Ministro da Cultura ligou para José Serra pedindo soltura de Carolina Pivetta da Mota, entre outras manifestações contra a prisão
Um ponto final temporário na história da invasão dos pichadores na Bienal: depois de mais de 50 dias presa, Caroline Pivetta da Motta (24 anos) deixou a Penitenciária Feminina de Sant'Anna com seu novo advogado para o caso, Augusto Botelho.
Carol não foi liberada antes por não ter apresentando suficientes documentos, entre eles comprovante de residência e antecedentes criminais. Ela tem audiência pública marcada para 17/fev, onde serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa.
Segundo o advogado comentou ao G1, o tempo que Carolina passou presa é maior até do que ela seria caso fosse condenada por pichação. "A prisão dela por estes 50 dias foi um abuso, uma ilegalidade e uma afronta crucial aos direitos humanos", disse.
Carol feliz ao sair da prisão com seu advogado (foto Luísa Brito / G1)

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UPDATE: A soltura de Caroline Pivetta da Mota foi negada pelo desembargador Fernando Matallo, da 14ª Câmara de Direito Criminal. A justificativa foi falta de documentação necessária.
Caroline Pivetta da Mota, 23 anos, está presa há mais de 40 dias na Penitenciária Feminina de Santana como única detida na invasão dos pichadores no "andar vazio", na abertura da 28ª Bienal de São Paulo.
Segundo informa o jornal Folha de S. Paulo hoje, o ministro da cultura Juca Ferreira teria ligado ao governador José Serra (PSDB) para pedir ajuda na soltura de Caroline, que faz parte da
gangue Susto's.
Ferreira disse ao jornal que "caso a menina não seja libertada, teremos que deflagrar uma segunda fase [de ações]. O ministério pode dar assistência jurídica a ela, no sentido de garantir sua defesa". A jovem está presa porque não quis declarar à Polícia sua residência, com medo de envolver a família no acontecido. Um amigo que foi levar pertences da jovem à Polícia acabou reconhecido como outro pichador e ficou preso por oito dias, mas foi solto para responder o processo em liberdade. Caso seja presa Carol pode pegar de um a três anos de cadeia até, segundo o artigo 62 da Lei de Crimes Ambientais (Destruição do Patrimônio Cultural).
"É um escândalo uma pessoa ficar presa esse tempo todo porque fez uma intervenção gráfica. (Os pichadores) enfeiam a cidade, mas são manifestações de grupos que querem fugir do anonimato sinalizando sua existência, sua territorialidade. Confesso que não tenho muita simpatia, mas não acho que seja caso de polícia", opinou o ministro. Serra teria explicado que não é simples libertar alguém assim, mas teria sinalizado atenção ao caso.

A Bienal afirmou que não trabalhou a favor da manutenção da prisão de Carol, mas que não podia fazer nada já que ela foi presa em flagrante. "O prédio foi vítima de um ato de vandalismo. Nosso papel foi avisar o fato às autoridades. A polícia veio e logrou fazer o flagrante no autor. Agora o processo está fora do nosso alcance", afirmou Alexandre Toledo, advogado da Fundação Bienal ao
UOL. "Esses artistas deviam pedir que os pichadores pedissem desculpas públicas pelo que fizeram. Queríamos deixar claro ao público nosso lado". Ana Paula Cohen e Ivo Mesquita, curadores do evento, não se pronunciaram.
ARTISTASFiguras conhecidas do roteiro artístico na cidade criticaram a reação da Bienal em condenar a invasão, ainda mais que o evento tinha como tema "Em Contato Vivo", para refletir sobre a arte contemporânea. "Isso é uma hipocrisia absurda. Quem devia ser preso são os organizadores. O andar vazio era um convite à manifestação, à contravenção", criticou o artista José Roberto Aguilar também ao UOL.
O artista plástico Eli Sudbrack se inspirou no ocorrido e fez peças de neon inspirado nos grafites, numa exposição na galeria Casa Triângulo (Rua Paes de Araujo, 77, Itaim, até 20/dez). "Achei a ação dos pichadores fantástica, de uma coragem inacreditável. Não sei como os curadores não abraçaram o conceito. Deve haver alguma razão política. Só porque a garota não é do mesmo estrato social da elite artística. Se a Bienal não tirar ela de lá, temos que fazer algo. Eu mesmo já colei stickers em exposições importantes nos EUA. É um absurdo o que está acontecendo. Ela não é uma criminosa", opinou.
Para completar, o artista Antonio Peticov e sua esposa Cíntia Oliveira, escritora, realizaram no último sábado um "enterro" simbólico da Bienal, inspirados pela opressão aos pichadores e também como uma crítica à curadoria "do vazio" nesta edição do evento.
Antonio Peticov, Cíntia Oliveira e a Bienal

ABAIXO-ASSINADOO blogueiro e colunista da
Folha Vitor Angelo, um dos que testemunharam e apoiaram a invasão, com textos em seu site
dus*****infernus sobre o ocorrido, criou um abaixo-assinado virtual essa semana para criar pressão contra a prisão de Caroline.
Para participar é só assinar
neste link que a lista depois será enviada para a Fundação da Bienal e o Ministério Público. O pedido de liberdade provisória de Caroline Pivetta da Mota deve ser julgado ainda hoje. Assista abaixo ao vídeo que nós do
rraurl.com gravamos no momento da invasão dos pichadores.
Em suma: Tá tudo errado. Por ESSE motivo acho a prisão dela injusta, ainda que eu repudie o ato da pichação (nada me convence que pichar a a Choque a Belas-Artes e a Bienal é bacana).
Infelizmente a justiça falha, falha e falha. Mas se quiser falar de impunidade não podemos restringir alguns casos só pq VC julga uns mais importantes do que outros. Toda violência urbana deve ser punida. Temos que mostrar pelo menos a indignação, agora pedir pro povo agir talvéz seja demais, por que uma vez que cabe apenas à justiça julgar, o que mais podemos fazer? Sair pixando tudo que vemos pela frente??? Desculpa, assim o promotorzinho de merda NÃO vai ser preso e no final quem vai amargar num cúbiculo é vc!
Já dizia o Cid Moreira, "é fantááááááásticooooo"