A seção de negócios do Daily Telegraph soltou um
improvável mas impressionante dicionário da dance music semana passada, depois do editor de economia do jornal,
Edmund Conway, sugerir que altas finanças e cultura rave são "parceiros naturais".
"Realmente, você não vê muitos economistas suando na pista da Fabric ao som de trance pesado num fim-de-semana qualquer (pelo menos é o que imagino) mas as duas coisas estão intrinsecamente ligadas por um fato incontestável: o miasma de jargões e terminologias que formam esse universo", declarou o guru financeiro, que começou seu "dancesaurus" com o verbete HOUSE. "Estou convencido de que isso é usado em larga escala para evitar outsiders".
A lenda do techno francês
Scan X (Stephane Dri) tocou no assunto em uma entrevista para o Skrufff há alguns anos, onde admitiu que ele raramente socializa com "o pessoal da house music", pelo menos na França. "As pessoas (da house) se fecham em torno de um pequeno círculo, onde só são aceitas pessoas que fazem e gostam do mesmo tipo de música. É meio estranho, mas é a realidade em Paris", conta. "Eu não me importo. Na Inglaterra você pode encontrar pessoas em festas que seguem o drum'n'bass ou gostam de house e não tem grandes diferenças entre si. Você consegue conversar com todos. Mas você nunca vai encontrar esse mix de pessoas na França. Eu lembro de explicar isso para um inglês e ele responder que 'na Inglaterra nós bebemos cerveja e somos felizes, enquanto na França você bebe vinho tinto e não sorri'."
Mais recentemente Stephane terminou a engenharia de audio do disco mais recente de
Laurent Garnier Tales of a Kleptomaniac, com quem andou falando sobre a cena parisiense da
Ed Banger, admitindo não estar muito impressionado. "Eu gosto de algumas coisas - não estou dizendo que é tudo lixo - mas muito do que é produzido hoje simplesmente não me diz nada", Garnier disse ao site residentadvisor. "Eu sinto que é mais um monte de marketing do que qualquer outra coisa. É por isso que eu acho que o dubstep é das coisas mais excitantes musicalmente, porque sinto que esses caras estão fazendo essa música pelas razões corretas", disse o produtor francês.
O dicionário da nova dance music do Telegraph apareceu ao mesmo tempo em que o guru musical Gilles Peterson descartou o selo "world music", explicando que prefere chamar de "global beats". "Termos como 'world music' são muito antigos" disse o DJ da Radio 1 para o Independent no último domingo, "é só uma questão de atualizar a marca um pouco".
A propósito, aqui no Brasil também bebemos cerveja! :D