DJ Dmitri
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DJ Dmitri
08.10.03 01:45
Era final de 87. Depois de já ter vivido em outros países da Europa e de ter sido residente de clubes como El Divino, Pacha e Space, em Ibiza, Dmitri foi morar em Londres e começou a participar de squat parties em Notting Hill Gate. "Os locais mais escolhidos eram prédios, fábricas e cinemas abandonados", conta. "Os núcleos e artistas promoviam as festas sem horários e sem leis. A nossa se chamava Green House e contava com gente como Adamsky e Nina Hagen, além de muita acid house". Assim, percebeu logo que as raves haviam mudado sua vida.

Quando voltou para São Paulo, em 1996, o Hell's Club – primeiro after-hours do país, que inspirou toda uma geração de DJs - dominava. As pessoas vestiam preto e ouviam techno underground. "Meu set não se encaixava muito naquele contexto, mas mesmo assim eu gostei muito das vezes que toquei lá. Ainda não tocava hard house, meus sets eram uma mistura de goa e tech-trance. Só tenho boas memórias do inferninho", diz.

Mas a cena precisava de mais opções. Percebendo que um novo público estava surgindo, Dmitri começou a apostar em projetos um pouco mais ambiciosos, como as raves Cuckooland e Rave-o-lution, em parceria com o DJ Camilo Rocha, entre outros. As (hoje mega) raves Avonts nasceram nessa época, mas menores e mais relaxadas – daí o nome. "As primeiras festinhas de sítio eram do caralho, o povo ainda não era dividido e não existiam preconceitos com os estilos", compara.

Além do núcleo Avonts, durante um verão na Bahia, com um amigo, o DJ idealizou o Botechno, um pré-clube com as características "de um típico bar da esquina, mas com a vantagem da música eletrônica", explica. Algumas vezes, lá pelas tantas, o bar virava uma pista. "Só os vizinhos é que não gostavam muito..." O bar fechou, mas ainda se fala em reabri-lo.

A cena cresceu e o que era Avonts virou Megavonts, se tornando um dos nomes mais fortes dentro do cenário eletrônico brasileiro. "Como une várias 'tribos', ela não é simplesmente uma rave direcionada, é um festival de música", acredita Dmitri. Ele diz que vivemos uma outra realidade e que esse tipo de festa já não faz mas tanto sucesso, por isso pretendem voltar à Avonts e "fazer uma coisa público mais direcionado e orçamento pé no chão. Está cada vez mais difícil arranjar patrocínio. Só vamos misturar todos os estilos possíveis quando formos comemorar uma década de baladas."

O núcleo realizou uma turnê que passou por Porto Alegre, Curitiba e Goiânia, mas Dmitri diz que São Paulo vai ser sempre o centro "A própria AME é a prova de que aqui a coisa é séria e tem o papel importante de mostrar que raves e a cena em geral não se baseia em drogas, é um meio de entretenimento", argumenta. "A colaboração de cada um é essencial: menos pala e mais dança."

As festas são sempre premiadas e para ele servem como uma força para fazerem sempre o melhor. "Gringos e top DJs saíram falando bem da Avonts, e do Brasil também". Apesar de já ter reunido mais de 320.000 pessoas e de realizar 36 festas, Dmitri diz que a melhor festa está sempre por vir.

Sem esquecer de seu trabalho como DJ, ele diz que está tomando tempo para se dedicar à música e que tem tocado bastante pelo Brasil. "O problema é que a coisa em São Paulo anda difícil para quem toca hard dance, há pouco espaço", revela. "Mas mesmo a galera querendo sempre lenha, estou fazendo alguns sets de progressivo."

Apesar de tantas conquistas ao longo da carreira, o DJ ainda sonha em montar um estúdio em casa para se dedicar somente à musica. "Quero usar mais a marca para uma confecção de roupas para festa e deixar a festa Avonts nas mãos dos meus sócios."

Silvia Piccolo
Silvia Piccolo
A Silvia escreveu pro rraurl falando que gostava de escrever e está conosco desde o começo de 2003!
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