Em relação de amor e ódio com o mainstream brasileiro, maior agência do país incorpora nomões da MPB em seu catálogo e investe em selo próprio para seus artistas
Criada em outubro de 2006, a 3Plus Artists Management & Agency é fruto da fusão de três antigos expoentes da cena eletrônica brasileira: as agências Hypno, Sponge e Bulldozer. Mais de três anos depois, a 3Plus é um rentável sinônimo de grandiosidade - o que pode gerar tanto excelência na consultoria de artistas, controvérsia e até críticas sobre monopólio de seus artistas em eventos e na cena em geral. Além do agenciamento de DJs e artistas, a empresa é selo, publisher da revista
DJ Mag, presta serviços de relações públicas,
endorsement, mídia, e até de design (para atender às necessidades gráficas de sua gravadora recente gravadora, a 3Plus Music).
O mais recente passo da 3Plus rumo ao Olimpo do
booking brasileiro foi o "Departamento de Bandas", inaugurado em abril com cast bombado, de apostas modernosas como a banda
Copacabana Club, e também por nomões fortes da MPB "moderna": Daniela Mercury, Paula Lima, Fernanda Porto, Claudio "rolando B.B. King sem parar" Zoli, Arnaldo Antunes, o ex-vocalista do Cidade Negra Tony Garrido, Edgard Scandurra, o jovem pianista Vitor Araújo e até o icônico Jorge Ben Jor. "Esta novidade faz parte do nosso plano de crescimento estabelecido lá em 2006", explica Paulinho Silveira, ex-Hypno e um dos três diretores-sócios da agência, responsável pelos bookings nacionais. "Somos uma empresa de agenciamento artístico que nasceu com os DJs, mas que num futuro próximo esperamos cuidar até da carreira até de fotógrafos e artistas plásticos", vislumbra Paulinho, que se vangloria de seu passado clubber - "sou o dono da carteirinha número 001 do Hell's Club, uma pena que eu a perdi" e por ter colocado de pé a Hypno, "a primeira grande agência da América do Sul."
Curioso por esta nova fase da agência, o rraurl visitou semana passada o iluminado e bem decorado escritório da 3Plus no Itaim Bibi, São Paulo, que comporta quase 20 funcionários, incontáveis credenciais de eventos e quadros com postêres dos momentos áureos da agência: as edições 2004 e 2005 do Skol Beats e um cartaz promocionais do brasileiríssimo
EP LK, que em 2002 levou Marky & XRS a feitos históricos nos charts internacionais. No pomposo cast de DJs de Paulinho, Luiz Eurico Klotz e Edo Van Duyn, um "roster" de 96 artistas nacionais e outro de 16 turnês de músicos internacionais, que se fundem numa só lista extensa quando algum artista gringo torna-se artistas exclusivo deles no Brasil - caso de Joris Voorn, Technasia e Hernan Cattaneo. De Bibba Pacheco a Pil Marques, de Dada Attack a Life is a Loop e Eli Iwasa passando por Silvio Conchon, Raul Boesel, Paula Chalup, Gabo, Elton D, João Lee e The Twelves, é por lá que estão vários dos principais nomes da música eletrônica brasileira hoje.
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Mas é ainda com Marky, Renato Cohen, Anderson Noise - e mais recentemente Gui Boratto - a maior visibilidade da agência. Paulinho destaca outros nomes bem díspares, como Life is a Loop e Mixhell. "Eu sei como vender um artista, minha vocação é para vendas", define-se, lembrando que a 3Plus não tem investido tanto no cuidado diário da carreira de seus artistas. "Consigo sentir que um cara tem talento e sei trabalhar em cima disso". Ele exemplifica este tipo de cara com Fabrício Peçanha, "dono de um talento imenso".
Na biografia online da 3Plus, sua gênese é dita como "baseada na cultura musical de vanguarda". Mas é no crescimento superlativo, por vezes exagerado, da cena eletrônica brasileira que a agência alimenta-se e cresce, tornando-se uma referência nacional em termos de agenciamento. Dentro deste contexto está a aquisição de agências de outras regiões do país (saiba mais) e uma média de 400 bookings por mês. "Eletrônico é 99,95% do que a gente faz", enfatiza o diretor, explicando que é neste nicho de franca expansão que o Departamento de Bandas deve atuar, vendendo datas e gigs de DJs com a possibilidade de seus diversos clientes levarem um artista ou show para seu evento, se for desejado. "Primeiro nós soltamos o
roster de artistas para causar o burburinho, e agora esperamos atender e lucrar com locais e eventos que comportam tanto DJs como bandas", explica, listanbdo que este mercado pode estar tanto em aniversários de cidades, eventos corporativos e "até casamentos". Apesar de novo e sem exclusividade de artistas - tamanha a popularidade de alguns nomes -, o departamento de bandas já emplacou datas de Daniela Mercury no Paraguai e deve adicionar futuros nomes mais ligados à eletrônica, promete Paulinho.
