Se houvesse na TV uma mesa-redonda da eletrônica (
Pista Justa?
Dancefloor Connection?), Moby sem dúvida seria um dos comentaristas. Ou até mesmo o apresentador. Tudo bem que ele beira a chatice politicamente correta e se questiona a relevância de álbums como (o bom)
Last Night na música hoje, mas não dá para ignorar o careca.
De produtor estrelar a discreto de DJ em 2008, Moby sempre tem algo a dizer ou acrescentar. A última foi uma carta aberta em seu jornal online (um celeiro de pautas e discussões,
leia) reclamando da EMI, a gravadora dona da Mute (seu selo original), que não vende faixas nem dele, nem de qualquer outro artista da dance music no
Beatport. Leia um trecho.
Escrevo essa carta-aberta ao pessoal da EMI
Estou na Mute Records há 15 anos, e a Mute é comandada pela EMI, o que me faz um artista deles
Como algum de vocês devem saber, a indústria fonográfica está se desmanchando, as coisas nas gravadoras, especialmente nas majors, não vão muito bem
Uma luz no fim do túnel tem sido a venda de música em portais online como o iTunes
O equivalente ao iTunes na dance music é um site chamado Beatport, que permitem você um preview de faixas para você saber se compra ou não
O preço médio de uma faixa lá é duas ou três vezes maior que no iTunes (o que faz sentido, já que as faixas são mais longas)
EMI felizmente permite que sua música seja vendida no iTunes, mas não permitem que se venda no Beatport
Por mais de um ano eu venho pedindo a eles que permitam artistas eletrônicos a vender faixas no Beatport e nunca recebi uma boa resposta
(...)
Muitos DJs vivem em áreas urbanas com grandes lojas indie-dance, e muitos deles compram vinis e CDs online dessas lojas, mas há milhares e milhares de DJs que basicamente só compram música em sites como o Beatport
Significa que dezenas de milhares de DJs ao redor do mundo não têm acesso a nenhum release dance lançado pela Mute ou pela EMI (logo, minha música)
Então, essa é minha carta à EMI: ao não permitir que a música seja vendida em sites como Beatport vocês estão perdendo dinheiro diariamente e comprometendo seriamente a carreira de seus artistas eletrônicos (como, por exemplo, The Chemical Brothers, eu, Massive Attack, etc.).
(leia a íntegra aqui, em inglês)
Faltou Moby comentar - até mesmo ironizar a seus chefes da EMI -, como é fácil achar as faixas desses artistas e seus respectivos remixes na Internet, de maneira, hm, "ilegal", avulsa. Uma rápida consulta ao
Hypem.com e em blogs musicais mostra como é fácil achar as faixas de
Last Night Remixed, a versão remixada de seu último álbum, confira o tracklist, que mostra bem a guinada prog e outras curiosidades da carreira atual de Moby (o remix do Holy Ghost! é um destaque). Faixas para audição ao pé da matéria.
LAST NIGHT REMIXED1. "I Love To Move In Here" (Holy Ghost! remix)
2. "Ooh Yeah" (Kris Menace remix)
3. "Live For Tomorrow" (Tocadisco remix)
4. "I'm In Love" (Shapeshifters Maximal remix)
5. "Disco Lies" (Freemasons club mix)
6. "I Love To Move In Here" (Seamus Haji club mix)
7. "Alice" (General Midi remix)
8. "The Stars" (AC Slater remix)
9. "Disco Lies" (Spencer & Hill remix)
10. "Alice" (Drop The Lime Heavy Bass remix)
11. "Ooh Yeah" (D.Ramirez Haunted Playground remix)
12. "I'm In Love" (Mason remix)
13. "I Love To Move In Here" (Style Of Eye Piano remix)
14. "Last Night" (Album Version)
De novo, Moby com a palavra. "Os remixes em 2008 tem uma importância inédita, e a melhor contribuição de sites como Ableton e Logic é que quase qualquer um pode ser um remixer". Eis o paradoxo: sintonizado com a modernidade, mas lutando contra a imutabilidade das gravadoras no campo online. Parte disso também pode ser culpa do gigantismo monopolista da Apple/iTunes hoje?). Ele até que foi educado.
Kris Menace sempre muito bem.
Realmente, ta cheirando a marketing.
É tudo muito "correto" pro meu gosto.
tá cheirando a marketing...