RRGEEK #31 - O INVENTOR DA WEB
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RRGEEK #31 - O INVENTOR DA WEB
Dados abertos e universalidade são fundamentais para futuro da Internet
21.01.09 15:45
Tim Berners-Lee inventou a web. Como assim inventou a web? Bem, assim como os homens das cavernas inventaram a roda e Santos Dumont inventou o avião, ambos movidos por uma frustração pessoal e o desejo de mudar. Foi assim que o jovem inglês Tim resolveu um dia inventar uma forma de se comunicar melhor com seus companheiros de trabalho, e com isso facilitar a troca e a circulação de informação. E com isso ele criou a World Wide Web, o nosso velho conhecido WWW.

Foi a partir de suas ideias e conceitos que surgiram os elementos básicos da Internet: a URL, o HTTP e a linguagem HTML. Ou seja, você que está lendo este texto neste exato momento, deve tudo a ele.

Não à toa Tim foi recebido com status de "Deus" pelas centenas de presentes em suas palestras na edição deste ano da Campus Party (leia abaixo). Mas essa divindade toda só existe mesmo é na cabeça de quem o vê. Pessoalmente, Tim é um daqueles caras normais que você tromba na rua todo dia, sem frescuras ou egocentrismo.

Sentado num cadeira e munido apenas de um simples MacBook, Tim deu uma aula sobre o futuro da web. E as palavras LIBERDADE e INTEGRAÇÃO definem tudo muito bem.

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A UNIVERSALIDADE DA WEB

A liberdade em questão se traduz de melhor forma como o fim das amarras que impedem que os dados e informações na web circulem abertamente, reforçando a idéia de quem controla o quê. E neste caso, o usuário é quem sai na melhor.

Segundo Tim, dados colocados em sites necessitam ser compartilhados mais livremente, e isso é possível se estiverem num formato comum, que todos entendam. Daí o fato de ele estar totalmente voltado para o crescimento e implantação do conceito de Web Semântica e do W3C, a plataforma que possibilita tal ação.

"Veja o caso da palavra 'azul'. Na Inglaterra as pessoas escrevem 'colour', enquanto americanos escrevem 'color'. Na web, todo mundo escreve #0000FF, e todos os computadores entendem".

Esse código é como uma linguagem universal, onde não importa qual sistema operacional, computador e browser que você use, nem muito menos a língua que você fala. #0000FF será sempre a cor azul. "A coisa mais importante quando vocês forem desenvolver alguma coisa na web é a universalidade", concluiu.

Um dos projeto mais legais apontados por Tim foi o do Open Street Map uma espécie de mapa de ruas mundial em estilo wiki. Ou seja, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode corrigir falhas no mapa de seu bairro por exemplo, ou adicionar informações que estão faltando. Isso pode ser acessado de qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer computador, e compartilhado.

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A tal Web Semântica tão fortemente defendida por Tim é bem isso. Uma forma de organizar e melhor aproveitar todo o conhecimento e informação disponível na web de forma mais democrática e inteligente, promovendo um intercâmbio entre eles através de dados abertos e linkados entre si.

Para Tim, a tal web 2.0 falhou no sentido de possibilitar que usuários interagissem mais com as páginas, mas que não os dava espaço para compartilhar tais informações.

"A Web 2.0 foi muito frustrante para os usuários, porque eles colocam as informações em uma página e, quando acessam uma outra página, não podem usar aquele mesmo conteúdo. As redes sociais precisam ser um sistema aberto, em que você controla seus dados, e essa informação pode ser usada por pessoas e sites diferentes. Você controla os seus dados, não uma empresa".

Para ele, o controle de informações e o invasivo monitoramento que os provedores fazem na Internet, bloqueando sites e limitando acessos é completamente desprezível.

"A Internet não precisaria de regras tão rígidas se os provedores se comportassem direito", cutucou. "Ninguém tem o direito de monitorar o que vejo, nem de censurar conteúdo por motivos comerciais".