Ele que prefere não entrar no espinhoso assunto de "vanguarda musical", ele reforça que a agência cresceu sem ter que avançar no ainda maior nicho do psytrance, dominado quase por completo em nível mainstream pela No Limits, do interior de São Paulo. O sucesso da 3Plus é também, segundo seu diretor, fruto de uma comercialização excessiva da cena no Brasil, que Paulinho não deixa muito claro se é um fator positivo ou negativo. "(O departamento de bandas) vem do fato que muitos clubes que tocam de tudo contratam nossos DJs. O problema é que o Brasil ficou muito comercial. Mas dentro desse contexto há boas iniciativas para o público premium, como o House Ship, por exemplo". A enxurrada de novas agências, DJs de última hora devoradores de charts do Beatport e filhos de donos de clubes que da noite pro dia viram DJs profissionais são coisas que o incomodam. Outra irritação é a exigência de diploma na lei que regulamenta o trabalho dos DJs - "isto é ridículo, por mais que a regulamentação seja positiva quando limita o excesso de DJs."
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Sobre as críticas de um "monópolio" com os artistas de sua agência, ele repete
o que já foi dito aqui no rraurl por Luiz Eurico Klotz. "Isso é apenas o pioneirismo, apenas mantemos nossa liderança no mercado", explica, lembrando que o giro neste mercado é grande, então DJs vêm e vão o tempo todo. "A exclusividade não está no papel", lembra. Ele diz que não insiste para que o nome das agências esteja sempre divulgado ao lado dos DJs, mas diz lutar pelos seus artistas e acha interessante a marca aparecer associada a um top DJ internacional. Fato é que tal incentivo da 3Plus para com seu cast resulta na imposição de DJs do "roster" da agência em noites de gringos bookados por eles, o que por vezes causa incômodo em muitos promoters, donos de boates e frequentadores da cena no geral.
SELO JÁ É LUCRO; PRODUÇÃO DE EVENTOS NÃO ESTÁ NOS PLANOSPor mais que Daniela Mercury e Claudio Zoli na 3Plus seja um curioso - para alguns espantoso - sinal dos tempos, é no selo já assimilado no cotidiano da empresa a promessa de investimento ascendente e coerente à orige da marca. Como hoje em dia todo bom DJ produz música, a empresa usa de sua estrutura para formatar, lançar e distribuir (ao lado de empresas como ST2) lançamentos de nomes como Gui Boratto, Marky, Mario Fischetti e Paulinho Boghosian. "Aqui nós pagamos mais rápido que o Beatport - lá leva seis meses, na 3Plus Music, dois", gaba-se Paulinho, revelando que as turnês de lançamento e festas de divulgação são a maior fonte de vendas dos álbuns, que serão comercializados em breve por uma loja online, a ser inaugurada ainda.
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Só em promoção de lançamento, o CD01 da 3Plus Music (
FschtT by Mario Fischetti) teria vendido 3 mil cópias, número mais que razoável para época de sobrevida dos CDs. "Os royalties estão embutidos no cachê do artista, e damos uns 100, 150 CDs quando ele é bookado para o clube distribuir. Isso gera uma engrenagem muito saudável e só nossa", explica, entusiasmado com o fato de que só a pré-venda de
Take My Breathe Away (Gui Boratto) vendeu mais do que o próprio
Chromofobia, de 2007. Num futuro próximo, Paulinho promete discos de Buga, Rodrigo Ferrari, Marky, do projeto Dance4Life e o já antes anunciado primeiro álbum de produções de Renato Cohen.
Pela curadoria artística feita por meio da pessoa jurídica de Edo Van Duyn, um dos sócios, e pela constante presença de artistas de seu cast no Skol Beats, a agência é relacionada diretamente ao principal evento nacional de música eletrônica, que em 2009 deve padecer em nome de novas sensações comerciais da Skol. Assim como a grande maioria dos leitores do rraurl, Paulinho também vê com tristeza o desmonte do festival, mas afirma que sua empresa tem cacife operacional e boas relações com os produtores do evento, estando assim prontos para caso o evento volte: "nós cuidamos de todo o booking do Skol". Mas uma produtora de eventos não estaria dentro dos nunca modestos planos de crescimento da empresa. "Você sabe quanto custa para montar um festival como o Skol?", pergunta Paulinho, citando a cifra em torno de uma dezena de milhões de dólares, dinheiro este que não está no caixa da empresa e também não seria levantado facilmente por seu staff, mais acostumado aos trâmites organizacionais de festivais já confirmados. "Definitivamente não pensamos em criar uma produtora, não é o que a gente sabe fazer, então não é algo que vá acontecer", diz em termos definitivos, espantando qualquer sonho utópico de festivais "powered by" 3Plus não só no booking, mas também em toda a produção.
