Parada é o carnaval da cena gay paulista
Pista da The Week
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Parada é o carnaval da cena gay paulista
No embalo da Parada, principais (e gigantes) clubes gays da cidade trazem DJs de fora para uma overdose de house tribal
21.05.08 10:35
 
Desde que a Parada entrou no calendário oficial da cidade, a cena gay passou a viver uma mobilização semelhante à que acontece no Carnaval carioca, com hotéis lotados e grande movimento nas lojas e restaurantes simpatizantes. São Paulo começou a atrair multidões de todas as tribos e cantos, interessadas em se jogar nas festas, que vão de quarta (21/mai) até domingo (25/mai), nesse feriadão prolongado de Corpus Christi. Essas festas passaram a ofuscar a própria Parada, que em 2008 viu a debandada das boates de seu desfile, donas dos trios elétricos mais disputados.

Rodrigo Zanardi, da Flexx
Rodrigo Zanardi, da Flexx
Se em outros anos havia espaço para festas independentes - como a Magma, de Emílio Jorge e Marcelo Doom, e a X-Demente, do carioca Fábio Monteiro - nesta temporada quem dá as cartas são os clubes. Eles são inclusive responsáveis pelos poucos eventos que acontecerão fora de seus domínios: a day party Gira-Sol e a festa Angels, no clube Pacha, levam a marca da The Week.

Com o agito rolando dentro dos clubes, o que acontece na prática são pequenas variações das noites normais: acrescenta-se algum detalhe à decoração, convida-se um DJ de fora - e aumenta-se substancialmente o valor da entrada. A The Week, por exemplo, já está cobrando R$ 120 de entrada no sábado, preço que deve aumentar por causa da demanda. O clube promete melhorias em sua estrutura para agradar os freqüentadores: "Teremos performances com atores e bailarinos e a construção de uma cobertura na piscina, que também servirá como uma tela gigante de projeção", adianta o sócio André Almada.

Correndo por fora, o clube Flexx, de Rodrigo Zanardi e André Bianchini, também investe em atrações gringas: "A partir de quarta-feira, a Flexx receberá quatro DJs internacionais e quatro residentes de clubes conceituados de outras capitais", conta o proprietário Zanardi. Outros dois clubes, Megga e Bubu, estão temporariamente fora do páreo, fechados pela Prefeitura devido a "pendências burocráticas", segundo divulgou sua assessoria de imprensa. Mais nova opção da cidade, aberta há pouco mais de um mês na Barra Funda, a Megga prometia ser a grande novidade na semana da Parada, depois de quase quatro anos de monopólio da The Week. Infelizmente o clube anunciou nesta quarta (21/maio) que não conseguirá abrir no feriado. Estavam escaladas várias atrações gringas, algumas destoando da linha musical dominante, o house tribal norte-americano (veja box). Já a Bubu ainda luta para resolver os entraves a tempo dos festejos pré-Parada.

O clima descontraído e libertino das festas, repletas de corpos sarados, começou a atrair muitas mulheres. Depois, alguns homens héteros mais espertinhos vieram atrás delas, e o que se vê hoje é uma convivência bastante pacífica na pista de dança. "A freqüência de héteros num clube gay só nos prova que a cada dia mais a sociedade está mais madura", acredita André Almada, da The Week. Se esse avanço é real ou só ocorreu dentro dos limites dos clubes, fato é que a onipresença da TW já mostrava o tamanho da cena gay "não-underground" de São Paulo. Agora, com novos clubes tão grande que atraem novo público sem prejudicar a concorrência, a capital paulistana se legitima como um forte epicentro latino-americano de vida noturna gay. Mas o que importa ao público é viver o momento, como se aquela fosse sua última chance de celebrar. Ainda mais na semana da maior Parada Gay do mundo.

Eles gostam é de tribal
Verdade seja dita, uma expressiva parte do público dos clubes gays não tem conhecimento musical aprofundado e não se importa com o que ouve na pista. A maioria gosta e espera ouvir nas festas o chamado house tribal, com batidas bem marcadas, muitos hits e vocais. Tudo o que destoa desse estilo é rotulado como "pesado" - o que acontece, por exemplo, quando alguns DJs arriscam misturas com progressive house ou electro no meio de seus sets.

Obviamente, isso tem influência direta na programação das casas. "Ao escolher as atrações internacionais, levamos em conta a preferência de nosso público", explica André Almada, da The Week. E os queridinhos da geração The Week são, especialmente, o israelense Offer Nissim (foto) e o austríaco Peter Rauhofer, já com várias passagens pela casa - e que tocarão juntos na noite de sábado (24/5).

Na cena nacional, os DJs mais populares são Renato Cecin e Pacheco. João Neto tem conquistado novos fãs, ao fugir um pouco da linha tribal dominante e se arriscar por outros caminhos da house music, com momentos de electrohouse, deep house e progressive house. Os três são residentes da The Week em São Paulo. Em paralelo, nomes como Patrícia Tribal (RJ), Alê Bittencourt (PR) e Robix (The Week/RJ) também tentam trazer novas sonoridades às pistas.

