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A verdade econômica da dance music
Jargões e terminologias em excesso afastam outsiders, diz economista inglês
28.05.09 10:10
A seção de negócios do Daily Telegraph soltou um improvável mas impressionante dicionário da dance music semana passada, depois do editor de economia do jornal, Edmund Conway, sugerir que altas finanças e cultura rave são "parceiros naturais".

"Realmente, você não vê muitos economistas suando na pista da Fabric ao som de trance pesado num fim-de-semana qualquer (pelo menos é o que imagino) mas as duas coisas estão intrinsecamente ligadas por um fato incontestável: o miasma de jargões e terminologias que formam esse universo", declarou o guru financeiro, que começou seu "dancesaurus" com o verbete HOUSE. "Estou convencido de que isso é usado em larga escala para evitar outsiders".

A lenda do techno francês Scan X (Stephane Dri) tocou no assunto em uma entrevista para o Skrufff há alguns anos, onde admitiu que ele raramente socializa com "o pessoal da house music", pelo menos na França. "As pessoas (da house) se fecham em torno de um pequeno círculo, onde só são aceitas pessoas que fazem e gostam do mesmo tipo de música. É meio estranho, mas é a realidade em Paris", conta. "Eu não me importo. Na Inglaterra você pode encontrar pessoas em festas que seguem o drum'n'bass ou gostam de house e não tem grandes diferenças entre si. Você consegue conversar com todos. Mas você nunca vai encontrar esse mix de pessoas na França. Eu lembro de explicar isso para um inglês e ele responder que 'na Inglaterra nós bebemos cerveja e somos felizes, enquanto na França você bebe vinho tinto e não sorri'."

Mais recentemente Stephane terminou a engenharia de audio do disco mais recente de Laurent Garnier Tales of a Kleptomaniac, com quem andou falando sobre a cena parisiense da Ed Banger, admitindo não estar muito impressionado. "Eu gosto de algumas coisas - não estou dizendo que é tudo lixo - mas muito do que é produzido hoje simplesmente não me diz nada", Garnier disse ao site residentadvisor. "Eu sinto que é mais um monte de marketing do que qualquer outra coisa. É por isso que eu acho que o dubstep é das coisas mais excitantes musicalmente, porque sinto que esses caras estão fazendo essa música pelas razões corretas", disse o produtor francês.

O dicionário da nova dance music do Telegraph apareceu ao mesmo tempo em que o guru musical Gilles Peterson descartou o selo "world music", explicando que prefere chamar de "global beats". "Termos como 'world music' são muito antigos" disse o DJ da Radio 1 para o Independent no último domingo, "é só uma questão de atualizar a marca um pouco".

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
10 comentários
Concordo, o excesso de sub-gêneros só atrapalha, pincipalmente para aqueles que são novatos no mundo da dance music gostam de tudo um pouco, sendo vistos com maus olhos pelos que já se consideram "mestres" no assunto. Eu mesmo gosto de dance music há anos e gosto muito das chamadas "modinhas", mesmo que ainda considere algumas delas ridículas. Existem bons trabalhos sendo tocados em rádios e não podemos ignorá-los só por preconceito.
A propósito, aqui no Brasil também bebemos cerveja! :D
Juliano Brandão
0AprovadoQueima
Mais interessante do que comentar os muitos sub-gêneros da música eletrônica (que sempre existiram), ou dos maus produtores - idém - é ir lá no link conferir o economista dando uma de Simon Reynolds, e, mais legal, até que fazendo direitinho.
Leandro Bionic
Leandro Bionic(29.05.09)
-4AprovadoQueima
A peneira está maior a cada pesquisa que faço, dentro do cenário da dance music existem tantos sub-generos, onde fico pensando quem são estes criadores, e qual conceito usam para criar tal sub-genero???? Na minha opinião isto tudo é modismo, e cada vez mais as qualidades das produções estão ficando piores, produtores e mais produtores surgem todos os dias, músicas horrendas são lançadas, e um monte de paga pau correndo atrás deles, onde se passam alguns meses eles somem, e deixam um rastro podre para trás. A tecnologia agrega muitas facilidades no processo de criação de uma música, mas ao mesmo tempo proporciona que qualquer zé mané, com um conhecimento mínimo em informática possa ``criar'' uma música. E o resultado disso, é o que vivemos hoje, só lixo disponivel para comercialização, e poucos artistas de qualidade.
Cj Hal
Cj Hal(29.05.09)
1AprovadoQueima
É por isso que eu deixei de me importar com "cena" e essas balelas... Vi que estava bem velho pra compactuar com sectaristas/wikipedias ambulantes do meio , pois sou do tempo em que era tudo house ou techno... Nego se importa tanto em criticar que o Dj começou com uma linha" tecnho detroit classica" e caiu pra um "minimal de berlin" e isso nao era certo pq XYZ motivo... Afe, cansei desses criticos musicais de pista de dança, que quando fazem as proprias festas não seguram 20 na pista, pois afinal ele toca um som "serio" e "engajado" o que significa musicas de 9 minutos de loops "undergrounds" que ninguem aguenta.
Fabio Martins
Fabio Martins(29.05.09)
-3AprovadoQueima
A sub-sub-sub divisão dos sub-gêneros da dance music é bacana para quem está envolvido profundamente com ela, seja vc DJ, produtor ou um aficcionado de verdade. Como o @Jarrier mesmo falou ali embaixo, um site especializado dividiu em 5 classificações principais e elas se ramificam. Mas fico imaginando o trabalho que deve dar pra essa galera que constrói o site de pescar os novos rótulos que surgem a cada dia. E não duvido que o novo hype que vá surgir nos próximos minutos será a infame LAN HOUSE, como já disseram por aqui antes, hahahahaha!!!