Dixon, áspero e deep
Steffen Berkhahn aka Dixon
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Dixon, áspero e deep
DJ, produtor, dono de selo e impaciente com definições da eletrônica: para o alemão, house music é trabalho e ser deep é não seguir fórmulas
22.01.09 15:30
Gosta de minimal, mas não aguenta uma goteira infindável e paranóica por duas horas?
Adora o som de Berlim, mas não gosta de suas fórmulas? Ama house music, mas sabe que só se toca minimal techno em clube hoje e que a "house fina" é coisa de 2004? Então Dixon provavelmente pode ser um de seus DJs prediletos.

O alemão Steffen Berkhahn aka Dixon criou coletâneas como a Body Language Vol. 4, que em 2007 ajudou a definir o som daquele verão europeu com a deep house de Larry Heard, Mari Boine, Chromatics e até Thom Yorke, ou pode animar uma pista escura e de 4x4 intenso como a do D-Edge, clube paulistano em que ele se apresenta num Mothership especial ao lado do produtor americano Jay Haze, este sábado (24/jan).

É curioso como o Body Language de Dixon definiu tão bem certa identidade eletrônica de uma época, já que na entrevista abaixo, realizada por e-mail, ele se mostra impaciente com conceitos e definições musicais. A idéia de "minimal deep" que abordamos com ele foi um acontecimento relevante até hoje no techno, e seu papel foi importante (juntamente com seu selo Innervision - saiba mais) ao ajudar a suavizar um padrão sonoro estabelecido, de certa forma conservador e imutável, como era o minimal techno de 2004 a meados de 2006/2007. Confira agora o CASE com Dixon e conheça seu modo de pensar, suas influências e seus empolgantes planos para 2009.

Você disse numa entrevista em 2007: "Como você se inspira se todo mundo em sua volta faz a mesma música? Berlim é uma cidade do techno, é um pouco difícil pra mim mas por outro lado me torna mais especial.". Dois anos depois, como você se sente em relação a Berlim, à música e ao techno?

Acho que fui citado de forma completamente errada aqui. O que eu disse foi que sou feliz por ser rodeado de gente com o gosto diferente do meu. Porque se você vive com todo mundo ao seu redor com o mesmo gosto, não se tem inspiração. Eu não desgosto da situação em Berlim.

Toco house music duas ou três vezes por semana. Então quando eu saio, não tenho vontade de ir para algo que ouço o tempo todo, mas sim diferente. Eu gosto de ir para qualquer lugar menos uma noite propriamente de house music - porque isso seria meu trabalho costumeiro. Prefiro ir para uma noite de techno, um show de rock/jazz/pop.

Daí que surge minha inspiração, é o que mantém meus ouvidos renovados. Às vezes não gosto da vibe num clube, ou como um DJ toca seus discos, mas outra coisa na noite pode surgir e me contagiar - algum vocal, algo inesperado. Na última sexta-feira, por exemplo, eu fui à ópera aqui em Berlim em que todo o cenário era feito por Olafur Elliason. Em determinado momento ele usou um efeito (sonoro) que era tão chocante que agora estou pensando em como incluí-lo no show. Então você vê, a inspiração vem de diferentes cantos.

Então vamos falar de techno. Diga-me algumas faixas essenciais de seu background musical.

Não vou citar faixas específicas, mas posso dizer que geralmente eu gosto muito das coisas do começo da carreira de Rob Hood, Mike Inc., Carl Craig, e claro, Underground Resistance, que foi uma grande influência mais pela atitude do que pela música.

Suas palavras sobre o techno e Berlim foram publicadas num artigo sobre o rumo deep que o minimal techno seguia. Como deep pode ser um conceito vago, o que é música eletrônica deep na sua opinião?

Veja você, hoje em dia trends surgem e desaparecem rapidamente. Eu não acredito no que a mídia escreve, há muitas magazines, sites e blogs que precisam preencher espaço então eles tentam sempre hypar várias coisas.

Mas, de volta à questão, deep é algo que não é óbvio. Assim como soul e jazz não são. Para alguns há mais soul em discos de techno do que na tão aclamada "neo soul music". Eu diria que algo é deep quando eu tenho a sensação que o artista se abriu de certa maneira. Quando vejo que ele não seguiu apenas uma fórmula. Não é só porque uma música tem uma sonoridade "morna" que ela vai ser deep.

É difícil explicar o que isso significa - é um problema geral com a música, certas coisas você apenas sente sem saber o porquê.

Liste algumas faixas de música eletrônica deep.
De novo, produtores: Larry Heard, Ricardo Villalobos, Henrik Schwarz, Theo Parrish.

Comente um pouco o seu trabalho com o projeto Wahoo. Qual a diferença musical básica entre o Wahoo e o som do Dixon?

O Wahoo é basicamente um escape para canções que Georg Levin escreveu e que nós produzimos juntos, com uma orientação mais pop e soul. Georg é o principal responsável pelo material original - quando se trata dos remixes, de criar uma dancetrack, aí sou eu que cuido.

