Obama e o escapismo dance
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Obama e o escapismo dance
Seria Lady Gaga e sua "Just Dance" o sinal de nossos tempos? Jornalista americano associa mandatos de Democratas à proliferação de dance pop superficial e dançante
10.02.09 16:40
Tony Sclafani, repórter cultural do MSNBC.com (EUA), fez um interessante paralelo entre a posse do presidente Barack Obama e o primeiro lugar nas paradas de "Just Dance", baba dance pop de Lady Gaga, no mesmo dia. Segundo Sclafani, os anos políticas dominados por figuras do Partido Democrata costumam ser protagonizadas por música dançante irrelevante e escapista - o sucesso de Lady Gaga seria a corroboração irrefutável disso.

"Nos últimos anos, incontáveis artistas desprezaram George W. Bush e deram voz à campanha do presidente recém-eleito. (Com a eleição de Obama) o que virá? Se a história é um indicador, muitas dance music. Toneladas de música dançante. Lady Gaga sugere de antemão o que deve ser a maior blitz dance desde a era disco", profetizou Sclafani, em texto publicado semana passada.

Flash Content
Lady GaGa - Just Dance (mp3)

O autor insiste que sua constatação é irreversível. E talvez seja mesmo, já que de fato os músicos e artistas se mobilizam em canções e estéticas de protesto em tempos políticos desfavoráveis - geralmente nos anos conservadores dos republicanos. Mas o que fazer quando se está feliz e esperançoso? Dançar parece ser a resposta. "Mesmo quando muitos artistas não seguem explicitamente esse padrão, a demanda do mercado e do público os levam a isso. Então, grosso modo, significa que as administrações republicanas inspiraram muito da melhor música pop das últimas décadas", completa Sclafani. "Talvez eles deveriam usar isso em suas próximas campanhas."

Michelle e Barack Obama. Ao fundo, Beyoncé
Michelle e Barack Obama. Ao fundo, Beyoncé
TEMPOS FELIZES E DANÇANTES
Em retrospecto, o texto volta até a época de John F. Kennedy (começo dos anos 60), e explica que analista a música conhecida por muitos, e não "coisas hipsters fora do radar". Enquanto na época do presidente mais mistificado do século XX o twist foi inspirado pelos ares esperançosos de seu mandato, nos anos seguintes veio o desassossego social de Lyndon Johnson, em que nomes como Bob Dylan e suas canções de protesto definiram uma época.

Richard Nixon seguiu acompanhado da insatisfação de artistas da soul music como Sly and the Family Stone e James Brown. Até que o país desembocou nas políticas do jovem e liberal Jimmy Carter, mesma época em que a disco music obrigou todo o país a dançar. A fatídica campanha Disco Sucks foi a válvula de escape de muitos eleitores conservadores que no começo dos anos 80 levaram Ronald Reagan ao poder, numa época que, além da MTV, da new wave e de Madonna, havia Bruce Springsteen identificando-se como o esquecido americano comum em "Born in the U.S.A.".

O paralelo segue até o grunge nos anos de George Bush pai e a baba dance dos mandatos de Clinton (o texto cita La Bouche!).

CRISE = INSPIRAÇÃO
Ao não analisar a importância da dance music no comportamento juvenil e na evolução da música, ao adotar uma intransigente postura crítica desde o começo e ignorar a eletrônica/dance não-conformista e de protesto, fica claro que Sclafani escreveu guiado por um relativismo de mão única, talvez até por um simplismo factual. Mas em tempos de hedonismo exagerado, sua reclamação faz sentido quando lembra que nestes tempos de crise e alguém há de ser a voz contra a badalação política e as coisas como ela estão.

"Enquanto escrevo, o desemprego bate recordes, o sistema bancário está em frangalhos e as pessoas tanto à esquerda quanto à direita parecem estar prestes a explodir em revolta", contextualiza. "O que precisamos é de artistas no mainstream corajosos o suficiente para falar em nome de todos, assim como houve quando Bush comandava. Quem vai cantar sobre os "incontáveis confusos, injustiçados e prejudicados", como Dylan em 1964? 'Just Dance' não faz voz ao mal-estar da nação. Mas algo como 'O Fim da Inocência' faria. Ou "Falando sobre Revolução", de Tracy Chapman."


Michelle & Barack Obama dancing with Ellen DeGeneres


NO HUMOR, ALIENAÇÃO TAMBÉM À VISTA
Do New York Times ao Manhattan Connection, cronistas e analistas são unânimes em outra constatação: o mandato (e a figura) de Barack Obama não será boa fonte de humor político. Se Bill Clinton e sua libido pegajosa inspiravam; e se George W. Bush foi o político mais ridicularizado da história, a imagética de messias em torno de Obama pode levar à inanição criativa do humor político norte-americano, ainda mais em tempos de crise com o Estado adquirindo um papel importantíssimo. Não é à toa que até hoje as chamadas do humorístico Saturday Night Live fazem referência à mesma enquete de Tina Fey imitando a ex-candidata à vice do Partido Republicano, Sarah Palin. No humorístico, repetir piada não tem graça.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
4 comentários
Rods On The Rocks
0AprovadoQueima
Mandatos dos republicanos por acaso testemunham uma ascensão de Dolly Parton e Barbara Streisand?!? ¬¬

Meu universo musical também contém muito mais artistas/bandas aussie que yankees.

CAio C B
CAio C B(11.02.09)
-4AprovadoQueima
Ainda nao perceberam que o USA esta uma merda, em varios aspectos.
E agora tem o Obama material para o jornalismo americano (material positivo, de re-ergue a auto-estima do povo americano, felicidade, segurança real e Freedom, tomara que seja mesmo, eles merecem), ja que na '"era" Bush foi um caos, medo e terrorismo.
VIVA AL-QAEDA! Talibã! haha
Thiago Freitas
Thiago Freitas(11.02.09)
O mundo não sabe entender nada que não é dualistico. Ou é bom ou é ruim, ou é preto ou é branco. Ou é negação ou afirmação. Acho que o que acontece é q o protesto e desconforto sempre existirão, mas de forma menos panfletária e mais inteligente. Eu considero sempre um avanço e rola uma sofisticação nesse aspecto. Ainda mais nos tempos de hoje de informação livre e crescente senso de comunidade.
what the hell you're talking about , lola?
o hip-hop carros-mulheres-armas viu seu auge na era bush 2, e o pop hoje anda beem mais criativo que nos idos da virada do século... nem acho a Lady Gaga tão ruim assim, é só irrelevante...

não vejo esse panorama obscuro não... além do mais, meu foco musical está a milhas dos EUA... pra ser mais específico, lá pela Austrália...