Jovem inglês saiu dos bits do chiptune e agora faz electro-pop que abrange qualquer hype
29.02.08 16:35
A estética vintage na música não se deu por vencida e foi além dos gêneros tradicionais da dance music - foi parar no seu antigo videogame 8bit. É o beat chiptune, que nos últimos tempos alcançou mares mais abrangentes de turmas new ravers e afins. Um nome a se trazer para nosso mundo desse fenômeno dos consoles é o britânico David E. Sugar.
Londrino de seus vinte e poucos anos, ele e seus beats em MIDI, binários e agudamente estriônicos, chamaram a atenção de Hot Chip e os franceses da Kitsuné, onde ele emplacou magistralmente a faixa "To Yourself" na quinta edição da coletânea do selo, lançada no começo desse ano.
É uma das melhores faixas do álbum, electrão rasgado em duas camadas que duelam entre si pelo sentido linear da faixa, que tem ainda vocal pop e meloso, quase infantil. Ouça.
GAME BOY LIVE P.A. Esse caminho que David vem trilhando é bem providencial: suas músicas estão rumando cada vez mais para um pop despretensioso, mas que se leva a sério na fanfarra eletrônica de seus consoles. Sim, console de vídeo-game, já que ele divide seu live entre bases pré-programadas e guitarra/violão.
Apesar do diferencial de toda essa história ser os efeitos crus de games sintetizados em bases, David foi o além da confusão que pode ser a pretensa pancadaria de tresloucadas barulheiras 8bit (perceba nas faixas abaixo).
A levada pop sempre esteve no sangue de David, que deslumbrou possibilidades ao ser convidado para fazer cover de "Radioactivity" numa compilação da Astralwerks quehomenageava Kraftwerk em faixas 8bit, um marco recente desse sub-gênero. Além da boa voz e musicalidade sincera - além da cara bonita o suficiente para arrematar o carisma alheio -, ele ainda foi absorvido recentemente por um zeitgeist com "Chelsea Girls', bem ao estilo Calvin Harris de disco-pop, cheia de marra.
Chelsea Girls
Timming pop ou puro oportunismo, eis a dúvida, já que ele foi abrangente o suficiente para gravar seus 8bits com um rapper. Os dois cheios de roupas coloridas piscantes, óculos Wayfarer de brechó, uma modernidade explícita. Tire sua conclusão com o vídeo em si.
OK (with Ears First)
Ele podia ter focado atenções na boa formatação de outras faixas, como em "Oi New York, This is London", um electrohouse gordo, mainstream à maneira que esse bombante gênero permite. A faixa foi bem remixada por Hot Chip e Jesse Rose, e fez parte da atmosfera de uma festa em Londres que tinha embates greco-romanos ao vivo durante sets e lives desses artistas.
"The Big H" é lado B de "To Yourself", um bom exemplo da fase madura e de eletrônica mais orquestrada, menos caos 8bit de David, que aliás está em turnê Kitsuné Maison 5 com Digitalism, Autokratz e Guns and Bombs. Dessa maçaroca de covers duvidosos (tem até uma versão estranhíssima para "Just Live Heaven", do Cure), batuques desgovernados de Nintendo Punk e synth-pop bem construído, surge mais um nome a se atentar. Não foi só o jeitão lá em "Chelsea Girls" que ficou parecido com Calvin Harris, assim como o conterrâneo, David E. Sugar também criou sua própria disco.