TUNE: EX-FUNCIONÁRIAS DA 3PLUS CRIAM AGÊNCIA
A LUTA PARA EMPLACAR DJS DE TECHNO, O MERCADO FARTO E ASCENDENTE E O STATUS DE DJS INTERNACIONAIS E DONOS DE CLUBES
Não muito longe da sede da 3Plus, está instalada na Vila Olímpia desde fevereiro a Tune Music Agency & Management, nova agência de DJs criada por duas ex-funcionárias da 3Plus, Anna Candelaria e Tânia Saraiva. A Tune começou a nascer em 2008, quando Anna e Tania deixaram insatisfeitas seus empregos na 3Plus, e levaram consigo e junto de outros dois sócios um grupo de 10 DJs que hoje, depois de não entendimentos com seus outros parceiros, formaram apenas as duas a pequena empresa. "Em duas semanas nós tínhamos tudo: conta no banco, registro de marca, escritório...", lembra Anna, revelando que a maior fonte de renda da agência são os DJs nacionais. Os nomes internacionais serveriam mais para "ter algum status, já que não é sempre que dá lucro. Os próprios DJs acham que a agência tem um peso maior se tem gringo nela".
No cast da Tune estão Aninha, Crossover, Edgard Fontes, Ingrid, Julio Torres, Mari Rossi, Puff, Score U Live (Jason Bralli + Karina Maldonado), Snoop, Thiago Mansur e Vitor Lima. Os internacionais, adquiridos mais recentemente, são Kelly Marie, Milton Jackson, Dave Dresden, Elio Riso, Robin S, Ron Carroll, Fred Everything e The Shapeshifters. "Hoje o foco é house progressivo. Cinco anos atrás, era techno, naquela época um DJ de techno tinha 10 datas sempre, hoje é bem difícil", explica Anna, dizendo ser difícil bookar datas para bons DJs como Snoop. "É um trabalho de formiguinha emplacar o techno, mas é algo que eu faço por gosto pessoal sabe?".
Anna Candelária e Tânia Saraiva: ex-3Plus, sócias da Tune

Assim como na 3plus, os DJs da Tune não tem contrato formal de exclusividade nem mesmo para o repasse - DJs buscariam associar-se a uma agência ara desanuviar o dia a dia de questões burocráticas e buscas incessantes por datas.. "Hoje em dia tem muito DJ, é assustador, qualquer um agora do dia para a noite vira DJ", critica Anna, sem deixar de concordar que esse boom é também a razão pela grande quantidades de agências hoje em dia - ou seja, pela rentabilidade de seu próprio negócio.
Tânia Saraiva, a outra sócia, diz que a Tune não pretende ser grande - "na 3Plus a concorrência interna de uma centena de DJs era muito grande, a gente tinha que resolver muito pepino interno, tinha muita fofoca", conta, lembrando que, com o aumento exagerado do número de DJs no mercado, só estoura aquele que investir "mais em business e nas suas relações". O problema é que neste jogo de relações há jogadores com certas vantagens adquiridas,, como os donos das infindáveis boates para os mais abonados. Thiago Mansur é um exemplo, sócio e DJ da Pink Elephant (a balada do Ronaldinho, clube em que a música de Super-Homem é tocada para quem comprar mais garrafas de champagne), ele que está devidamente agenciado pela Tune desde o mês passado.
"Mesmo com a quantidade enorme de DJs, ainda há espaço para novas agências surgirem. É onde todo mundo quer estar, porque ninguém estoura se não estiver trabalhando, se não tiver bastante datas", opina Tânia no escritório da Tune, que se é bem menor que o da 3Plus, é tão bem decorado quanto o da concorrência e tão promissor dentro de suas intenções.
acho que negócios são negócios. Sinceramente não sei se contratar Daniela Mercury seria um bom caminho, mas pelo que me parece a 3Plus não tem nenhuma pretensão em ser uma agencia que forneça artistas para o "underground" ( até pq não faz muito sentido).
Mas gostei Jade, nem todo mundo aqui sabe o que está rolando no "backstage" da cena (como eu). Adorei as gurias da Tune e desejo sorte e sucesso pra elas.
os "artistas de vanguarda".