Cinco Perguntas sobre o Studio SP
Rua Augusta, 591
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Cinco Perguntas sobre o Studio SP
Alê Youssef relembra a trajetória da casa, que completa três anos essa semana
25.11.08 12:45
Alê Youssef
Alê Youssef
Longevidade na noite é complicado. Se uma casa de shows ou clube dura três anos, é tempo mais que suficiente para criar um público, uma imagem, uma vertente musical e outros meandros de identidade cultural. Quem comemora três anos essa semana é o Studio SP, clubinho que surgiu em 2005 na Vila Madalena e se mudou agora em 2008 para a Rua Augusta, num processo natural de valorização da via central paulistana para espaços culturais e notívagos.

Dos três sócios, Alexandre Youssef cuida da direção artística e do conteúdo da casa, que surgiu logo após Youssef deixar o cargo de Coordenador da Juventude da gestão da prefeita Marta Suplicy (PT) em São Paulo. É com ele que falamos para a seção cinco perguntas dessa semana, que aborda a trajetória do clube, que comemora três anos essa semana. "Queremos continuar nosso trabalho de garimpagem das novidades da música brasileira, estabelecer mais conexões internacionais e fazer agora uma temporada de verão no Rio de Janeiro - festas todos os sábados de janeiro no Cinemateque. Estamos pensando numa turnê do Studio SP."

Como se deu a idéia do Studio SP em 2005? Relembre um pouco esse momento, da idéia até a inauguração da casa.

Achava que São Paulo vivia um momento especial de ressurgimento da música autoral tocada ao vivo por diversas bandas, a arte urbana se consolidando como a estética dessa nova geração. Procurei dois grandes amigos que tinham experiência em casas de cultura: Maurizio Longobardi (Grazie a Dio) e Guga Stroeter (Blen Blen). Sugeri abrirmos um espaço cultural voltado para essas novas cenas emergentes. Aproveitamos a casa do antigo bistrô BOP - que era deles - e adaptamos para o Studio.

A casa nasceu associada ao PT, dentro da política municipal de SP. Nesses três anos já ouvimos dizer que a casa já sofreu dificuldades de funcionamento quando a gestão Marta Suplicy acabou, que dava palco a "show para petistas". Comente um pouco sobre isso: a origem política, e de que forma isso se deu na programação.

Eu fui muito ligado à gestão de Marta. Fui seu coordenador de Juventude por quatro anos com muito orgulho e tenho certeza que a cultura jovem cresceu por conta do nosso trabalho. Era inevitável, portanto, ligar a casa da qual eu era sócio com um determinado universo político.

Erlend Oye @ Studio SP Vila (2006)
Erlend Oye @ Studio SP Vila (2006)
Mas vale lembrar que o Studio foi aberto quase um ano após o término do governo Marta e não acho que houve qualquer perseguição. As dificuldades foram normais dentro do histórico da relação noite e poder público. Todos sabem o quanto é difícil ter um negócio como esse em São Paulo. Hoje lutamos para que existam regulamentações claras e que o poder público perceba a importância econômica desse setor.

Os artistas alternativos e novos - que no Governo Marta tinham muito espaço - viraram praticamente residentes do Studio SP, pois não existia outro lugar com essa proposta.

Hoje em dia, acredito que nos consolidamos fortemente no imaginário cutural da cidade. Temos muita credibilidade por lançar novos artistas e ocupamos um espaço que já foi do Aeroanta nos anos 80 e talvez do Blen Blen nos 90. Acho que isso ajuda nas relações institucionais da casa. Queremos continuar fazendo política cultural: ampliar o movimento Noite Viva e estabelecer diretrizes sólidas para a noite e para a cultura jovem. Vamos continuar emprestando o nome e o prestígio da casa para essas causas.

Quais foram as festas e atrações mais memoráveis?

O legal do Studio é o conjunto da obra. As principais atrações da nova música brasileira compõem um time praticamente residente da casa: Instituto, Hurtmold, Cidadão Instigado, Eddie, Mombojó, Del Rey, Cérebro Eletrônico, M.Takara, Junio Barreto, B. Negão, Daniel Ganjaman, Miranda Kassin, André Frateschi, Jumbo Elektro, Thalma de Freitas, Turbo Trio, Plínio Profeta, Vanguart, Maquinado, Mallu Magalhães, Curumin, Guizado, Júnior Boca, Nina Becker, Do Amor, Bodes & Elefantes, China, entre outros.

Nomes como Arnaldo Antunes, Otto, Orquestra Imperial, Edgard Scandurra, Kassin + 2, Wilson das Neves, Lobão, Céu, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, também freqüentam a casa.

