Bruno Pronsato só quer fazer música
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Bruno Pronsato só quer fazer música
Entre Berlim e Seattle
27.06.09 09:55
O último álbum foi do começo de 2008, Why Can't We Be Like Us. E Bruno Pronsato, moniker do produtor norte-americano Steven Ford, segue, despretensioso, no que dá pra chamar de muita coisa, mas que, por convenção, acabou caindo no grupo de produtores de techno ditos conceituais que se refazem em tracks imaginativos e calmos, não pensam na pista -em tese- e, quando o fazem, só através do Ableton.

Sim, muito da sutileza do minimalismo é tido como monotonia conta-gotas. Muito do conceitual -seja lá o que isso quer dizer- se definiu, inúmeras vezes, como um contraponto do que não é 100% dançante. "Paro pra pensar; logo, o conceito existe". Assim, com seu primeiro LP - Silver City (2004)-, ele veio com a promessa do orgânico sobre o synth, foi tido como o responsável por dar um turning point na linearidade e o pacote recebeu o disputado carimbo "concept".

Mas Steven Ford é um cara que troca discos nas ruas de Berlim, bate palma no estúdio pra criar "conceitos" e se desdobra em tempo para produzir samples originais. Ele não necessariamente pode vir com a promessa de alimentar os sedentos por novidades. O EP que tá para ser lançado agora em julho, "The make up the break up", é bem Bruno Pronsato mesmo. O remix que fez para a "Shine" do Louderbach (Troy Pierce e Gibby Miller) é ele e suas sutilezas.

Avante ou não, ele volta neste sábado para um live no D-Edge e respondeu umas perguntinhas por e-mail.

RR: Você foi baterista de uma banda de rock, fez uma série de remixes e seu nome foi muitas vezes acompanhado pelo aposto: "Bruno Pronsato, a nova era do minimal". Como tudo isso se junta musicalmente falando? O que é o Bruno Pronsato?

Steven Ford: Bom, eu penso que o Bruno é sobre fazer música. Ou melhor, música dançante. Eu não sou do tipo que faz som pra bombar pista. Quando eu trabalho, eu quero fazer música, sem nenhuma intenção por trás disso. É só sobre o som pura e simplesmente. Se o que eu produzo faz as pessoas dançarem, perfeito.

Também lançou recentemente o selo "thesongsays" com a promessa de uma faixa de 38 min para ser lançada esse ano. Pode adiantar alguma coisa?

Eu penso que o track é um pouco mais contemplativo do que as pessoas estão acostumadas, mas os que já ouviram comentaram que é o normal do Bruno Pronsato, mesmo que eu ainda pense que vá a outra direção. Vou deixar essa decisão aos ouvintes...

The Make Up The Break Up - Homework Festival, Bologna. 21 de maio


Como acabou na produção? Pode nomear algum "portão", algo que tenha ouvido e pensado "vale a pena fazer isso. É um diferencial"?

Pra mim, o que REALMENTE me fez começar a produzir com toda a força foi a coletânea 'Ponyslaystation', do Pantytec [Projeto dos alemães Mario Uwe Radecki e Thomas Franzmann, lançado em 2002 pelo selo Perlon]. Esse álbum foi tão criativo, despretensioso, libertador... Senti que levaram o techno para uma nova direção. Ainda ouço bastante.

Sai muito? O que gosta de ouvir nas pistas? O que ouve em casa?

Eu não saio muito, viajo bastante e quando estou em casa quero realmente descansar, ler um livro. Ando ouvindo muito música clássica nos últimos cinco anos quando estou em casa. À noite, caio no pop dos anos 90 - outra paixão minha.

E sobre Seattle? Há uma cena local forte de festas, produtores?

Sim, tem uma cena grande em Seattle. Um dos maiores festivais de música eletrônica acontece lá: o Decibel Festival. É um grande evento com muita coisa à frente e vanguardista em música. Também há bons produtores. Mas, no geral, eu penso que o som hoje em dia vai mais para o techno - geralmente rápido, pesado. Eu nunca pertenci à cena de lá. Quando comecei a produzir, fui morar em Berlim.

A Alemanha acabou sendo melhor para se lançar internacionalmente?

Berlim é mágica. Tem uma vibe musical altamente positiva. As pessoas realmente gostam de música, pesquisam. E, pra mim, foi mais interessante ainda porque elas gostavam da música que eu estava a fim de produzir. Há uma comunidade de artistas muito estimulante. Você encontra pessoas, troca discos antes de serem lançados. É muito bom fazer parte de tudo isso.

Além do repertório, o que mais faz parte da sua criação? Há um princípio-guia para, talvez, manter uma identidade?

Eu tento sempre manter as faixas calmas e sensuais. Essas são as duas regras que me guiam. Acho que tem funcionado até certo ponto. Sobre softwares, eu uso o Logic para produzir e o Ableton para tocar. E também alguns hardwares.


Sua música é modesta, despretensiosa... Ao mesmo tempo, no entanto, vem um barulho do fim da linha de baixo e você se pergunta: "O que é isso, de onde veio". E tem muita coisa orgânica, soa meio Miles Davis no laptop...

O que é orgânico é realmente orgânico. Mas difícil mesmo diferenciar. Tem muito de bateria que eu toquei há anos e acabei jogando em muitas faixas. Todas as palmas sou eu mesmo no estúdio inventando. Eu penso que pegar um tempo extra pra pensar em samples próprios e originais dá certo estado bruto, inacabado, cria um efeito interessante. Só a reverberação natural de uma sala, por exemplo, dá um calor inédito para um mix. Você ficaria surpreso.

Monique Oliveira
Monique Oliveira
demo.nique
comentários
5 comentários
Audioviva
Audioviva (21.07.09)
0AprovadoQueima
Acho importante pensar, tb, nao só fazer músisa pra dançar (como ele mesmo citou.)
As vezes percebo isso...se nao for pra pista, nao serve!
e nao é nada disso! É muito mais!

miniaml organico, glitch ambient techno, whatever, é bom mesmo!
Tiago Rangel
Tiago Rangel(27.06.09)
1AprovadoQueima
isso sim e minimal!
irregular, devagar, organico e inteligente!
o mundo seria melhor se isso fosse o pop das pistas.
Miles e otima!



ViniBaccin
ViniBaccin(27.06.09)
1AprovadoQueima
Gosto Pacas hein.....
Modern Process
Modern Process(27.06.09)
2AprovadoQueima
tinha quase certeza de que as levadas de bateria eram dele mesmo , agora tenho certa com a confirmação, pra mim o diferencial das faixas do Bruno são essas levadas de bateria acústica e alguns vocais soltos meio doidos nas faixas.

vide:
Osvaldo ( aka Bruno Pronsato) - Valeria No More Vampire - Underl_ne

boa entrevista !