Do metal ao groove, as várias possibilidades musicais de Juliani, como DJ e produtor
Nesta semana, continuamos a saga baladeira do CASE pelas pistas de São Paulo. Depois de destacarmos um
DJ do clube D-Edge, agora xeretamos as músicas de André Juliani, funcionário e residente do Vegas, ali na Augusta. Em mais uma década de carreira consolidada por aquela nuance imperceptível entre techno e house music, ele conquistou uma legião de fãs (e tatuagens).
Juliani trabalha nos bastidores do Vegas desde 2005, quando foi escalado para cuidar da programação do clube, da captação de novos projetos e da direção artística e agenda internacional, tudo ao lado de
Facundo Guerra. Nessa mesma época surgiu sua festa "A Máfia", mensal. E ele toca a cada 15 dias na já tradicional noite rocker da casa, o Rockfellas (quintas), com o codinome Hematoma. Uma boa oportunidade para conhecer o lado roqueiro e essencial de Juliani, que antes de cair nas pistas da cidade era baterista.
Abordamos com o DJ sobre música de pista e também seu lado produtor, com destaque para o recente EP
Rulio, lançado de forma independente e com patrocínio. Seis faixas exibem um outro além techno e bem longe das baquetas: eletrônica easy listening, breaks, grooves, electro e 2step. Juliani faz também uma breve regressão aos primórdios de sua carreira, e conta fatos curiosos, como quando estabeleceu contato com o pessoal do Underground Resistance. Enjoy!
Conte como surgiu o EP "Rulio" e como você pretende divulgá-lo e distribui-lo. Produzi as faixas do "Rulio" no final de 2008, e no começo de 2009 surgiu a oportunidade de fazer o EP físico. Eu não tinha planos para um CD, queria mesmo fazer as faixas e hospedá-las nos MySpaces da vida e mandar para os selos dos amigos, DJs e alguns parceiros que eu tenho na gringa. A marca de bebidas Jägermeister me ofereceu um patrocínio e achei bacana fazer um registro além do virtual.
A arte de "Rulio", por Hugo Frasa

Pude masterizar em um estúdio muito classe, e o disco tá batendo bem. Ele pode mostrar um pouco mais do meu trabalho com música, é bem hip hop, break, downtempo.... Não pretendo divulgar o EP além das 200 cópias que fiz, mas espero até o final do ano lançar um de techno.
Escolha as duas faixas prediletas do EP e fale um pouco sobre elasGosto bastante da "Boney", que aliás estará em um set do DJ Dex, do Underground Resistanc,e só com electrofunk e breaks e que será lançado por um selo de Detroit - mas ainda não sei qual. Gosto da levada dela e consegui um bom groove com poucos elementos. O grave é quase subsônico, tanto que não é em qualquer soudsystem que consigo ouvir o bass...Não sei se isso é bom ou ruim, mas é isso.
Flash Content
André Juliani - Boney [Love You] (mp3)
Outra faixa que eu gostei é a "12". É o único 4 X 4 do EP, mas com BMP bem baixo, quase soulful house com elementos sci-fi. É a única faixa que eu toquei um instrumento, um piano bem sincopado, o resultado ficou bacana. Eu não sei tocar piano, mas quando se trata de programação e edição, a gente se vira...(risos)
Flash Content
André Juliani - 12 (mp3)
Seu som tem ido além do techno e do house, abraçando disco music e até o pop, como você me disse um dia. Fale um pouco sobre essa "mutação"?Não sei se é bem uma mutação, mas acho que o público - especificamente em São Paulo -, está mais aberto para ouvir novos sons além de house e techno. Tanto que na Máfia não tem um gênero musical definido. Fazemos freestyle de música dançante. Desde dub, hip hop, house, flashouse, techno, electrofunk... Uma maravilha pra quem gosta de música boa e tem a cabeça aberta!
Eu sempre escutei de tudo e confesso que hoje em dia, onde "todo mundo" faz música munidos de seus Ableton da vida, está muito difícil de encontrar música de qualidade (estou falando de techno). A música boa existe, mas o garimpo é muito maior. Lembro de meados de 2000, 2002 onde eu era obrigado a deixar de comprar alguns EPs e álbuns que eu queria porque já estava com a sacola cheia e ainda precisava pagar as contas (risos). Hoje em dia é um trampo de formiguinha. Por isso é muito difícil encontrar novos artistas que consolidam uma carreira, com vários lançamentos e tal - sempre aparece um "artista relâmpago" que lança um som foda, mas desaparece em seguida....
Acho que o lance das pessoas escutarem novos sons tem a ver diretamente com os DJs, porque são eles que injetam música nas pessoas. Mas acredito que seja um ciclo, pois eu mesmo ando numa fase technohead de novo!!
Três faixas de disco (neo ou old school) e três coisas do pop que você toca fácil, fácil. "Billie Jean" do Michael Jackson (track monstra, atemporal. Toda vez que escuto o bicho pega e deixa qualquer mixagem irada!)
"Homocompatible" - Discodeine, de 2006
"Coffeebreak" - Betty Botox, de 2005
MICHAEL JACKSON - BILLIE JEAN
UM TRIBUTO RRAURL.COM/ANDRÉ JULIANIE fora a música eletrônica, o que você tem ouvido de bom no geral? Como eu disse, sempre escutei de tudo. Reggae, dub, dubstep, cumbia, jazz, rock e trash Metal. Adoro Metal, inclusive umas tranqueiras que ninguém nem chega perto, como Brujeria,
Burzum (black metal norueguês bem desgraçado, rsrs). Acho que música é uma coisa ocasional, tem sempre uma música boa para cada momento da vida. O importante é ouvir música de qualidade, bem feita.
O Mr. Gil falou aqui no site que o lance do tech-house aqui em SP foi forte por causa do Pix. Quais faixas você mais lembra lá do clube e quais são mais a cara do tal tech-house?Nossa, agora você e o Gil me pegaram. Primeiro é uma honra saber que o Pix teve essa importância, pois eu nem sabia que era tanta. Acho que contribuimos de alguma maneira sim. O que pode ter feito a diferênça é que naquela época a gente impunha um conceito e o público era praticamente obrigado a absorver aquele som. A gente tocava muito minimal em uma época onde ningúem nem pensava em falar sobre o assunto... Artistas como Baby Ford, Mark Broom, Maurizio, são tantos. Mas o engraçado é que no Pix a gente tocava basicamente house e deep techno, e acho que techouse é fazer uma mistura de house e techno homogênea. Acho que nunca comprei um disco dando um search em "techouse".
Quais são os DJs que você mais reverencia? Aqui do Brasil, Mau Mau, DJ Alfred, Erik Caramelo e Renato Lopes. Na gringa, Jeff Mills e Laurent Garnier.
Li que, quando o DJ Alfred faleceu, você ficou com vários discos dele. Como foi essa herança e quais coisas boas (faixas, artistas ou ambos) você poderia destacar?Essa foi a Mega Sena que eu ganhei. Lembro que em 1998, ano que o Alfred faleceu, eu estava tocando há somente um ano e era tudo muito novo, ainda mais que eu vinha de um universo totalmente diferente. Eu não frequantava clubes. Sempre fui rockero, só ia em shows....
Alguns amigos pessoais do Alfred que eram meus amigos também guardaram um case dele com mais ou menos 200 discos. Era uma caixa de plástico daquelas iguais do Ceasa cheia de labels como Transmat, Underground Resistance, F Communications, Moody Records, DJ Rush, DJ Sneak, Advent, R & S, Electrofunk, Warp, Elektroids, Aphex Twin. Enfim, muita coisa foda!!! Isso foi o alicerce para o estilo que segui e que mantenho até hoje. Não pelos artistas em si, mas sim pelo calibre dos produtores e selos.
Fora que tinham alguns white labels que eu demorei anos pra descobrir o que era (risos).
(foto de Cuca Pimentel)

