Produtor a frente do 2562 e do A Made Up Sound fala de dubstep, Jamaica e influências
2008 viu uma das mais interessantes fusões entre o dubstep e o techno com o álbum
Aerial, do projeto 2562, encabeçado pelo produtor/DJ holandês David Huismans. Ele acaba de lançar
Shortcuts, primeiro CD de seu outro
moniker, o
A Made Up Sound. Trata-se de uma coletânea de 20 faixas sem títulos que mostram o lado mais downtempo de Huismans, ainda com pés fincados no 4x4 e dubstep/grime.
Apesar de ter sido lançado só agora, o álbum compila faixas criadas no "chuvoso mês de junho de 2004, vivendo num subúrbio, em que o conceito era escrever uma peça de música todo dia após o expediente", explica o próprio, em seu
MySpace. O resultado é um álbum de 40 minutos de introspecções e interferências versáteis, um resultado positivo para a idéia do holandês de "usar a compulsão de uma forma positiva, como meio para criar algo diferente". Um exemplo tech e outro mais grime de
Shortcuts você aprecia nos players abaixo.
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A Made Up Sound - Piste 05 (mp3)
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A Made Up Sound - Piste 08 (mp3)
BACKGROUNDO rraurl vem trocando e-mails há algumas semanas com Huismans, onde ele explicou um pouco de sua trajetória, em que a carreira de DJ tem papel crucial. "Eu cresci com house e techno, tocando em vinil. Logo eu já colecionava diferentes coisas, de Metalheadz até Boards of Canada", lembra. "Então quando eu comecei a produzir seis anos atrás eu tinha noção que meu som poderia ir para qualquer direção". Para completar, leia agora nossas
cinco perguntas com David Huismans aka 2562 aka A Made Up Sound.
Dubstep: qual sua opinião atual sobre o gênero, e onde você enxerga suas produções dentro dele?Tudo era muito interessante pra mim quando eu comecei a prestar atenção no dubstep, por volta de 2005: o espaço, o baixo, a liberdade... Tudo isso inspirou o projeto 2562. Desde então "dubstep" é uma palavra que significa muitas coisas já que a coisa toda explodiu.
Para ser honesto eu não estou mais tão ligado assim no que tem acontecido agora, apesar de que ainda tenho sorte de ouvir grandes faixas de ótimos produtores. Mas se eu faço parte ou não da "cena', isso não me interessa...
E o dub techno, ele é uma influência explícita pra você? Não dá para negar que suas produções tem muito de música jamaicana...Não muito o dub techno "puro", mas o techno dos anos 90 num contexto geral. Não acho que todo meu som é
dubby - eu mesmo nunca fui um grande ouvinte de música jamaicana.
A ênfase no
sub-bass que se dá em grande parte do meu som talvez seja o efeito de ouvir muita música britânica, do jungle ao broken beat, até o dubstep. Então a influência do dub jamaicano pode ser indireta, mediada pela dance music do Reino Unido.
Mas e faixas com títulos como "Techno Dread"?Bem, esse título na verdade é em parte uma piada. A palavra ‘dread' também quer dizer ‘medo'; na época que eu fiz essa música me parecia que grande parte do público de dubstep rejeitava o techno totalmente. O título é uma diante dessa atitude.
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2562 - Techno Dread (mp3)
Como é o 2562 ao vivo?Eu não me apresento com live, toco como DJ, o que eu realmente aprecio. É uma grande oportunidade para testar novas batidas em determinados públicos e sound systems, então geralmente toco muita
new music, minha e de outros.
Em grande parte o set é bem uptempo e energético, o que é bem natural pra mim. E sem
DJ tools, é bom dizer, já que pra mim tem que ser música com alma.
Que artistas e DJs você concorda que sejam similares à você hoje?Não sei se similar é a palavra certa, mas geralmente eu toco faixas de Martyn, Shed, Peverelist, Pinch, TRG e Headhunter - eu realmente curto a música deles e acho que combinam com as minhas faixas.
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2562 - Basin Dub (mp3)
Foto: /chiku