soa por vezes como uma cambojana estricnada, Dengue Fever
meets M.I.A., e a guitarra universal do dance punk serve a quem não quer saber de africanismo. Toda uma profusão de sabores musicais, que confirmam o já clichê da globalização de que as fronteiras não existem mais.