Sampleados pelo The Field em sue novo single, banda escocesa continua essencial.
O que mais qualifica um grupo ou artista para entrar definitivamente na categoria de "
legendary" é o fato de seu som ser reconhecido à distância por sua originalidade e talento. E essas são qualidades que o Cocteau Twins tem de sobra. O Cocteau até hoje é uma daquelas "bandas do coração" de muita gente, daquelas que a gente sempre vai ter pelo menos um disco inteiro no iPod e que nunca vai ser deletado.
Junto com o New Order e o The Smiths, o Cocteau foi das bandas mais importantes da cena independente inglesa dos anos 80. Como parte da pequena - mas extremamente prolífica - gravadora 4AD, a banda foi das que mais vendeu discos e que gerou uma infinidade de clones e artistas influenciados por sua muralha sonora etérea. A agora que os caras do The Field samplearam os riffs distorcidos da banda
em seu mais novo single "The More I Do", é a hora perfeita para dar uma rápido apanhado geral na história deles.
Formada em 1979 na cidade de Grangemouth (Escócia), a banda teve como primeira formação os músicos Robin Guthrie (guitarra) e Will Heggie (baixo), juntamente com os vocais de Elizabeth Fraser. Heggie deixou o grupo em 1983 e foi substituído por Simon Raymonde, que permaneceu na banda até seu final.
Entre 1982 e 1996 o trio lançou nove álbuns e vários EPs, todos elogiadíssimos pela crítica e que também atingiram um ótimo sucesso de vendas. A principal característica do som do Cocteau era indiscutivelmente os vocais de Elizabeth, que num tom agudíssimo entoava sons que eram incompreensiveis e pareciam fazer parte de uma língua própria criada por ela em meio a uma montanha de guitarras distorcidas e um clima atmosférico, como se estivessem envoltos num eterna nuvem de fumaça branca. Alguns chamavam esse estilo de
"dream pop", outros de
"ethereal pop", mas na verdade, o Cocteau Twins era apenas o Cocteau Twins.
PRA ENTENDER O COCTEAU TWINS - álbuns essenciaisGarlands (1982)
O primeiro álbum do Cocteau se difere de seus próximos trabalhos por ter uma forte ligação com a emergente cena pós-punk e gótica da época. Mesmo assim, a sonoridade característica da banda já dava seus primeiros sinais de brilho. Faixas como "Wax and Wane" e "Garlands" tocaram à exaustão nas pistas mais modernas da época, colocando o nome da banda nos holofotes.
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Cocteau Twins - Wax And Wane (mp3)
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Cocteau Twins - Garlands (mp3)
Treasure (1984)
Já o terceiro disco da banda, lançado em 1984, temos o Cocteau Twins totalmente submerso no pop etéreo e
dreamy que virou sua marca registrada. Não há como achar erro em faixas como "Lorelei", "Persephone", "Ivo" e "Pandora", cheias de distorções misturadas aos vocais angelicais e indecifráveis de Elizabeth, batidas fortes e um certo clima surreal/misterioso, perfeito para um dia chuvoso.
Treasure é sem dúvidas um marco na história do
dream pop.
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Cocteau Twins - Lorelei (mp3)
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The Cocteau Twins - Ivo (mp3)
E não há obviamente como esquecer aquela que é para muitos a melhor música do Cocteau, a incrível "Crushed". A faixa foi gravada em 1986 e lançada apenas na coletânea
Lonely Is An Eyesore, só com artistas da 4AD.
Heaven or Las Vegas (1990)
O último álbum pela gravadora 4AD foi justamente o que mais vendeu, chegando ao sétimo posto da parada inglesa e produzindo hits como a faixa título, a genial "Iceblink Luck" e "Cherry-Coloured Funk". Os vocais de Liz já estão mais compreensíveis, e muitas das letras falam sobre a sua então recém nascida filha Lucy Bell.
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Cocteau Twins - Iceblink Luck (mp3)
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Cocteau Twins, Cocteau twins - Heaven or Las Vegas, Heaven or las vegas (mp3)
O FINAL DE TUDOO Cocteau resolveu colocar um fim à sua história em 1997 e desde então seus membros tem se lançado em diversos projetos, Simon Raymonde e Robin Guthrie volta e meia lançam novos discos e Elizabeth Fraser continua encantando com sua voz fazendo participações especiais em trabalhos de outros grupos, mais notadamente na inesquecível "
Teardrop" do Massive Attack.
Em janeiro de 2005 a banda tentou uma volta especialmente para o festival Coachella, mas o encontro acabou não rolando por causa de "problemas pessoais". Desde 2007 a banda tem produzido podcasts onde entre coisas apresentam faixas exclusivas que nunca foram lançadas. Ano passado, eles fizeram sua primeira aparição pública juntos em mais de dez anos para receber o prêmio "Inspiration" do Q Awards.
A banda se apresentou em São Paulo no finado Projeto SP em 19 de abril de 1991. O setlist do show não poderia ter sido melhor: "Blue Bell Knoll" / "My Love Paramour" / "Pitch the Baby" / "Cico Buff" / "Iceblink Luck" / "Sugar Hiccup" / "I Wear Your Ring" / "Pink Orange Red" / "Ella Megalast Burls Forever" / "Aikea Guinea" / "Love's Easy Tears" / "Orange Appled" / "Lorelei" / "Crushed" / "Heaven or Las Vegas"
A INFLUÊNCIAÉ visível a influência que o Cocteau exerceu no som de todas as gerações de bandas inglesas que usaram e abusaram das guitarras distorcidas e vocais femininos agudos e que se espalharam desde a cena
shoegazer dos anos 90 até o pop de hoje. Curve, Lush, Slowdive, My Bloody Valentine, Pale Saints, Ride, o
dream pop delicioso do Cranes, e até mesmo Björk e Fever Ray beberam muito na fonte encantada do Cocteau. Isso sem contar obviamente a maioria absoluta de artistas do chamado "ethereal gothic" de gravadoras como a
Projekt.
Fever Ray - "When I Grow Up"
Slowdive - "Shine"
Lush - "For Love"
4AD
4AD é o nome da mítica gravadora fundada em 1979 por Ivo Watts-Russell e Peter Kent com recursos vindos da não menos mitológica Beggars Banquet Records. Ativa até hoje, a 4AD conseguiu fincar seu nome na história da música tendo em seu casting nomes que variam desde o Bauhaus até o Beirut, passando por Stereolab, TV on The Radio, The Breeders, Dead Can Dance, Birthday Party, Gus Gus, Pixies, Thievery Corporation, Lush, This Mortal Coil... a lista vai longe.
Gracias!