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Outra grande preocupação é tornar disponível o acesso à Internet. Para isso, Tim desenvolve paralelamente a Web Foundation, uma organização dedicada a levar a Internet para as áreas mais remotas e pobres do globo.

"É importante para o futuro pensar nos 80% da população que ainda hoje não usa a Internet e como fazer para que ela funcione para essas pessoas. Uma das questões mais importantes para a Web Foundation é que a web funcione como infraestrutura crítica para a sociedade."

Um dos pontos mais importantes para que a Internet haja desta forma na sociedade é que os órgãos governamentais também disponham seus dados de forma aberta - coisa que o novo presidente americano Barack Obama se comprometeu a fazer. "Obama chegou na hora certa", profetizou.

Ao final, Tim ainda deu o último testamento para todos: "É muito importante que a Internet permaneça aberta. O futuro está nas mãos de vocês. Se o browser que você usa não tem padrões abertos, simplesmente não use esse browser! Vocês fazem a escolha. Vocês estão no controle". Nem é preciso dizer que depois desta ela foi ovacionado.


UM DIA NA CAMPUS PARTY

Imagine um spa luxuoso, onde todo mundo gostaria de ficar internado durante uma semana só na boa vida. Agora, substitua as cachoeiras, ofurôs e massagens terapeuticas por computadores, robôs e oficinas de programação de bancos de dados. A Campus Party é mais ou menos isso, e seus frequentadores, geeks de carteirinha.

A Campus Party, maior evento de inovação tecnológica e entretenimento eletrônico do mundo, nasceu há doze anos na Espanha e só ano passado começou a realizar edições em outros países: o Brasil foi o primeiro escolhido para sediar a CParty internacional.

Os "campuseiros" deste ano chegam à 6.259, vindos de todos os estados do Brasil e inclusive de vários outros países - o evento tem uma área de camping onde centenas de barracas disputam espaço incrivelmente organizadas. Não é nada estranho encontrar até mesmo índios legítimos andando de cocar prá lá e prá cá esperando a hora do "batismo digital", uma das propostas mais legais em termos de inclusão social realizadas pela CParty.

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Entre palestras e oficinas, os temas abordados vão desde "como tirar fotos ótimas com uma câmera tosca" até a construção de robôs. Aliás, a área de robótica é uma das mais animadas, com pequenos Robocops participando de duelos, cursos e brincadeiras. Uma das principais propostas desta edição foi construir pela primeira vez no mundo um Robô Livre, feito totalmente com tecnologias produzidas por softwares livres.

A CParty disponibilizou à seus campuseiros munidos de seus notebooks uma conexão de banda larga de 10Gbps, a maior em todo mundo, e era também dividida em outras áreas, como as dedicadas ao Vídeo, Design, Fotografia, Música, Astronomia, Blog, Desenvolvimento, Games, Modding, Simulação e Software Livre. Na área de música as oficinas lidavam com técnicas de discotecagem e produção musical.

A CParty vai até o próximo domingo e, como as inscrições já estão esgotadas, ainda dá pra conferir a parte aberta ao público (não inclui as palestras, etc) do evento. É só acessar o site e imprimir um convite.

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
comentários
2 comentários
fueloop
fueloop(24.01.09)
0AprovadoQueima
..legal o rrgeek 31.
Fabio Martins
Fabio Martins(23.01.09)
0AprovadoQueima
antes de mais nada, o governo brasileiro deveria baixar mais os impostos para baratear o preço dos produtos de informática e também a prestação de serviços de banda larga, pois ainda paga-se muito caro por estes produtos e serviços aqui no Brasil se comparado ao que rola até mesmo em países vizinhos de "terceiroimundície". Só depois disso é que discussões acerca do "futuro da web" poderão atingir efeito junto a, pelo menos, um grupo que possa ser chamado de "massa" no Brasil.

Mas, de qualquer forma, a matéria está excelente e entendo que o bojetivo não foi o de levantar esta discussão.