Monstros saltam de dentro do sound system do trio para o espanto da preguiça digital
Às 16 horas de um árduo dia de militância virtual um bando espera pelo correio que não chega. Em meio do caos alfandegário nacional, a encomenda bate à porta. Nem tão intacto quanto gostariam, mas pesado, do bom. Já podem estourar o rojão da semana: os graves fresquinhos chegaram. Mais um tijolão com muitas gramas de acetato passou pelo faro da Polícia Federal.
A vida dos DJs e artistas gráficos Hugo Frasa e Bruno Belluomini é intensa, tirando teias e monstros de sound systems de São Paulo. Identificados como Subcut, os caras são o manifesto real do
Tranquera.org. O já famoso braço virtual, casa dos podcasts de locução cômica, acaba de
ganhar blog no Portal da MTV brasileira.Mas basta conhecer o nível internacional desses maus-elementos para sacar que é necessário arranjar tempo para trocar e-mails diários com produtores do naipe de
Benga e
Cardopusher. Fazem tudo para saber onde está a melhor paranga (leia-se masterização) da semana. Se você curte queimar um CD, o barato do Belluomini é cortar dubplates de suas faixas para testar "de verdade" na pista.
A fumaça que mais inspira a discotecagem dos caras é a de um bom centro urbano. A sujeira do maquinário de São Paulo é a Jamaica obrigatória do Subcut, que já aterrorizou porões paulistanos ao lado de
Daedelus (Ninja Tune) e
Elemental (Hotflush).
"Acabamos trazendo a panela de pressão de cimento para dentro dos porões e alçapões cidade afora. Muitas produções de dubstep parecem ter saído de dentro do Metrô em horário de pico. (VJ Ninguém e DJ Hugo Frasa).
O dubstep não é música para headphones, então a divulgação vai na contramão, apertando o knob do foda-de para a cultura do iPod. Mas o trabalho vira diversão de gente grande na experiência sensorial que encabeçam. O ritual do Subcut nas pistas cultua a sincronia a/v dos baixos epilépticos com os flashs imagéticos do VJ Ninguém.
O terceiro homem de terno e gravata é peso-pesado das projeções, outro apaixonado pelas baixas freqüências do espectro sonoro. A responsabilidade de Ninguém é dilatar as pupilas com o caos rítmico das cidades cinzentas, embalado por um som que às vezes é mais sentido pelo corpo do que notado pelos ouvidos.
Abaixo, você confere esse "um, dois" com a galera que passa por cima do conforto cotidiano da música digital, sem medo de buffering lento.
rraurl: Qual a importância da projeção em um ambiente de imersão sensorial nos subgraves? VJ Ninguém - A minha idéia é tentar integrar o peso sonoro e sensorial. Eu sempre tento produzir imagens que carreguem um significado quando assistidas junto com a música e sentidas com o grave. O que forma o Subcut como audiovisual é a importância dada ao vídeo durante o acontecimento, a "experiência" seria muito mais fraca sem isso. A imagem irá aonde o som levá-la.
O dubstep é assimilado geralmente como uma versão eletrônica do dub. Mas a pegada do Subcut, cheia de tensões, flerta pouco com elementos "relaxantes" do roots. O meio urbano caótico da grande São Paulo é mais interessante do que a ilha esfumaçada originária? DJ Hugo Frasa - Acho que não tem um lugar mais interessante que o outro. Na ilha esfumaçada, quanto na babilônica São Paulo, existem paranóias, brigas, barulho e um bando de maluco correndo atrás do seu adianto. Tenho uma vasta coleção de álbuns de reggae, rub-a-dub, ska e afins. Mas muitas produções de dubstep parecem ter saído de dentro do Metrô em hora de pico.
VJ Ninguém - Pessoalmente, mais pelo fato de eu ter vivido minha vida inteira em meio aos zumbis na metrópole. Não acho que seja uma coisa mais interessante que a outra, é mais uma questão de referência e vivência. Quanto à invasão, acho que a rua é quem invade o Subcut. Acabamos trazendo a panela de pressão de cimento para dentro dos porões e alçapões cidade afora.
Se existisse um lugar perfeito para invadir, como seria? VJ Ninguém - Um cemitério (risos). Acho que levantaríamos alguns corpos ali. Ou algum galpão abandonado bem corroído pela podrice da cidade.
artwork assim não tem na web

Como artista gráfico, tem alguma capa de disco que você acha que tem tudo a ver com a música lançada? DJ Hugo Frasa - Gosto muito de capas! Vou te falar que as capas de dubstep são as mais feias do mundo (risos). Tem uma capa boa feita por um amigo meu, o Bruno 9li do
novo disco do Vex'd bem boa.
O Subcut tem um acervo único de dubstep em vinil no país, que resulta na forte pressão sonora ao vivo. Dá pra dizer que vocês formam um coletivo "anti-Mp3"?DJ Hugo Frasa - A música quando é boa não existe época, toca até gastar! Sempre compro vinil, não só dubstep. Vai desde um Roland Kirk, Fela Kuti até um The Who. Mas não é uma questão "anti-Mp3" até porque eu baixo muita música em blogs e torrents da vida, se gosto mesmo vou até a China buscar o disco.
Subcut é uma festa única.... só quem foi sabe....
sonzera de primeira, fora a galera que é muito, muito bacana!!!! firmeza total!
fico muito contente de fazer parte dessa viagemmmmmmmmmm
ótima pauta/entrevista Marmitex!!!!
;)