Cinco Perguntas para Soninha
Candidata
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Cinco Perguntas para Soninha
Findado a campanha à Prefeitura de SP e seu mandato na Câmara, conversamos com Soninha sobre seus planos para 2009
06.01.09 09:05
KASSAB VETA PROJETO
UPDATE: O prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM) vetou o projeto da ex-vereadora Soninha de estender a lei do silêncio em duas horas. A justificativa do Prefeito foi de que a nova lei vai contra o plano diretor da cidade. Soninha, que é do PPS, foi empossada sub-prefeita da Lapa há poucos dias.


O primeiro cinco perguntas do ano dá um update nos rumos de um personagem político que o rraurl apoiou em 2008: Soninha Francine, que encerrou no fim de 2008 seu mandato como vereadora e concorreu ano passado ao seu primeiro cargo majoritário, a Prefeitura de São Paulo, que disputou pelo PPS.

Nesta entrevista concedida por e-mail, Soninha fala do dia-a-dia da campanha, de seu posicionamento político com o fim de seu mandato e a experiência de uma candidatura à Prefeitura e afirma que quer concorrer novamente. "Ainda quero ser prefeita, espero ter energia para disputar mais uma vez - ou duas, se precisar."

Em dezembro passado, Soninha conseguiu a aprovação de um projeto relativamente polêmico na Câmara paulistana: a ampliação da lei do silêncio até às oito horas da manhã. Se aprovado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), o projeto estabelecerá que o PSIU deve policiar e impedir que barulhos acima dos 70 decibéis sejam emitidos a partir das 8 - hoje, o horário vigente é 07h. A lei encontra resistência da construção civil, mas a vereadora alegou exagero de reclamações e abundância da vida útil noturna na cidade como razões para a lei (saiba mais). Confira o papo.


Como você avalia sua campanha para a Prefeitura de SP e quais são seus planos para 2009?
Foi a primeira vez que eu fui candidata e feliz - nas duas últimas campanhas, por razões diferentes, eu sofri pra burro. Na primeira, porque as pessoas nem sabem o que é e pra que serve vereador, esperam que você faça promessas impossíveis ou favores imediatos... Na segunda, porque eu já estava bastante desgostosa com o PT mas ainda estava disposta a defender o partido e lutar por ele, dentro dele, e só tomei porrada - dentro do PT, porque não batia o no peito e dizia "é tudo complô das elites!"; fora, porque "se você continua no partido é porque é conivente com tudo". Um saco.

Desta vez, eu me cansei o triplo, mas fiz (quase tudo) que quis, pude conduzir a campanha a meu modo, com as coisas em que acredito. Planos para 2009: quero ir para a "zona de conflito". Se pudesse, passaria seis meses como voluntária da ONU em algum lugar bem barra pesada, mas preciso garantir o aluguel e a escola das minhas filhas. Então vou para a "guerra" aqui mesmo, mas ainda não sei onde. Quero trabalhar com população em situação de rua, com internos da Fundação Casa, com educação política. É por aí.

Durante o segundo turno muito discutiu-se em torno do apoio do PPS a Kassab, se você apoiaria ou não o candidato do DEM, que acabou sendo eleito. Como foi lidar com essa situação? Você a partir de agora apoiará ou fará oposição a mais um mandado de Kassab?
Como eu esperava, também me criticaram de tudo quanto é lado - uns porque o partido apoiou o Kassab, vieram dizer que estava combinado desde o começo, que eu não disputei a eleição para valer mas só para ajudar o Kassab. Imagine. Outros porque eu não quis apoiá-lo pessoalmente, o que significava que, no fundo, continuava ao lado do PT, querendo ajudar a Marta.

Não adianta, qualquer coisa que você faça levará pau de muita gente, por isso você tem de ter muita convicção das suas escolhas para agüentar. Eu tinha certeza que não apoiaria a Marta - discordo tanto do seu modo de fazer política que até saí do partido. Sua administração deixou coisas muito boas, mas também cometeu erros graves (exemplo? O fim do governo, que foi um abandono só). E também não conseguiria fazer campanha para um candidato dos Democratas, apoiado por muitos dos vereadores de quem mais discordei ao longo do mandato.

A partir de agora eu vou fazer o que acho que sempre tem de ser feito: apoiar aquilo com que concordo, seja do governo Kassab ou do Lula, e me opor ao que discordo. Não vou "ajudar" porque meu partido está representado no governo tanto quanto sou contra "atrapalhar" quando ele não está. A gente não tem de trabalhar para o governante, e sim para a cidade. É tão óbvio isso, mas na política soa heterodoxo. Não me conformo.

Qual foi o melhor aprendizado que você tirou da campanha? E o que foi mais difícil nesses meses?
O melhor foi que a "teimosia" baseada nas suas crenças mais profundas pode ser recompensada. Eu teimei que dava para fazer uma campanha propositiva, barata, sem ataques e mentiras, falando da complexidade dos problemas sem simplificar demais ("é só fazer metrô que o trânsito melhora", essas coisas), e consegui um bom resultado -- para um primeira campanha, em um partido pequeno e virtualmente desconhecido em São Paulo (porque nunca antes teve candidatura própria, foi sempre coligado).

