Cidade do ABC Paulista dribla a violência e cria roteiro próprio. Mas, assim como a capital, sofre com burocracia das autoridades
Tradicionalmente, a cidade de Diadema, no ABC Paulista, nunca esteve ligada à cultura da música eletrônica por um simples fato: temos uma maioria esmagadora nordestina na cidade. Por isso, tais raízes nos impõem a música tradicional local, o forró. Além do forró, o hip-hop também possui uma raiz bem consistente na cidade, pois aqui existe a
Casa do Hip-Hop, espaço de onde saem grandes MCs e outros talentos do break, grafite e discotecagem. Além desses dois estilos musicais, o que movimenta a indústria de festas da cidade é a moda das rádios, as festas de funk e o reggae.
Porém, uma nova geração de baladeiros vem surgindo na cidade com um gosto musical totalmente diferente, e de quatro anos pra cá começaram a surgir projetos interessantes em Diadema. Ainda com cara de matinês, muitos nem chegam até à madrugada; alguns atraem um público mais GLS, outros são feitos para a "pegação" geral dos futuros héteros da cidade. E existem também as tradicionais PVTs de Trance (essas por sua vez, tradicionais em qualquer lugar de São Paulo, do país).
AS FESTASEssa safra de eventos na cidade, um forte núcleo urbano de 400 mil pessoas limítrofe com São Bernardo do Campo e a zona sul de São Paulo, mostra como o jovem de hoje está engajado em mudar a cara da cidade. Gabriel Rocha (DJ residente do Boca Club e dos projetos Circuito Bubbaloo, Ultra Bubba e Orgástica), foi um dos pioneiros em produção de eventos deste porte em Diadema com o projeto
J-Sound, que acontece desde 2004. A festa rendeu frutos de verdade lá por 2006, com a formação de um público fiel.
J-Sound @ Gaza Lounge

"Quando a J-Sound começou existiam pouquíssimos eventos de música eletrônica direcionados ao público jovem em Diadema. No início eram apenas festinhas para amigos, a primeira festa nem flyer tinha" - lembra Gabriel. Em sua ultima edição, a festa contou com um público de 900 pessoas e com o DJ Adriano Pagani (http://rraurl.uol.com.br/adrianopagani). Em uma edição anterior, a J-Sound inovou no line-up e trouxe o show man Mauro Borges. O DJ volta na próxima festa, que inaugurará uma nova etapa na cidade ao lado, em busca de um novo público já que o projeto não para. "Como nosso público está concentrado mais no ABC, estamos migrando para São Bernardo agora, onde se tudo der certo o projeto crescerá bastante, mas quem sabe um dia podemos fazer edições em São Paulo também". A próxima J-Sound rola dia 18/out no
L'Officina: Rua Marli, 26 - SBC, vale a pena conferir!
PÚBLICO GLS: CATAPULTA NATURAL PARA A NOITEO início desse ano marcou a fase podemos chamar de "O Iluminismo" na noite da, com um projeto em especial que chamou bastante atenção do público GLS. É o
Alternative Club, todos os sábados no Empório Santa Vitória, Centro, que tentou um conceito mais diferenciado de "baladas" para essa audiência. O idealizador DJ T-Boy já residiu em grandes casas gays de Sampa: Bubu, Flex, The Week, The Club e na Parada LGBT. A idéia foi sem dúvida atingir os moderninhos da cidade, ou seja, aqueles que possuem um gosto musical apurado. No line-up, dois DJs de tribal (T-Boy e Dry) e outros dois de tech-house (Gustavo Abreu e San) comandam a noite com sets que buscam formar ouvintes de uma cultura, digamos, mais underground.
Talvez seja exagero dizer que o Alternative Club é a festa que mais me lembra clubes do centro de São Paulo, mais a festa vale se propõe a abrir novos horizontes, mostrar o quanto é vasta a cultura da música eletrônica. Para quem quiser conferir o projeto, ele rola dia 25/out, e o Empório fica na
Av. Alda, 501, Centro.
Sextyil

