Numa noite em que o clima da sempre ensolarada Búzios estava irreconhecível, a Pacha local trouxe ao balneário fluminense mais um nome consagrado mundialmente: O iraniano/americano
Ali Dubfire, que veio ao Brasil como um dos headliners da mais esperada noite do ano em São Paulo, o Skol Beats.
Quando Ali se preparava pra comandar as carrapetas, e enquanto a pista - que tem um visual incrível da praia - esquentava para a atração principal da noite, comecei um bate-papo rápido para tentar extrair tudo o que eu podia deste grande produtor americano, nome forte tanto no techno quanto no progressivo. Confira.
As suas produções solo são bastante diferentes do som que você fazia junto com o Sharam, no Deep Dish. Como Dubfire, você inclusive lançou tracks pela M-Nus no último ano. O techno e a música de low bpm sempre foram uma paixão sua ou é uma experiência nova?Eu sempre fui o lado mais underground do Deep Dish, mas ao produzir em conjunto com o Sharam, tínhamos que equilibrar os dois estilos que, por serem diferentes de alguma forma, se completaram neste projeto.
De qualquer forma, a proposta do Deep Dish sempre foi fazer com que o techno e o house andassem juntos.
Hoje você está tocando na Pacha de um balneário paradisíaco como Búzios, já amanhã você se apresenta no maior festival de uma selva-de-pedras chamada São Paulo. O que o ambiente ao seu redor influencia na escolha da tracklist para cada situação?Na realidade o que me influencia mais é o meu humor no dia e, principalmente, a reação da pista. Eu costumo mesclar muitos estilos na primeira hora de set pra sentir o que mais agrada aquele tipo de público e, depois disso, sigo a tendência que mais faz a pista ferver.
Você fundou uma label recentemente chamada Sci-Tec, pela qual já lançou inclusive um remix feito pelo Booka Shade, além da nova track de Steve Mac. Qual é o propósito deste novo projeto?O Sci-Tec é um projeto que está me deixando muito feliz e através do qual posso trabalhar a pós-produção de tracks de alguns amigos e de novos bons produtores que estão surgindo.
Agora mesmo estou trabalhando em duas faixas juntamente com o projeto Radio Slave, e o resultado está sendo bem interessante. Não tenho grandes planos, apenas me divertir e fazer boa música.
Ouvi falar de um set alucinante que você fez na Warung (SC, carnaval de 2007) que durou oito horas! Tocar no Brasil é realmente diferente? E a estrutura que você vê por aqui já está no mesmo nível da que encontramos na Europa e EUA?Nossa, aquela noite foi demais! É realmente especial tocar por aqui.
Quanto à estrutura não há muita diferença. Tocar em clubes que tem o clima praiano do Warung e daqui (Pacha de Búzios) me dá a mesma sensação que tocar em Ibiza.
E finalmente o que todos querem saber: O Deep Dish acabou de vez?(Risos) Não, não. Estamos apenas dando um tempo e focando nossos projetos paralelos que, aliás, sempre existiram.