Dois do convidados previstos para o clube Megga, que não deve vir com o não-funcionamento da casa, prometem inovar no morno cenário musical dessa Parada. Richie Santana tem um projeto mensal (Mind Control) no Pacha de Nova York, ao lado do renomado produtor Peter Bailey. Já Carlos Fauvrelle é português e seu som é bastante parecido com o do conterrâneo Pete Tha Zouk. Em comum, Richie e Carlos têm o pé fincado no iberican sound e suas apresentações costumam ter uma riqueza musical acima da média.

Destaques da programação (em ordem alfabética)


BUBU
O espaço, com duas pistas, mezanino e bares, abriga até 1800 pessoas e reúne meninos e meninas, a maioria entre 18 e 25 anos. Tem na sexta-feira sua noite mais concorrida. Predomina o tribal house, com uma profusão de vocais femininos (especialmente na segunda pista). Estava fechada por questões com a Prefeitura, mas os organizadores prometem a reabertura da casa para o feriadão da Parada.

Quarta (21/5): Fun & Chic com Gonzalo (USA), Ricardo Motta, Paulo Agulhari, Paulo Ciotti e André Medeiros (H - R$30 a R$35 / M - R$60)

Sexta (23/5): Fun Pride com Don Campello (USA), Paulo Agulhari, Gustavo Vianna, André Medeiros e Paulo Ciotti (H - R$40 a R$45 / M - R$60)

Domingo (25/5): Top of the Sundays com Paulo Ciotti, Paulo Agulhari e André Medeiros (Preço único: R$15)

Rua dos Pinheiros, 791 - Pinheiros
www.bubulounge.com.br


FLEXX
Pertencente aos fundadores da festa E-Joy, que reunia a nata dos meninos bonitos de SP, a Flexx ocupa o imóvel na Barra Funda onde funcionou a Broadway, com capacidade para 2500 pessoas. O público é bem mixed, com predomínio de meninos mais novinhos. Há um mezanino vip com mesa de sinuca e uma pequena área externa com chafariz. Uma segunda pista, menor, abre apenas para projetos especiais. O som foca na house tribal e há convidados internacionais pelo menos 2 vezes por mês. Os proprietários foram os primeiros a trazer os epanhóis Chus & Ceballos e o israelense Offer Nissin ao Brasil.

Quarta (21/5): Flexx International com Hector Fonseca (NY), Douglas Penido e Rodolfo Bravat (lista R$25, com flyer R$35 e na porta R$50)

Sexta (23/5): E.Joy International com Mário Calegari (NY), Fist (Colômbia), Eric Cullenberg e Herlisson Child (com lista R$45, com flyer R$35 e na porta R$60)

Sábado (24/5): Chill Out a partir das 8h com Patricinha Tribal, Charles Medeiros e Kiron (com flyer R$15, com lista R$20 e na porta R$30)

Sábado (24/5): Flex Nacional com Rodolfo Bravat, Ale Bittencourt, Gustavo Scorpio e Alan Natal (com lista R$25, com flyer R$35 e na porta R$50)

Rua Marquês de São Vicente, 1767 - Barra Funda
www.flexclub.com.br


MEGGA
Programação cancelada para a semana da Parada, conforme anúncio oficial da assessoria de imprensa da casa.


THE WEEK
Inaugurou a era dos superclubes na cidade. Tem duas pistas, área vip e uma grande área externa com bares, deck e piscina. A pista principal oferece house tribal, house e pitadas de progressive house; já na segunda pista, predominam hinos gays com muitos vocais femininos. Costuma receber grandes nomes do circuito internacional, em festas que podem avançar até altas horas da manhã. Neste ano, fará também eventos fora do clube, em parceria com o grupo Pacha-Sirena.

Quarta (21/5): Babylon Conexão Internacional com Isaac Escalante (México), Renato Cecin, Paulo Pacheco, João Neto, Morais e Vlad (1º lote - R$40)

Sexta (23/5): 4 anos de Toy com Chris Cox (USA), Paulo Pacheco, João Neto, Renato Cecin e Grá Ferreira (1º lote - R$50)

Sábado (24/5): Babylon Especial com Offer Nissim (Israel), Peter Rauhofer (USA), Paulo Pacheco, Renato Cecin, João Neto, Morais e Hebert Tonn (2º lote - R$100)

Rua Guaicurus, 324 - Lapa
www.theweek.com.br

Festas da The Week em outros locais da cidade.

