Argentinos que não tem medo do popular levam o mais famoso ritmo latino às pistas
Em tempos de antropofagia étnica cultural, o bastard pop vê a evolução ser desencandeada em divertidos contextos geosociais. Depois de baltimore club, funk carioca, kuduro e outros elementos musicais oriundos de lugares como Caribe, África ou Balcãs, é da América Latina - mais em particular da Colômbia e de Buenos Aires - que vem mais um interessante ritmo dançante em fusão com a jovem cltura alternativa. É a cumbia eletrônica do coletivo portenho
Zizek, que é coletivo, noite fixa, plataforma de DJs e um soundsystem, grupo que se apresenta ao vivo em shows animados e, mais recentemente, turnês pomposas, que já passaram por Europa e pelo último Coachella, festival americano que rolou em abril último.
O Zizek (ou ZZK) foi formado pelos DJs e promoters Villa Diamante, Grand e Nim, que estavam cansados com a onipresença imposta de hip hop, techno e da própria cumbia nos clubes, que na Argentina é um disseminado ritmo popular - a comparação direta com a música brasileira seria pagode, samba e o forró de Calypso. "Nós trouxemos a idéia freestyle para os clubes em que hip hop, reggaeton, dancehall e cumbia poderiam coexistir sem problemas", lembra Villa Diamante. "Tudo com um espírito bastard pop, mixado sem julgamentos. Outro atrativo de nossa noite é que convidamos sempre dois convidados para tocar, uma maneira que esses DJs e produtores que usam a cumbia como ferramenta poderiam despontar. Alguns eram mais eletrônicos até, como o El Remolon", conta.
O jovem El Remolon, aliás, inicia uma mini-turnê brasileira este fim de semana, trazendo em termos oficiais o espírito Zizek ao Brasil pela primeira vez (veja o serviço ao pé da matéria). Ele também conversou com o rraurl.com, e explica o contexto cultural e a assimilação da cumbia com ritmos mais "modernos".
"Qualquer um que cresceu querendo ser diferente da maioria não ouvia cumbia, porque ela está em todos os cantos de Buenos Aires. E é um ritmo que as pessoas odeiam, porque significa o oposto do modernismo e é muito brega. Como DJ eu nunca havia tocado cumbia antes, mas como as pessoas sempre pediam nas festas, acabei tocando, e percebi como esse som tem um gostoso groove dubby, especialmente a
cumbia villera (denominação para a vertente "gangsta" do gênero nas periferias porteñas)", narra Remolon. "Então eu comecei a criar experimentos com a cumbia com a mesma técnica que criava música eletrônicas, com samples e o espírito desse gênero".
El Remolon y la vida buena

Desta fase mutante de sua carreira como produtor surgiu o LP
Pibe Cosmo, lançado ano passado pela ZZK Records e que chamou a atenção de núcleos ligados em regionalismos dançantes como a
Mad Decent, selo de Diplo. Dá para perceber nuances da cumbia romântica e outros experimentos mais inorgânicos em suas faixas. Ouça.
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El Remolón - 4 - Se fue a la villa (feat A (mp3)
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El Remolón - 9 - Revienta (feat Fauna) (mp3)
ORIGENSA gênese da cumbia remete à colonização espanhola na costa do Caribe, em específico na Colômbia (a etmologia do ritmo vem de
cambé expressão afrohispânica), e sempre foi marcada pela ritmicidade percussiva, oriunda dos escravos negros. Adicionou-se aí o popularesco de violas, acordeons e clavas, além dos versos e cantorias, puxadas por aquele conhecido como gaiteiro, tipo comum até ao funk carioca de hoje. A disseminação seguiu América Hispânica afora, e na Argentina o boom da cumbia foi agravado após a crise econômica de 2001, quando dezenas de milhares de pessoas foram rebaixadas às camadas mais pobres das cidades argentinas. "Na vila em que cresci, você pode ouvir cumbia nos carros passando na rua. Meu vizinho ouvia cumbia romântica, no supermacado ouvia-se Santafesina cumbia. Em Buenos Aires é o som que toca alto nas ruas.", relembra Villa Diamante.

"Eu não viajei muito pelo continente, mas imagino que cada lugar deve ter seu tipo de cumbia, com fortes raizes nos folclores, do México à Argentina". Musicalmente, a cumbia popular tem o apelo que o forró tem hoje no Brasil. Mas sua batida, quando agressiva, assemelha-se ao reggaeton. Seu jeito
cheesy de ser está mais para os tambores caribenhos e sua dança do que pelos versos, fazendo com que seu correspondete ainda mais direto no Brasil seja o tecnobrega do Pará.
E a apropriação que o ZZK faz de mash-ups e do modernoso neo synth-pop de hoje é providencial e tem dado lucro (eles se tratam como "nu cumbia"; repare no design da capa da última coletânea do grupo, no topo desta matéria), mas não é novidade. A cumbia é um gênero que passou pelos anos 60 em fusão com o surf rock psicodélico e tem até sua variante "tecnocumbia",
muito popular no Equador, pelo que percebemos em nossas pesquisas online, e que é tão ginecológica quanto Carla Perez e Cumpade Washington.
O show que baixou no
Coachella mês passado irá para o Roskilde (Dinamarca) ainda este ano, e o Brasil só terá uma amostra da nu cumbia pelos sets de El Remolon. "O ZZK (no palco) é muito forte. São alguns de nossos artistas do selo decodificando a cumbia em sons eletrônicos (minimal, techno, dubstep)", empolga-se Villa, após contar de produtores que misturam o ritmo latino com minimal techno e até com Sonic Youth. Quando se trata do live de El Remolon, a coisa toda adquire um ar mais pista de dança mesmo. "Toco com laptop e um pequeno teclando em que adapto algumas faixas do meu álbum (
Pibe Cosmo), mais alguns remixes e mash-ups que eu faço para as pistas. E quando é possível, toco alguma percussão e convido cantores e MCs".
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Oro11 - Macumbiabass (mp3)
SERVIÇOEL REMOLON NO BRASILBAIXARIA @ VEGASSEXTA - 08/MAI - 23H59
SÃO PAULO
Felicio Marmitex, Bruno Belluomini, El Remolon (ZZK - Buenos Aires)
R$ 30,00
Vegas - Rua Augusta, 765
Todas as infos na agendaFlash Content
Daleduro - La Poli (mp3)
DANCING CHEETAHDOMINGO - 10/MAI - 20H
RIO DE JANEIRO
João Brasil, Pedro Steiler, Chico Dub, El Remolon (ZZK - Buenos Aires)
R$ 30,00
Lounge 69 - Rua Augusta, 765
Site OficialFlash Content
Uproot Andy - Brooklyn Cumbia (mp3)
ZZK CLUBTODA QUINTA, 23H59
BUENOS AIRES, ARGENTINA
Villa Diamante, Nim, El G e VJ Lucas DM + convidados semanais
$ 25 a 30 pesos
Voodoo Motel - Dorrego 1735 - Palermo
Site Oficial
bjs!
01/04/2007
:P