Quais faixas mais atuais são perfeitas para a pista do Vegas (foto)?Posso falar da Máfia. Acho que cada festa é uma nova surpresa. Desde "Billie Jean" do Michael, "Organ Donor" do DJ Shadow, ou algum release recente do Underground Resistance. Se for bem construído, tornam-se faixas perfeitas.
Vamos terminar pelo começo. Faça um resumo de sua carreira nas pistas.Em 1997 fui pela primeira vez no Hell's Club. Resultado: fiquei alucinado com aquela energia toda. Eu nunca tinha visto até então nada igual com toda aquela gente dançando totalmente conectada ao som do Mau Mau. Acho que dias depois da minha estréia como clubber lá estava eu na galeria Ouro Fino pesquisando e comprando meus primeiros singles na Techno Records. Comprei um par de tocas discos Gemini e um mixer muito vagaba....Eu nem computador tinha em 1997. Na mesma época veio o case do Alfred. Uma piração!
Em 98 inaugurei o Pix, onde criei a verdadeira paixão por música de club, onde as pessoas começaram a me conhecer e formalmente comecei a carreira. A partir daí, toquei nos principais clubes do país, fui agenciado por Hypno DJs, SmartBiz, Clunk DJs e outras agências. Toquei também em quatro clubs diferentes no México, Argentina algumas vezes, Chile e alguns outros lugares bem bizarros, mas que eu deixo para uma próxima convesa, rs.
Em 2000 comecei a produzir, fiz trilhas para desfiles das semanas de moda de São Paulo e Recife. Acho que foi em 2002 que mandei uma track minha para o Underground Resistance sem a menor pretenção. Só queria o feedback dos caras, mas tive uma surpresa e tanto. O Mad Mike (general do quartel UR) respondeu meu e-mail com muita generosidade e gastou o seu tempo em escrever uma linda carta dizendo que meu som era ótimo e que eu estava no caminho certo. Disse também que eles queriam expandir o exército UR para a América do Sul, e que eu era um forte candidato para a vaga, hahahaha. Parece loucura mas é verdade! Ele me prometeu um single e estou esperando até hoje.
O Mike disse que artistas como DJ Skurge e DJ Dex chegaram a mandar mais de 20 tracks antes de entrar para o time.
E nesses anos tive a honra de ter tocado ao lado de artistas que eu sempre admirei: Laurent Garnier, Ricardo Villalobos, Carl Craig, Aril Brihka, Daniel Bell e vários outros.
Mini-Juliani convida...

AGENDA
27/jun - Máfia @ Vegas
02/jul - Rockfellas @ Vegas - Hematoma set
11/jul - Clash Club
24/jul - Woof System @ Alameda
25/jul - Máfia @ Vegas
PS: Onde antes era o Pix, na rua Alagoas (Higienópolis), agora é uma franquia do "Melhor Bolo de Chocolate do Mundo". Que na verdade é um musse.
O cara é bom! =)
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Parabéns pelas tracks Juliani -;)
Adoro ouvir boney[love you].
[]'s
HZ
Go Juliani!