Quinta (22/5): The Week Angels visit Pacha com DJ Paulo (Los Angeles), João Neto, Renato Cecin e Pacheco (1º lote - R$30)
PACHA: Rua Mergenthaler, 829 - Vila Leopoldina

Sábado (24/5): Gira-Sol - a partir das 15h
Parceria com o projeto espanhol Matinée Group. Com Ana Paula, Renato Cecin, João Neto, Pacheco e Ioorde (Matinée Group/Espanha). (1º lote - R$30)
CLUBE DE REGATAS TIETÊ: Av. Santos Dumont, 843 - Ponte Pequena

Domingo (25/5): Nova Pool Party - a partir das 15h. Parceria com o projeto espanhol Matinée Group. Com Ana Paula, Renato Cecin, João Neto, Pacheco e Ioorde (Matinée Group/Espanha). Shows com Amannda e Alexandra Prince (1º lote - R$20)
CLUBE DE REGATAS TIETÊ. Av. Santos Dumont, 843 - Ponte Pequena


ULTRADIESEL
No coração do Centrão, inaugurou com falhas de acabamento que causaram má impressão; depois, foi acertando os detalhes e encontrou nos afterhours de domingo sua forma de se destacar. Tanto é que boa parte das festas programadas para a semana da Parada serão feitas nesse formato. As paredes da casa, que tem capacidade de cerca de 800 pessoas, são brancas e com projeções; os clientes devem receber óculos para visualizar imagens em 3D. O público da The Week gosta de terminar a noite lá.

A.M. After - a partir das 8h (flyer/lista - R$15 normal - R$20)
Quinta (22/5): com Vlad e Mauro Mozart
Sexta (23/5): Vlad e Erich Ensastigue (México)
Sábado (24/5): Vlad e Ale Bittencourt
Domingo (25/5): Vlad e Patricinha Tribal

Sexta (23/5): P.M. com Amir Marcus, Moshe Fain, Júnior Péron e Ale Bittencourt (flyer/lista - R$25 normal - R$30)

Domingo (25/5): Kali*Nato com Luciano Pardini (NY), Miguel Alanis (México), Mauro Mozart, Allan Natal e Daddy San (flyer/lista - R$25 normal - R$30)

Rua Marquês de Itu, 284 - Centro
www.ultradiesel.com.br

MARCOS CARIOCA
MARCOS CARIOCA
marcos carioca
Thiago Magalhães
Thiago Magalhães
comentários
14 comentários
e qto ao genero....

acho um rotulo absurdo...mas é a pura realidade, talvez pq, é um genero q na nasceu basicamente das pistas GLBTterêtetes ... talvez por isso seja considerado tal rotulo. assim como tm outros casos p/ generos de e.music q levam um gde publico de sua "origem".

Apesar de ser farofa... tem seu publico...e sem duvida eh o Das "bate-cabelo"
RS!.....farofafa...

a cada ano menos organizado e + perto de virar um mar de carne humana sem nenhum pretenção politica e muitas vezes com nenhum um pouco de boas inteções....
Catarina Liarth
Catarina Liarth(27.05.08)
1AprovadoQueima
Márcio Motor, primeiro ADOREI a verborragia (saudável, ok?) e as "neologias." Segundo, q concordei (e bastante, confesso) com os insultos as fezes alheias...fede mesmo quando se mexe muito e mais quando próximo!
"Cabulosidade" é um artifício daqueles com BASTANTE celeuma uterina, porém pouco com ppouco fervor.
Ô, coisa divina as opiniões retóricas...Bjks
Motor
Motor (26.05.08)
2AprovadoQueima
Pode crer, também concordo que a ME é de ‘lounge' o estilo mais Gay entre toda pluralidade musical. E o preconceito fede mais é dentro da própria casa! Se de um lado homofóbicos disseminam rótulos, impõem até certos ‘limites' apontando quais ambientes os Gays devem freqüentar, por exemplo, ou coisas do tipo... Do outro lado vejo uma expressiva e operante massa Gay (não generalizando, obviamente), mas é fato que grande parte desse público não tem conhecimento mais ‘profundo', não se importando com o que escutam na pista. E essa escancarada preferência exacerbadamente ‘house tribal' [HITS COMERCIAIS REMIXADOS, VOCAIS FEMININOS NOVES FORA BATE CABELO!], qualquer outro ritmo que foge dessa linha de som eles consideram ‘pesado', ‘sujo', ‘porra-louca' e blá blá blá... Digo isso pq, tenho um exército de amigos Homossexuais, e muitos deles (Claro!), curtem um Gueto GLBTêtêretê; Então ouço comentários cabulosos sobre os tipos de música que 'fojem' desse estilo tribal quase q o tempo inteiro.
Alexandre Pellizzon
1AprovadoQueima
Me irrita a prepotência de certas pessoas que acham que seu gosto é o único de qualidade. O resto é lixo. Cada estilo musical tem djs e produtores de boa ou má qualidade. Eu já odiei o som dessa cena g pq até pouco tempo só existiam djs ruins mesmo. Mas ultimamente tem aparecido muitos djs e produtores bons, como os citados nesta matéria: Joao Neto, Patricia Tribal ( apesar do nome rs)...
Quanto à outra cena, retratada pelo rraurl pq nao investe NADA na semana da parada? Estão perdendo de ganhar dinheiro...nem todos curtem tribal. Mas se tribal é a unica opção com mega eventos..fazer oq? Os clubs da outra cena fingem que não existem mais de 300 mil turistas gays em SP só neste feriado, que é mais cheio da cidade.