Dupla de synth-pop despontou em tributo a Bowie, lançou seu primeiro disco em setembro e tem a figura frenética do vocalista argentino Sebastian Muravchix
25.11.08 10:35
Você tem lido (e ouvido) bastante sobre o synth-pop aqui no rraurl. Porque 2008 foi o ano em que sintetizadores simples e melódicos foram os preceitos de cantores, bandas e artistas que fizeram os anos 80 continuar a ser um fogo vivo na música (que os digam os recentes shows disputados de Cindy Lauper e Duran Duran no Brasil). Muitos deles vieram da Austrália - na verdade os principais. Mas essa dupla de neo-synth que vamos falar agora não vem de Sidney nem de Melbourne, e muito menos é um sucesso na bloghouse (achar o disco deles foi uma odisséia).
Sebastian e Ali
Trata-se do Heartbreak, projeto baseado em Londres que conta com o músico franco-inglês Ali Renault e o vocalista argentino Sebastian Muravchix, este último a alma e afetação do grupo com seu tipão Borat e voz e estilo new-romantic, épico. Misture metal melódico e Scissor Sisters.
Conhecemos a dupla através da indispensável coletânea Life Beyond Mars - Bowie Covered, em que a versão de "Loving the Alien" (do álbum Tonight, 1985), ficou infinitamente melhor do que a própria original do Bowie, que me desculpem os fãs! A canção ganhou um caldo obscuro e underground, mais interessante que a fase soul-cinematográfica de um Bowie pós-"Let's Dance". Veja o clipe dele aqui, ouça a versão do Heartbreak abaixo e compare!
A participação do Heartbreak na coletânea se deu três meses antes do lançamento de Lies, álbum de estréia encampado pela Lex Record, ex-afiliada hip hop da Warp, que hoje é um selo independente e versátil, casa de Subtle e Neon Neon.
Percebe-se no álbum influências veladas e as declaradas - as referências vão do metal de Black Sabbath até a italo disco (Casco), passando por Jeff Mills (!?). Mas o resultado é um misto de OMD, David Carreta e Giorgio Moroder. Toda uma síntese dos anos 80, e nada mais.
O single de estréia, "We're Back", pega a encenação cafona do metal romântico numa base bem Fischerspooner; "Soul Transplant" parece Spandau Ballet remixado por The Hacker; "Akin to Dancing" é como se o crew Italians Do It Better remixasse Scissor Sisters. E talvez a melhor faixa, "Give me Action", é italo disco proto-8 bit (era época do Atari, lembre-se), e um pé na disco music proporcionado pelas backing vocals. Ouça essas faixas ao pé da matéria.
BEM-RELACIONADOS Apesar do saudosismo exagerado, o Heartbreak nasce com potencial - ou pelo menos acredita demais nele. Já excursionou com Neon Neon, abriu para o Presets e agora embarca em tour britânica com o Little Boots. E é curioso reparar em seus releases biográficos como a banda não perde tempo em se atar a esses artistas e outros, como o Hercules and Love Affair, justificando sua nobre existência dentro de um divertido revival da disco music. Como se o som deles fosse apenas nu-disco...
Mas deve ser no mínimo interessante ao vivo, principalmente pelo frenesi de Muravchix, um verdadeiro show-man, confira o vídeo de uma festa do Last.Fm em que o Heartbreak se apresentou em Londres (o Tetine tocou na mesma noite). Confira.
PODCASTS! Para entender melhor essa salada de referências oitentistas que vão do metal até a música eletrônica recém-computadorizada, é interessante ouvir dois podcasts que o Heartbreak gravou esse ano. O primeiro, de setembro, foi o tradicional podcast do site Resident Advisor, que veio junto com uma entrevista.
TRACKLIST Heartbreak - We're Back - Lex Records (Extract from Dario Argento's Tenebre overlayed) The Why Not - Comet 059 (Max Music) X-Ray Connection - Get Ready (Break Records) Blind Date - Your Heart Keeps Burning ( Ariola) Harold Faltermeyer - Shoot Out (MCA Records) Bochum Welt - Saint (Heinrich Mueller - Z Version) - (Rephlex) (Extract from John Carpenter's The Fog) Ali Renault - Lacrimal (Dissident) Xenon - Xenon Galaxy (Radius) Muravchix - Tropical Warrior (Dissident) Junior Rafael Presents Darkroom Trax - Drug Me (Mighty Robot) Steve Pointdexter - Whiplash (Muzique Records) Farley "Jackmaster" Funk - Jack the Bass (Trax) / Heartbreak - Give Me Action (Lex) Japanese Telecom - Kubi (Intuit-Solar) Drexciya - Aquatic Beta Particles - (Rephlex) / Heartbreak - Robot's Got the Feeling (Lex) Rude 66 - As (Nicolas Courtin Remix) - (Crème Organization) Queen Samantha - Take a Chance (T.K. Disco) / Heartbreak - Akin to Dancing (Lex) Alex Valentini - Beautiful Life (Flemming Dalum Edit) - (Moustache) Vicio Latino - Que Me Pasa, Que Me Pasa? (Epic) (Extract from John Carpenter's Dark Star)
Live!
E o segundo, publicado há duas semanas, foi o segundo episódio dos podcasts da série "DJ Mix", do ótimo site inglês Clash Music, em que dá para conferir como a mistura de Jeff Mills e Black Sabbath pode soar. Enjoy!
Flash Content
TRACKLIST Den Harrow - Charleston (Baby records) Rude 66 - As (Nicolas Courtin rmx) (Creme organization) Magnus International - Kosmetisk (Full Pupp) Koto - Visitors (Memory) Romano Bais - Dial my number (Many) Pluton & The Humanoids - World Invaders (VS) Black Sabbath - Children of the Grave (Warner Bros) Jeff Mills - Step to Enchantment (Axis) Drexciya - Andrean Sand Dunes (Ttresor) John Carpenter - Escape from New York (ZYX)
o som é meio derivativo mesmo, mas ainda não consegui ouvir nada que não fosse o postado aqui no Rraurl. De qualquer forma, que venha mais synthpop, ADORO!!! Agora, um disco INTEIRO bom de cabo a rabo nesta nova onda synth + bloghouse, só o The Presets mesmo, na minha opinião. O resto do que tem apaecido por aí eu tiro umas duas a cinco faixas realmente boas e jogo o resto do disco no lixo. Enquanto isso, vou ouvindo Telex, que ali não tem erro...
Também ja tinha postado sobre eles fazendo uma resenha do disco ha tempos atrás no meu blog (http://eletrisistas.blogspot.com/). Achei o som derivativo demais, com poucas fagulhas de originalidade. Acho essa historia de influencia do metal muito mais para chamar atenção e criar buzz midiatico do que algo realmente notável na música deles.