Verdadeiros bastiões do cenário house brazuca, Jota Wagner e Wander A estão com tudo: a edição mensal da Colors no Vegas sempre vai bem, produções vão parar em charts de gente Q-Burns e acabaram de estrear projeto novo chamado Colors Sound System. É sobre isso, e sobre onde ouvir boa música, que eles falam abaixo.
Antes de tudo, contem um pouco sobre o trabalho de produção que vocês estão fazendoJota Wagner: Já estou lançando músicas por aí desde 2007. As faixas tem ido bem, foram tocadas por gente boa como o
Andy Cato (Groove Armada),
Q-Burns,
Robert Owens,
Tommy Largo... Este ano comecei com o Wander o Colors Sound System, que é um projeto de apresentação em 4 picapes com o Wander usando o Traktor Scratch e tambem produzindo. Nosso primeiro disco sai em maio pela gravadora alemã
Conya, que já lançou um EP meu ano passado, alem de artistas que admiramos como
Milton Jackson,
Jay Tripwire,
Jay West, entre vários outros. Tambem estamos disponibilizando no
myspace e no
last.fm algumas produções menos pista, com bpms mais baixos, mixagens mais leves - coisas para se ouvir longe da pista de dança. Estamos também fazendo nosso primeiro remix de uma banda de rock, a
Sabonetes, de Curitiba. Com isso, queremos abranger um público maior e nos tornarmos os Verdadeiros Chemical Brothers, já que somos irmãos de sangue e gostamos de químicas como carne de vaca louca e gordura trans...
Wander A: ... além de químicas sonoras.
Jota Wagner: Todo mês apresentamos o show do Colors Sound System em nossa residência no Vegas e a recepção tem sido maior do que a expectativa, o que é ótimo!
A Colors é uma festa clássica da house music em São Paulo. Quais outras festas com musicalidade similar vocês vêem hoje? Wander: Tem a
Voyage, que acontece na Livraria da Esquina, dedicada à breakbeat e deep/funky house. Fora de Sampa tem o
Mansão Muzik, de Serra Negra e a
Discobox, do
Daniel D (em Belo Horizonte).
Jota: Tem tambem as festas do
Drezin em Brasilia, a
Mistura Fina. Voltando a SP, cito ainda o
Rafael Moraes, que vem fazendo festas com um conceito musical bem inteligente nas Deep e Sunday Sessions. Tambem incluímos neste pacote os projetos que realmente se importam com a informação musical que está sendo passada para o público: a
Baixaria (do
Marmitex e do
Bruno, nossa parceria no Vegas) e a
Freak Chic (do
Pareto e do
Ratier no
D-Edge), a Mothership (do China, também no D-Edge). Lembrei também da
Discofusão e Krek no Kraft, em Campinas, e as festas do povo do
Renan Mendes e do
Bogus em Curitiba. Isso citando só as que tem mais a ver com o nosso gosto musical...
Wander A: É importante dizer que estas são as que nos lembramos de momento. Acredito que há vários DJs e promoters fazendo noites em que a música é um dos elementos mais importantes e que ainda não tivemos a oportunidade de conhecer.
Jota: Temos visto muitas noites "abrirem o leque" de uma forma totalmente desordenada nos últimos anos. Por isso é tão importante festas provando que informação não atrapalha a diversão. Estamos vendo finalmente que o público de dance music underground amadureceu e começa a entender o que é bom e o que é ruim de ouvido. Afinal, já são quinze anos desta cultura desde o Hell's até aqui.
Quais são os top 5 artistas que estarão no case de vocês sábado? Jota e Wander:
Pete Dafeet, da Inglaterra, o
Honey Clows, que lançou o EP Brutality junto com o
Prztz mês passado pela nossa gravadora a
Lunatic Jazz, Audio Soul Project, que fazem um disco melhor que o outro desde a época em que a gente assistia Bozo na TV,
Milton Jackson... além das faixas do Colors Sound System, a sensação mundial da cena house em 2015!
E um hit que nunca falha numa pista da Colors? Wander: "Ripper" do Mark Trophy. O remix que eu toco é do Chrys Special... tem tambem a
"Chicago", do The Insatiables. Duas arrasa-quarteirão.
Jota: Atualmente acho que a nova do
Asad Rizvi, "Is That My Wig". Uma faixa boa como há tempos eu não ouvia.
Algum novo produtor DJ para ficarmos de olho? Jota: Bem, vou falar dos brasileiros, já que o Brasil é um dos paises que mais recentemente entrou na 'turma dos fodas' no mundo da dance music. Para quem ainda não ouviu, o
Anhanguera está fazendo um ótimo material de jackin' house. Um outro cara que tambem é bem considerado no mundo jackin' é o
Rafael Accorsi, de Serra Negra. Alem do já citado Rafael Moraes.
Wander A: O
Brazilian Soul Crew, de Taubaté, na linha do afro deep house, já foram charteados por gente como o
Loiue Vega, por exemplo. Não posso deixar de citar o próprio Jota Wagner, pois tenho tocado várias coisas dele que funcionam muito bem na pista.
Jota: O Brasil é a bola da vez quando se fala em noite e música, principalmente depois deste lance de mega crise mundial. Recebo de dois a três pedidos por mês de DJs internacionais querendo tocar na Colors. Vários DJs gringos, aliás, estão vindo morar aqui. Acho que só os brasileiros ainda não se tocaram disso. Tá na hora de valorizar e, mais do que isso, orgulhar-se, como fazem os jovens de Manchester com suas bandas de rock, por exemplo.
ServiçoColors com DJs Bruna Moura, Wander A, Jota Wagner e Colors Sound System
Sexta-feira, 10 de abril, às 23h
Vegas - Rua Augusta, 765 - São Paulo
Entrada de R$15 a R$30
Nomes na lista:
lista@acolors.net
: )
a pergunta era sobre "novos" produtores a se prestar atencao. Droors e Jamanta Crew, definitivamente, nao se encaixam neste rotulo. Ja sao os mais velhinhos da turma.