Flash Content
Wahoo - Holding You (âme remix) (mp3)

Flash Content
Ben Westbeech - Hang Around (Wahoo Main Mix) (mp3)

Faixas do Wahoo circularam em varias compilações, da Defect à DJ-Kicks. Sua edição da coletânea Body Language, um ótimo CD, foi bastante comentada. Qual a importância dessas compilações off-dance floor?

Bem, sempre que crio algo as questões são: eu usaria este produto? Eu tocaria essa música? Eu ouviria esse CD? Um exemplo: quando decidimos fazer um CD ano passado muita gente disse que deveríamos fazer uma compilação de selo primeiro. Porque é fácil - temos faixas de nosso catálogo que ainda não saíram em CD. Mas nos perguntávamos se escutaríamos o CD. A resposta era clara: não.Simplesmente porque tocamos e ouvimos essas músicas por dois anos. Então tivemos a idéia de chamar produtores para criar novas faixas para uma compilação de ambient - o resultado é que eu amo o CD e o ouço.

(Dixon se refere à compilação "Muting the Noise 01", lançada em junho de 2008 pelo Innervisions).

Vale o mesmo para CD-mixes. Amo ouvir canções famosas e grandiosas num clube, e um CD-mix tem que representar os diferentes aspectos da música que cercam uma pessoa. Como resultado, surge um CD off-dance floor.

Sua biografia no site do Sonarkillektiv lista François K. como uma inspiração fundamental. Ele anda numa fase mais dub, que pode ir da música jamaicana 60s até o dubstep de hoje. Você compartilha esse gosto?

Eu não concordo necessariamente com toda música que François toca ou produz. Meu respeito por ele vem de um diferente aspecto. Eu amo o fato que ele segue 100% verdadeiro ao que ele sente. Mesmo que seja contra a moda, ou o que seus fãs esperam, ele faz o que sente dentro de si.



Quais são os planos do Innervision para 2009?

-Haverá uma compilação sobre minimal techno chamada Grandfather Parados, compilada por Henrik Schwarz/Âme/Dixon.
-Acabamos de assinar com um produtor de 18 anos da África do Sul que está nos deixando estupefatos.
-Vamos abrir uma loja virtual para vender música de outros selos que respeitamos. Sentimos que todas as lojas online hoje não existe mais filtro, se vende de tudo e as pessoas (me incluo aqui) se perdem numa quantidade imensa de música oferecida. Então nessa loja só será possível comprar o que pré-selecionamos.
-Novas faixas do Âme, Marcus Worgull, Tokyo Black Star e Henrik Schwarz já estão finalizadas.
-Vou lançar um CD-mix pela Innervision em junho.

O EP D.P.O.M.B seu, do Âme e de Henrik Schwarz saiu recentemente e vocês tem tocado juntos. Como é produzir a seis mãos?

Vamos tocar em várias festas pelo mundo agora em 2009, e no fim do ano sairá um CD com esse material ao vivo. Não serão muitas datas na verdade, 10 gigs eu acredito. Não é fácil trazer nós três juntos, é uma hora com as melhores tracks que já produzimos, só que em novas versões. Tudo remixado e apresentado ao vivo.

Flash Content
Ame & Henrik Schwarz & Dixon - D.P.O.M.B. (Version 2) (mp3)

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
30 comentários
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(27.01.09)
0AprovadoQueima
gracias rafael !
monique, até 13h ? sucumbia as 8h. :S
dixon foi finissimo, jay haze mais pumping, mas igualmente bom.
do hell ouvi apenas 2 músicas, mas ... amnesia sonora, rss.
aproveitando? hoje - terça - faço B2B com o rodrigo moretti, tb no d-edge.
apareçam !
abs
Felicio Marmitex
Set maravilhoso sábado, bpms variando baixinho entre 110 e 120, muita macumba no groove, pitadas étnicas, detroit moderno!!!
Renato Cohen, Augusto Merli, Dudu Marote, Clau Assef, Max Underson, Daniel Cozta... muita gente de antenas ligadas na pista!!
Depois da finesse master do homi, será que vem mais new deep house na Mothership?? Seria a melhor porta pra alemãozada (pós-minimal) entrar e ser bem recebida em São Paulo, digo no país, sem dúvidas.
Aqui no Brasil, só conheço um cara com pesquisa semelhante: Rafa Moraes, que tbm tava na por lá!!
Rafael Moraes
Rafael Moraes(26.01.09)
2AprovadoQueima
Dixon impecável, fino, deep, tocando pra pista!
Detalhe: O set do Spavieri antes foi muito bom, abriu com maestria, na medida exata pra entregar a pista...
infatuation
infatuation(25.01.09)
1AprovadoQueima
"Veja você, hoje em dia trends surgem e desaparecem rapidamente. Eu não acredito no que a mídia escreve, há muitas magazines, sites e blogs que precisam preencher espaço então eles tentam sempre hypar várias coisas." nuff said!
Monique Oliveira
1AprovadoQueima
A noite teve Jay Haze, Dixon e terminou com Dj Hell no Paradise até hmmm.. 13h. 10 horas pareciam três da manhã. Fui no limite...

Dixon deixou um clima "finesse" no Mothership. Um lord.