Florian Kruse: talento no sangue
Irmão de produtor, produtor é.
19.05.09 12:55
Florian Kruse: promessas da house music alemã para o ano de 2009. Irmão do produtor Vincenzo - ícone da eletrônica de Hamburgo desde meados dos anos 90 - Kruse lançou faixas pelos selos Urban Torque, Global Underground e Om, entre outros.
O DJ/produtor deu os primeiros passos na música depois de ganhar um toca-discos do irmão, aos 13 anos. Mas foi quando Vincenzo lançou as primeiras tracks pelo selo Raw Elements, de Steve Bug, que Florian decidiu seguir os passos do irmão mais velho.
rraurl: Como você começou a produzir?
Florian Kruse: Aos 16 anos comprei uma mesa Mackie de 14 canais, um sampler Akai S20 e um sintetizador Roland Super JV 1080 - e com isso eu e meu primo começamos a aprender. Aos 19, quando trabalhava na Public Propaganda (que elaborava as paradas de dance music na Alemanha) também consegui minha primeira residência como DJ, no clube Kabana, de Hamburgo, e comecei a ter acesso a mais material das gravadoras, contato com DJs e produtores. Isso me inspirou a trabalhar em minhas primeiras produções voltadas à house. Então, dois anos depois comecei o curso de engenheiro de áudio em uma faculdade aqui em Hamburgo, onde acabei lecionando durante alguns anos. Em seguida fui trabalhar em uma produtora de áudio chamada NHB, onde eu criava jingles e fazia locuções. Recentemente, eu e meu sócio Nils Nurnberg, alugamos um estúdio com equipamentos de última geração, bem confortável, inclusive com cozinha e sala de TV para relaxar e receber os amigos.
Além de Vincenzo e Nils Nurnberg, quem foram as pessoas-chave para sua carreira até o momento?
Um dos caras mais importantes foi Christian Larsson, da SoundZ Limited e dos selos Slip N'Slide e Kicking Records. Foi ele quem lançou minha primeira track - em parceria com Ciro Vesuviano - e acabou se tornando meu agente em 2007. Também tenho que mencionar Athens Stel, John e Kostas, da Dieb Audio, Basti e Toddie da Knee Deep, Leigh Morgan da Urban Torque, Alf Tumble e Combo da Heya Hifi e Robert Grega da Om Records. Esse mundo da música eletrônica funciona assim: você conhece uma pessoa que conhece outra, que conhece outra... e se suas produções chamam a atenção desses caras, surge a oportunidade de lançar alguma coisa pelos selos deles.
Você vem fazendo seus sets em diversos países da Europa, como Espanha, Inglaterra e Grécia, entre outros. Qual foi a apresentação mais memorável até agora?
As mais memoráveis foram as festas da Om Records e Freerange em Londres, no ano passado, quando toquei com Charles Webster, Jimpster, Paul Woolford e Matt Masters.
Sendo um adepto do vinil, em todas essas viagens, você não se cansa de carregar tanto peso? Não pensa em se render ao Serato, CDs, ou alguma outra tecnologia?
Bem, eu compro e toco muito vinil e planejo continuar lançando minhas faixas nesse formato. É uma sensação incrível segurar um disco antes de colocá-lo para tocar. O dia em que recebo meus lançamentos prensados em vinil do selo ou da distribuidora, me sinto como se fosse meu aniversário ou Natal, é bom demais! Além disso, eu percebo a diferença no som. Pode soar como um clichê, mas o som do vinil tem muito mais pressão e "calor", na minha opinião.
Por outro lado, ultimamente, 10% de meus sets é feito com CDs, que me dão a possibilidade de tocar faixas que ainda não foram lançadas e que recebo por e-mail, por exemplo. Não tenho nada contra o som das CDJs Pioneer, mas não gosto do Serato e do Traktor, que soam muito "magros" e digitais para o meu gosto. Acho que devem ser uma boa solução para quem tem problemas de coluna (risos).
Como anda a cena de Hamburgo, na sua opinião?
É legal porque é bem familiar, todos se conhecem. Outra coisa interessante é que todos os clubes ficam próximos um do outro, então dá pra ir a pé a vários deles e curtir um pouco em cada um.
Meu clube preferido é o Baalsaal, que tem ótimas festas. É um lugar escuro, com um jeitão bem underground e um sistema de som excelente. No andar superior, funciona o Neidclub , que também é legal, bem enfumaçado e que toca bastante disco.
Tem também o Ubel & Gefahrlich ("Malvado e Perigoso"), que é um velho depósito da II Guerra Mundial, onde o pessoal da DIYnamic costumava fazer suas festas mensais, com nomes como DJ Hell, Miss Kittin e Tiger Stripes. Foi aqui que Stimmimg, H.O.S.H. e Solomun iniciaram suas carreiras.
Para finalizar, quais os planos para o futuro?
Eu, Nils e Stel estamos trabalhando em um novo projeto chamado Wiretappeur. Temos também um EP de duas faixas (mais alguns remixes), que será lançado em breve pelo selo Fresh Meat . Pretendemos também trabalhar bastante em nossa produtora e nosso selo (Save Room Recordings), que já lançou faixas e remixes de artistas como Dualton, Scope, Scary Grant e Ciro Vesuviano. O próximo lançamento será do I/O, da Ucrânia, com remix de Jeff Bennett.
Em relação às apresentações, estou ansioso para tocar no Sónar Festival, em Barcelona, no dia 20 de junho pela Om Records.
Planos para o Brasil?
Adoraria tocar no Brasil, só ouço maravilhas daí, sobre a beleza dos lugares e das pessoas. Já tive e toquei alguns discos de latin house de produtores brasileiros, se não me engano.
Aos desavisados, que porventura caiam aqui nesse artigo: Isso não é house não, é techno com influências leves de house, techno com influências de minimal, deep techno. Vamos taguear direito as coisas, aí o povo vai aprendendo da maneira certa, e não repassa informação errada.