Cinco Perguntas para Douglas Carr
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Cinco Perguntas para Douglas Carr
Produtor que trabalhou com Ace of Base relembra bons tempos do estrelato poperô
20.03.08 15:40
Vamos falar de pop, de novo. De poperô, de novo. Como você já sabe, esse ano o sucesso estrondoso do grupo sueco Ace of Base completa quinze anos, e aproveitamos a ocasião para saber mais dos bastidores dessa história.

Encontramos via MySpace, essa imensa Arca de Noé musical, o produtor sueco Douglas Carr, co-produtor do álbum Happy Nation/The Sign e responsável sozinho pelo single "The Sign", aquele que foi o hit mais devastador dessa turma aloirada - seis semanas seguidas no topo do chart Bilboard Hot 100, marca digna de Celine Dion.

Denniz PoP
Denniz PoP
O chefão de todos os arranjos do Ace of Base nessa época foi outro escandinavo, Denniz PoP, que faleceu há 10 anos vítima de câncer ainda colhendo os frutos desse trabalho internacional - PoP trabalhou com N'Sync, Robyn e Backstreet Boys. Douglas contou ao rraurl.com como eles descobriram, produziram e encaminharam o AoB das pistas e knobs escandinavos para o mundo, num tom técnico e cheio daquela nostalgia comum de quem já esteve no topo.

Ele contabiliza, sem medo de exagerar, que o total de discos vendidos por artistas que passaram por seu crivo soma 50 milhões, quase toda integralidade desse número culpa do próprio Ace of Base e de outra raridade dos anos 90, o Dr. Alban, lembra? É dele (e de Douglas Carr) os hits "Sing Hallelujah!" e "It's My Life". Se você tem mais de 15 anos, esses sons já ecoaram pelo seu córtex cerebral em algum momento, relembre no player abaixo enquanto você lê as nossas cinco perguntas com Mr. Carr.

Flash Content
Dr. Alban - Sing Hallelujah! (Short) (mp3)
Dr. Alban - Sing Hallelujah!

Flash Content
Dr. Alban - It's My Life (Radio Edit) (mp3)
Dr. Alban - It's My Life

Conte como você teve contato com o Ace of Base e como foi criar "The Sign".

Bem, eu trabalhava com o produtor Denniz Pop e um dia ele me buscou cedo para o estúdio com seu carro. É uma história conhecida até, uma fita demo ficou presa no rádio de seu pequeno Nissan Micra, e por isso ele foi obrigado a ouvir uma música várias vezes. Era "All That She Wants" que o AoB tinha mandado. Ele me disse que deveríamos produzir a tal faixa. Enfim, um resumo: quando fomos lançar a banda nos EUA via Arista, eles queriam outra canção com a mesma pegada, e daí surgiu "The Sign".

Naquela época estávamos muito ocupados com dezenas produções, e já tínhamos aproveitado o sucesso pela Europa com outros artistas menores. Eu trabalhava com o Notator, do Atari 1040 (software que depois transformou-se no Logic), então não havia edição em computador. O Atari se dava bem com sons MIDI, e eu era bom em soltar faixas no 24-Track Machine, um gravador de rolo. Ajustes e compilação a gente também fazia no 24-track, então fazíamos tudo em fita, tudo que hoje se faz no ProTools, só que com melhor resolução.

"The Sign" é fiel em estrutura à "All That She Wants" quando se trata das baterias, a linha de baixo nós construímos numa fusão de sons, e no começo do refrão nós inserimos um "I" cantado de backing vocal junto com a voz principal, algo bem característico da banda. (Ouça no 0:32 dá faixa, lá no pé da matéria)

Eles arrasaram por todo o planeta, e ninguém de fato nunca soou como eles. As batidas foram feitas para as pistas e é um som que faz você suar em alto volume. Denniz tocava muito como DJ e sempre testávamos nossos mixes em suas pistas, e muitos DJs de rádio passavam pelo nosso estúdio e opinavam, então nós tivemos todos esses filtros adicionais antes de terminar tudo e dizer "é isso!".

O atual estúdio "Platina" de Doug Carr
O atual estúdio
Você lembra o momento em que sentiu que tudo ali seria um sucesso grandioso?

Eu estava em Miami numa convenção de DJs. Estávamos nos divertindo num clube latino quando o DJ tocou "All That She Wants" e "The Sign" uma atrás da outra. Todas as mãos foram ao ar e todo mundo cantou junto. Foi quando eu realizei que as coisas estavam começando a voar alto.

Você acha que os anos 90 foram o ápice da dance music?

Com certeza foi nessa época que a dance music chegou aos charts. A definição de pop para mim sempre foi uma fusão de estilos, teve um momento que baterias reais e guitarristas estavam banidos de nossas produções, por exemplo.

Esses ideais sempre entram e saem de moda, todo mundo estava usando loops e sampleando bastante naquela época, aliás. Hoje em dia não tenho mais problemas em gravar com baterias de verdade, microfones, mas ainda não dispenso um bom loop se eu preciso

Muitos gêneros surgiram nos anos 90, mas é difícil dizer que foi uma época mais fértil que a era disco dos anos 70.

Qual a diferença da dance music daquela época para os hits dançantes de hoje?

Talvez que os fãs das canções daquela época iam às lojas e compravam os discos. Para mim as faixas de dance de hoje não tem mais foco como naquela época, que era um tempo em que existia o fato concreto de que uma produção underground poderia chegar aos charts.

E o que é importante na produção para que uma faixa dance consiga se tornar pop e ir para as paradas?

Bem, regra número um: não há regras! Mas, se você quer manter os ouvintes, há algumas coisas a se fazer, como criar bases com bons versos, que peguem. E é sempre bom lembrar-se de não competir com ninguém. O Ace of Base nunca competiu...

Flash Content
Ace Of Base - The Sign (mp3)
Ace of Base - The Sign

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
3 comentários
Rodrigo
Rodrigo (24.03.08)
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Caralho, adoro essa "It's My Life!" De uns meses para cá tenho escutado todos os dias. É uma coisa maluca antropológica interessante o que tá rolando: a new rave fez todo mundo olhar para trás, para a "old rave". O contraponto pop das antigas raves era o popêro. Então hoje o caldeirão eletrônico comtempla tudo isso ae junto. Conclusão: tá todo mundo ouvindo, escrevendo, relembrando, falando e fazendo sons baseados naquela época.
Cj Hal
Cj Hal(24.03.08)
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De ouro e de clube Ipê!
Radha
Radha(20.03.08)
0AprovadoQueima
época de OURO