Queria demonstrar que a política não nos condena a sermos apelativos, e tenho certeza que isso eu consegui. O mais difícil é sempre lidar com a sacanagem -- como em qualquer partido, também tinha gente no PPS que não botava fé e, além de não ajudar, acabava atrapalhando. Também é incômodo lidar com a raiva e ressentimento de quem não se conformou com a minha mudança de partido e espalhou tudo quanto é barbaridade a meu respeito. Gente que me achava super legal e que, no momento em que saí do PT, já não achava mais. Fanatismo me incomoda muito. Não gostar de mim, discordar de tudo o que eu digo, ok. Mas desqualificar só porque eu não visto mais o mesmo uniforme é f*da. Azar, faz parte dessa vida...

Você aceitaria algum cargo dentro do governo José Serra (PSDB) ou do mandato de Gilberto Kassab (DEM), caso fosse feito o convite? E se alguém do PT lhe chamasse de volta?
Se alguém me convidar para entrar no PSDB, no DEM ou voltar para o PT, não aceitaria de jeito nenhum. Saí do PT porque o partido já não é mais aquele que me representava, do qual me orgulhava tanto. Algumas mudanças ao longo do tempo são naturais e desejáveis, mas ele mudou demais e de uma maneira com a qual não concordo (por exemplo, passou a ser permissivo demais na política de alianças, apelativo demais em campanhas eleitorais).

O PSDB tem praticamente os mesmos problemas do PT (o que não quer dizer que os dois não tenham gente muito valorosa e realizações importantes). O DEM não tem nada a ver com minha visão de mundo, minha idéia de política. Quanto a aceitar um cargo no governo municipal, estadual ou federal -- é possível, sim. Independentemente da militância política, a administração pública precisa funcionar bem (ou será que um diretor de hospital que seja petista, por exemplo, tem de entregar o cargo?). Se eu tiver uma função em que realmente é possível "mudar o mundo", eu quero. Sou capaz tanto de fazer um concurso público para trabalhar na administração quanto de aceitar um convite para um trabalho que eu considere importante.

Gostaria que você falasse um pouco sobre o projeto de lei que estende o horário do PSIU até às 08h da manhã. Qual foi a razão de criar a proposta? Acredita que a lei será sancionada pelo Prefeito?
A razão foram as súplicas recebidas diretamente de moradores da cidade, cartas escritas a jornais, conversas informais sobre o tema e matérias dando conta de que o barulho é um fator sério de estresse, agressões à saúde, perda de produtividade na escola e no trabalho e da qualidade de vida de um modo geral.

É evidente que São Paulo é uma cidade que estendeu muito suas atividades noite adentro - enquanto uns estão se divertindo, milhares de outros estão trabalhando. Seis da manhã, horário previsto nas leis municipais em vigor, é cedo demais para permitir que se faça barulho. Sete, como dispõe norma federal, também... Não se trata nem de garantir o sono das pessoas, mas ao menos o repouso - o direito de começar o dia com mais tranqüilidade. Portanto, fica estabelecido que, até as oito da manhã, a tolerância com ruído é a mesma de depois das dez da noite - isto é, há mais rigor.

A Câmara aprovou o projeto porque eu expus os motivos e eles concordaram. TODOS recebem reclamações de barulho, e não é só à noite. Espero que o prefeito seja sensível à recomendação de tantos especialistas e, assim como teve coragem para implantar o Cidade Limpa, disciplinando os anúncios na paisagem urbana, garanta menos poluição sonora no começo do dia.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
13 comentários
Rodrigo França
Rodrigo França(01.02.09)
0AprovadoQueima
Eu acho a Soninha tão sonsinha, com o perdão do trocadiho claro
Luiz Pareto
Luiz Pareto(31.01.09)
0AprovadoQueima
Bom, o segundo semestre de 2008 quase inteiro tive que aguentar um sem numero de reformas em outros apartamentos no meu predio. Ainda bem que as pessoas tinham alguma decencia de pelo menos começar apos as 9h da manha. Mas mesmo assim, para um ser vampiro como eu, esse ruido foi f*da! Passei a dormir com tapa ouvido. Apoio totalmente essa extensao do horario para a construçao civil.
andre
andre(30.01.09)
1AprovadoQueima
Sinceramente, nao sei porque essa pelega, puxa saco faz tanto sucesso no rraul.Com certeza essa forçaçao de barra é o lado mais chato do rraul. sinto que as pessoas sejam tao enganadas por essa carinha de boa. A mim sonia, NAO ENGANA!
Renato Weiss
Renato Weiss(12.01.09)
0AprovadoQueima
Concordo com a Soninha! Pra discordar só se fosse alguma mudança que não pensasse realmente no bem estar do eleitor, e não para levantar bandeirinhas opositórias chatas!
NeWMaris ::
NeWMaris :: (08.01.09)
-1AprovadoQueima
Ah! Soninha pra Presidente!