Sucesso inegável entre os colegiais da cidade, os eventos que têm a direção de Alex Tadeu de Moraes Santana, o "Lekão", idealizador do projeto
Sextyl, já arrastaram para as pistas da nossa cidade um público total de pouco mais de 3.000 pessoas em três eventos organizados.
Na última edição da festa (Sextyl - The Impossible), 1.200 pessoas e muita jogação, além de um bom line-up e uma bela estrutura de som, talvez a melhor que a cidade já viu nos últimos tempos. Rafael Rosa e Cauê D. comandaram a fesat com techno e house, dignos de D-Edge e afins. DJ San, Stiff, T-Boy e Thiago também tocaram.
Perguntado se acreditava no potencial da cidade como, futuro pólo de baladas eletrônicas, Lekão mostrou confiança. "Não é a toa que eu larguei um emprego de dois anos para criar um projeto de médio a longo prazo visando algo muito maior, pois a musica eletrônica está invadindo não só Diadema, mais todas as cidades do ABCD"
Lekão, assim como todos os outros promoters que tentam fomentar a cena em Diadema, ainda acredita numa "renovação sonora" a ser estabelecida por DJs de vertentes pouco conhecidas pelo público da cidade. Perguntado se isso seria uma tendência, ele respondeu da seguinte maneira. "Não posso dizer que é uma tendência, mais é o que eu estou procurando, pois Diadema até uns seis ou sete meses atrás era só funk, funk, funk e mais funk. Estou tentando mesclar coisas diferentes onde o pessoal não vai escutar em qualquer clube", conta. "Muitas outras festas estão aparecendo, e isso me traz uma enorme felicidade, porque faz com que Diadema tenha festa e concorrência". A próxima Sextyl terá como tema "Quebrando a Banca", e rola dia 01/nov na Chácara 3 Irmãos:
Av. 7 de Setembro, 531.
LEI SECA E A DESBUROCRATIZAÇÃOCida Ferreira (PMDB)

Um dos motivos pelo qual não temos uma vida noturna mais ativa na cidade é bem simples. A "Lei Seca" que entrou em vigor em todo o país este ano já vigora em Diadema desde 2002. É uma lei um pouco diferente: os bares é que são obrigados a fechar depois das 23:00hs, e nenhum estabelecimento pode vender bebidas alcoólicas após tal horário - apenas aquelas que possuírem o alvará de funcionamento.
Foi um mal necessário para a cidade, que já chegou a ser considerada a mais violenta do Brasil. A idéia da lei seca é exemplo mundial, já foi exportada para vários países, impressionados pelos números: a violência na cidade diminuiu 80% desde 2002.
E esses seis anos de restrições renderam frutos até maiores do que a diminuição da violência: a conscientização do jovem. É o que também acredita a vereadora Cida Ferreira (PMDB). "Nossa cidade tinha o maior índice de criminalidade do país e hoje somos exemplo para o mundo. A consciência mudou, acredito que hoje em dia não teríamos noites tão violentas quanto antigamente".
LEI SECA - DIADEMA
Lei municipal nº 2.107 (mar/2002)
Vigor em jul/2002
Taxa de homicídios
2000/2001: 22 mortes por mês
2003 a 2005: 12 mortes por mês
267 homicídios a menos
Queda de 40%
Fonte: Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca e Universidade Federal de São Paulo
Mas, quando se pensa em noite, nem tudo está conquistado. A grande questão hoje é a demora para a liberação de alvarás. A burocracia faz com que muitos desistam de abrir um estabelecimento noturno ou crie festas e eventos, fazendo assim com que a economia da cidade "congele" no tangente à cultura da noite noite.
Faz-se necessário então a criação de um setor da Prefeitura responsável só pela desburocratização. Isso ajudaria bastante num primeiro momento, pois é provável que a vida noturna renderia bons frutos para a economia da cidade. A respeito disso a vereadora foi bem objetiva. "Se dependesse de mim, já no próximo ano estaria resolvido".
Sempre acreditei em Diadema e fiz de tudo para quebrar os preconceitos que cercão o nome da cidade, eu sei que as coisas aqui não eram boas ah alguns anos atrás, mas hoje é outro lugar, ao contrário do que falaram aqui, com toda sinceridade, eu ando mais tranquilo em Diadema que na região central de São Paulo e olha que estou no eixo paulista-augusta-e afins umas 4 vezes por semana.
hehehehe, está convidado rafael, a assistir um set meu!
e ver oque eh techno e house digno de qqlr club do mundo!