Atrações da música mundial também passaram por lá: Peter Bjorn and John, Brigth Eyes, Manu Chao, Bill Callahan /Smog, Erlend Oye, Bonnie Prince Billy, Bonde do Rolê, Adrian Sherwood, Diplo, Cansei de Ser Sexy,Wax Poetic, Jens Lekman, Four Tet, Kode 9, Gilles Peterson, Daedalus, Love Trio, Hell on Whells, Subarban Kids, Shout Out Louds, Love is All, Tortured Soul, Eigth Legs, Daevid Allen e Gong Global Family, Gruff Rhyms, Gringo da Parada, The Gift, Faraquet, etc.

Peter, Bjorn & John @ Studio SP Augusta (2008)
Peter, Bjorn & John @ Studio SP Augusta (2008)


Da mudança da Vila Madalena para a Rua Augusta, como foi?

Estávamos certos sobre o movimento de ressurgimento da nova música autoral. As ferramentas da nova tecnologia criaram nichos de fãs das bandas. O público cresceu e nosso sobradinho da Vila ficou pequeno. Resolvemos arriscar para conseguir manter as bandas que formaram público na casa e ampliar espaço e infra-estutura. Mais e mais pessoas se interessavam pela nova música e isso se constatou com nossa mudança. Queríamos também um lugar mais central, pois a Vila ficava um pouco fora de mão para o grosso do público da casa. Achamos um galpão na Augusta e para nós fez todo o sentido o Studio SP ser na rua mais famosa da cidade.

Você acha que o Studio ajudou a fomentar um público em SP, que surgiu um público com "a cara tudio SP". Como seria esse público, essa imagem?

Acho que não existe um estereótipo, mas sim uma questão de gosto. A "galera bem Studio SP" é a que está a procura de novidades musicais e que não se restringe a um estilo específico. Se tivesse que definir com uma expressão, poderia dizer que é uma galera com a "cabeça aberta para o novo".

STUDIO SP 3 ANOS



HURTMOLD E CONVIDADOS
AUDITÓRIO DO IBIRAPUERA

Entrada: R$ 30 (A venda na bilheteria do Auditório Ibirapuera, pelo site da Ticketmaster e pelo telefone (11) 2846-6000)

28/nov - Sexta - 21h
Marcelo Camelo, Rob Mazurek (Chicago) e Thomas Rohrer (Suíça)

29/nov - Sábado - 21h
Daniel Ganjaman (Instituto), Flávio Cavichioli e Gustavo Riviera (Forgotten Boys)

30/nov - Domingo - 19h
Paulo Santos (Uakti)

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STUDIO SP
Rua Augusta, 591
01305-000 - São Paulo - SP
Tel/Fax: (55 11) 31297040
curadoria@studiosp.org


Fotos: Peco Porto (Studio SP) e Ulisses Barbosa (Erlend Oye).

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
13 comentários
Fernando Bueno
Fernando Bueno(01.12.08)
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Erlend Oye foi bem bacana.
Fernando
Fernando(28.11.08)
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Elogiar a programação do Studio SP é chover no molhado, mas… tenho que parabenizar os sócios da casa pela *política cultural* que fazem acontecer.
Entretanto, não sou dos que idolatram —além das putas locais— essa "baixoaugustização" hype: se o propósito é MÚSICA, falta muito pra se chegar ao equilíbrio que penso que o Alê e Cia. pretentem. Pra quê show às 23h (ou seja, à meia-noite)? Pra dar tempo de vermos um show num local "normal" antes de cair na balada do SP? É esse tipo de público que querem conquistar? Vão perder outro, sem dúvida, e qualquer empresário sabe que custa o dobro reconquistar o cliente do que convencê-lo à uma 1ª visita (num lugar tão muvucado quanto a Madalena, diga-se de passagem).
Sintomático que tenha sido ignorado na entrevista o Lira Paulistana, que apesar das proporções diminutas e pretensões idem eu me sentia mais respeitado do que nesta estufa (onde circulam pelo menos 22 substâncias tóxicas), onde as pessoinhas gritam e são vistas já que não podem/querem Ver e Ouvir, com suas garrafas de água (de vidro) de R$4 e recibos de padaria como ingresso.
fulano
fulano(26.11.08)
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StudioSP é genial. Um dos meus lugares favoritos na Augusta (:
ZEZE
ZEZE(26.11.08)
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parabens pelo niver!
kaks
kaks(25.11.08)
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Erlend Oye e Four Tet bastam para eu respeitar essa casa mesmo sem conhecê-la. Parabéns!