Polêmica à vista: sentença de juiz na Inglaterra culpa proprietários por uso de drogas em seus clubes, indicando falhas na leis de combate às drogas.
Na Inglaterra, proprietários são condenados a prisão por não conseguirem combater o uso e a venda de drogas em seu clube. O caso gerou controvérsias, uma vez que muitos experts no assunto afirmam que raves licenciadas e donos de casas noturnas licenciadas não tem muito o que fazer para impedir que seus clientes consumam drogas dentro de tais lugares, e que ações como estas apenas fazem com que a venda das drogas no mercado underground aumente, causando ainda mais riscos para os usuários.
Não há como não lembrar que em São Paulo, tanto Estado quanto Prefeitura,
estudam leis que criariam critérios rígidos para a realização das festas.
A POLÊMICATom Costelloe

Dois nomes famosos da cena rave inglesa, Manoucehr Bahmanzadeh (dono da Dance Academy) e o DJ Tom Costelloe receberam sentença de nove e cinco anos (respectivamente) de prisão esta semana, depois de terem sido considerados culpados de permitirem "enormes" vendas de ecstasy no mega club Plymouth.
O juíz Francis Gilbert apontou ainda que os estilos de música eletrônica denominados hard house e trance do clube são fatores que influenciam este tipo de situação, declarando que "a verdade é que o ecstasy é parte desta cultura. Esse tipo de música é associado com o seu consumo. Essa droga é um grande fator em atrair pessoas para o club e gerar lucros."
Ele também citou que o uso pessoal que Tom Costelloe faz de ecstasy e maconha foi decisivo no aumento de sua pena, depois que os policiais encontraram duas pílulas em sua casa. "Eu vou aceitar que em termos de lucro sua participação foi muito pequena; no muito, você foi bastante mal-pago," declarou o juiz, "Seu lucro estava em ser o homem que mantinha o club de maior sucesso no South West inglês," concluiu.
ONGS E DJs: REPERCUSSÃOJudge Jules, top DJ que já tocou bastante no clube, falou depois de saber sobre a sentença que "embora eu não possa comentar sobre os detalhes específicos deste caso, parece ser um caso preocupante para todos os donos de casas licenciadas."
"Não há muito o que os donos de casas noturnas possam fazer para erradicar o uso de drogas em seus estabelecimentos. Prender os que não conseguem fazer isso por completo é um modo bastante draconiano de lidar com esse problema." apontou Jules.
"Não há muito o que os donos de casas noturnas possam fazer para erradicar o uso de drogas. Prender os que não conseguem fazer isso é um modo bastante draconiano de lidar com esse problema."
Judge Jules
Steve Rolles, da ONG Transform, que lida com problemas de viciados em drogas, também atacou a sentença declarando que "isso é um exemplo chocante de abuso de uma lei péssima."
"Eu acho que uma boa comparação a ser feita é com a licença de álcool; a venda não licenciada do álcool, ou a permissão desta venda, nunca vai gerar uma sentença de prisão ou mesmo será considerada um crime deste porte. Neste caso nós vemos outra droga, o ecstasy, que devido a um específico período da história é considerada ilegal, mas que para os experts do governo é menos prejudicial que o álcool, sendo tratada de uma forma bem diferente."
A ACLU NORTE-AMERICANAA sentença do juiz faz lembrar um notório caso semelhante de
rave act nos EUA, quando a American Civil Liberties Union (ACLU) descreveu num ensaio de 2003: "o
rave act pune injustamente negócios por causa de crimes de seus clientes. Estabelecimentos podem ser processados mesmo que não tenham qualquer envolvimento com drogas - e mesmo se eles tomam atitudes para coibir o seu uso dentro do seu espaço", dizia a ACLU.
Clubes, proprietários e freqüentadores: quem são os criminosos?

"O governo não consegue nem mesmo coibir o uso de drogas dentro das prisões, e mesmo assim pune proprietários de estabelecimentos que não podem fazer nada para que seus clientes parem de usá-las. A lei é tão vaga que é como banir completamente o uso de veículos nas ruas só porque alguns adolescentes se envolvem em acidentes."
"A questão não é se as pessoas devem usar ou não drogas," a ACLU conlui, "A questão é que proprietários de casas noturnas não devem ser punidos por crimes que seus clientes cometem e se um gênero de música e cultura deva ser suprimido por causa dos erros de alguns poucos."
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Saiba mais sobre o
rave act americano
aqui.
Essa foi de moer o saco.